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URBEX, LO E BRU, A CAMINHANTE DA LUZ, Uma aventura de terror sobrenatural, primeiro encontro

Eduardo13
Pensamento

Pensamento

Gercina

Oxente, sala com grade e argola de metal na parede, interditada há décadas e ninguém derrubou. Prédio assim a cidade prefere deixar fechado a ter que explicar.

Oxente, sala com grade e argola de metal na parede, interditada há décadas e ninguém derrubou. Prédio assim a cidade prefere deixar fechado a ter que explicar.

Conteúdo da publicação

LO E BRU

A CAMINHANTE DA LUZ

Uma aventura de terror sobrenatural.

Trice acordou cedo, Lo fez um café e Bru devorou tudo que tinha e partiram para mais uma transmissão.

O interior de São Paulo escondia lugares que pareciam ter sido esquecidos pelo próprio tempo. Entre eles, havia um antigo manicômio que ainda funcionava parcialmente, atendendo pacientes em suas alas mais modernas. Entretanto, uma parte do edifício permanecia interditada havia décadas.

Diziam que ninguém deveria entrar naquela ala.

Mas, para Lo, Bru e Trice, aquilo era exatamente o tipo de lugar que merecia uma investigação.

— Fala, galera! Cês tão focados? — anunciou Lo, segurando a câmera diante do rosto. — Hoje nós estamos num manicômio que ainda funciona, mas tem uma ala abandonada onde aconteceram coisas que ninguém consegue explicar!

Bru, com sua GoPro presa à cabeça, olhou para o prédio deteriorado.

— Lo, deixa eu entender uma coisa. Você pesquisou se esse lugar é mal-assombrado?

— Pesquisei.

— E aí?

— É por isso que estamos aqui!

— Ah, ótimo! — resmungou Bru. — Eu devia ter ficado em casa assistindo televisão.

Trice soltou uma risada, enquanto os três atravessavam uma passagem lateral e chegavam à entrada da ala interditada.

A porta estava entreaberta.

Um vento frio escapava do interior, trazendo consigo um cheiro de mofo, ferrugem e alguma coisa difícil de identificar.

Lo empurrou a porta lentamente.

CREEEEEEEC!

— Nossa! — exclamou Trice. — Parece que a própria porta está reclamando da nossa presença.

— Ou tentando avisar que a gente não deveria entrar — respondeu Bru.

— Para de drama, Bru! Vamos lá!

E os três entraram.

O corredor era comprido e sombrio. As paredes estavam rachadas, o teto apresentava buracos e antigas lâmpadas pendiam dos fios. Havia cadeiras de rodas enferrujadas, macas quebradas e portas arrancadas das dobradiças.

Em algumas paredes, marcas profundas riscavam o reboco.

Lo aproximou a câmera.

— Olha isso, pessoal. Essas marcas parecem ter sido feitas por alguém tentando sair daqui.

Trice iluminou uma parede com a lanterna.

Ali havia inscrições quase apagadas, riscos desesperados e manchas escuras que o tempo não conseguira eliminar completamente.

Mais adiante, encontraram uma sala com grades nas janelas e argolas de metal presas às paredes.

Bru ficou sério.

— Gente... isso aqui não parece um hospital.

Lo baixou a câmera por alguns segundos.

— O que você quer dizer?

— Parece uma prisão.

Tris examinou a sala, visivelmente incomodada.

— Ou um lugar onde faziam coisas que ninguém deveria fazer com outro ser humano.

Ninguém respondeu.

Então, vindo do fundo do corredor, um som atravessou o silêncio.

— Aaaaaahhh...

Lo virou lentamente a câmera na direção do corredor.

— Tem alguém aí?

O gemido se repetiu.

Dessa vez, pareceu vir de dentro das paredes.

Bru agarrou o braço de Lo.

— Eu não quero ser chato, mas acho que chegou a hora de irmos embora.

— Calma! Pode ser algum paciente que entrou aqui!

— Ah, claro! Um paciente invisível que geme dentro da parede! Faz todo sentido!

Lo tentou rir, mas o som morreu em sua garganta quando uma porta bateu violentamente no fim do corredor.

BAM!

As lanternas piscaram.

E, por um instante, uma silhueta branca apareceu atrás de uma janela de vidro sujo.

Quando Lo voltou a iluminar o local, não havia ninguém.

Capítulo 2 — A mulher entre dois mundos

Chegaram a uma enfermaria destruída, onde antigas camas estavam tombadas e os armários permaneciam abertos. Papéis amarelados cobriam o chão. Algumas portas tinham números escritos à mão, e outras exibiam apenas manchas escuras.

Foi então que ouviram passos.

Passos lentos.

Vindos de uma sala lateral.

Lo apontou a câmera para a porta.

— Tem alguém aí dentro?

Uma voz feminina respondeu:

— Vocês não deveriam estar aqui.

Os três se viraram de uma vez.

Uma mulher estava parada no corredor.

Ela surgiu do nada, como se num picar de olhos, sumisse e aparecesse mais a frente, quem era ela...?

Parecia ter quase sessenta anos. Seus cabelos grisalhos estavam presos para trás, e ela vestia roupas simples, semelhantes às de uma antiga enfermeira. Seu rosto demonstrava cansaço, mas seus olhos tinham uma serenidade incomum.

O mais estranho era que ela não parecia surpresa ao vê-los.

— Meu Deus! — Bru deu um pulo. — De onde a senhora saiu?!

A mulher não respondeu imediatamente.

Apenas observou os três.

— Meu nome é Sarah — disse finalmente. — Trabalhei neste lugar durante muitos anos e fui paciente também.

Trice deu um passo à frente.

— A senhora ainda trabalha aqui?

Sara olhou para o corredor destruído.

— Não. Faz muito tempo que deixei de trabalhar nesta ala.

— Então a senhora conhece a história deste lugar? — perguntou Lo, aproximando a câmera.

Sarah fixou os olhos nele.

— Conheço coisas que vocês não conseguiriam imaginar.

Lo, percebendo que talvez tivesse encontrado a melhor história de sua vida, aproximou-se um pouco mais.

— Que tipo de coisas?

A mulher respirou fundo.

— Houve um tempo em que pessoas foram trazidas para cá e nunca mais foram as mesmas. Algumas sofreram nas mãos de quem deveria cuidar delas. Outras desapareceram dos registros. E algumas... nunca conseguiram partir.

Um arrepio percorreu o corpo de Trice.

— A senhora está dizendo que existem fantasmas aqui?

Sarah olhou para o fundo do corredor.

— Estou dizendo que existem sofrimentos que não terminam quando a vida acaba.

Naquele instante, a luz da lanterna de Lo atravessou o corpo de Sarah por uma fração de segundo.

Ele arregalou os olhos.

A mulher continuava ali, imóvel.

— Lo... — sussurrou Trice.

— Eu vi — respondeu ele, sem tirar os olhos dela.

Bru começou a recuar.

— Não. Não, não, não! Eu não vi nada e não quero ver!

Sarah voltou-se para os três.

— Por quê? — perguntou Lo.

— Porque esta ala não está vazia.

Um ruído distante ecoou no teto.

Sarah ergueu o rosto, como se tivesse ouvido algo que os outros não conseguiam escutar.

— Eles sabem que vocês estão aqui.

— Eles quem? — perguntou Trice.

A expressão de Sarah mudou.

Pela primeira vez, o medo apareceu em seu rosto.

— Aqueles que nunca encontraram descanso.

Ela se aproximou de Trice e falou em voz baixa:

— Meu dom me permite caminhar entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Durante muitos anos, tentei ajudar aqueles que ficaram presos entre os dois lados. Mas existe algo aqui que nem mesmo eu consigo controlar.

Bru engoliu em seco.

— Desculpe, dona Sarah, mas quando a senhora diz que consegue caminhar entre os mortos... quer dizer que a senhora também está...?

Sara não respondeu.

Apenas olhou para ele.

E aquele silêncio foi muito pior do que qualquer resposta.

Capítulo 3 — O grito da ala abandonada

De repente, todas as portas do corredor começaram a tremer.

Primeiro, uma.

Depois, duas.

Em seguida, todas ao mesmo tempo.

TUM! TUM! TUM! TUM!

As pancadas se multiplicaram pelas paredes, como se dezenas de pessoas estivessem tentando sair das salas trancadas.

Lo deixou escapar um palavrão....Por💀🪱💣....

Trice agarrou sua mão firme.

Um estrondo ensurdecedor, acompanhado por um grito que parecia misturar centenas de vozes humanas. O chão tremeu, as lâmpadas explodiram e uma rajada de vento atravessou o corredor.

As câmeras captaram apenas sombras, vultos e flashes de rostos que apareciam e desapareciam na escuridão.

Sarah ergueu os braços, e uma luz pálida começou a surgir ao redor de seu corpo.

— CORRAM! — gritou ela. — SAIAM DESTA ALA! AGORA!

Lo não precisou ouvir duas vezes.

— CORRE, GALERA! CÊS TÃO FOCADOS?!

Bru respondeu....

— FOCADOS EM SOBREVIVER! — berrou Bru.

Trice disparou pelo corredor, seguida por Lo e Bru. Atrás deles, as portas batiam violentamente, enquanto vozes gritavam seus nomes, embora nenhum deles tivesse se apresentado àquelas vozes.

Lo olhou para trás por um instante.

No meio da escuridão, viu Sarah parada, envolvida por uma luminosidade que parecia protegê-la de alguma coisa que avançava pelo corredor.

Uma sombra enorme surgiu atrás dela.

Sarah virou-se para enfrentá-la.

Então, a luz desapareceu.

— LO! NÃO OLHA PRA TRÁS! — gritou Trice.

Os três correram até uma porta lateral e a atravessaram, tropeçando uns nos outros.

BAM!

A porta se fechou violentamente atrás deles.

De repente, silêncio.

Eles estavam no pátio central do antigo manicômio, sob a luz cinzenta da manhã. Ao redor, as janelas da ala abandonada pareciam olhos escuros observando cada movimento.

Bru caiu de joelhos, tentando recuperar o fôlego.

— Nunca mais... nunca mais eu acompanho vocês dois em lugar nenhum!

Lo ainda segurava a câmera. Suas mãos tremiam.

Trice olhou para a porta por onde haviam escapado.

— E a Sarah?

Ninguém respondeu.

Lo conferiu a gravação.

A imagem estava cheia de interferências. O áudio continha gritos, ruídos e uma sequência de pancadas. Mas, quando ele procurou o momento em que Sarah aparecera diante deles, encontrou algo impossível.

Na gravação, os três conversavam sozinhos no corredor.

Não havia mulher alguma.

Lo ergueu lentamente os olhos para o prédio.

Atrás de uma das janelas do segundo andar, uma figura feminina permanecia imóvel.

Sarah.

Ela ergueu a mão, como se quisesse avisá-los de alguma coisa.

Então, atrás dela, dois olhos vermelhos se abriram na escuridão.

A figura de Sara desapareceu.

Lo deixou a câmera abaixar lentamente.

— Pessoal...

Bru se levantou num salto.

— O quê?! O QUE FOI AGORA?!

Lo olhou para os dois.

— Acho que a nossa investigação acabou de começar.

FIM... POR ENQUANTO.......

Thoughts

  • Gercina

    Oxente, sala com grade e argola de metal na parede, interditada há décadas e ninguém derrubou. Prédio assim a cidade prefere deixar fechado a ter que explicar.

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  • Feliciano

    A Sarah trabalhou ali e foi paciente também, e mesmo depois de morta continua no posto, mandando os outros saírem. Tem gente que não consegue largar o lugar onde passou a vida, e ela virou isso ao pé da letra.

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