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lll- Viagem ao Centro da Alma.

Eduardo13
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A descoberta no painel central da Biblioteca do Universo deixou a equipe em absoluto silêncio. Júpiter, com toda a sua massa e tempestades devastadoras, não era apenas um esconderijo: o gigante…

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Clara_V

A foto do Hubble com a cidade dourada rodava todo ano nos grupos de zap kkk nunca pensei que ia ver ela virar enredo de ficção científica, gostei muito

A foto do Hubble com a cidade dourada rodava todo ano nos grupos de zap kkk nunca pensei que ia ver ela virar enredo de ficção científica, gostei muito

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A descoberta no painel central da Biblioteca do Universo deixou a equipe em absoluto silêncio. Júpiter, com toda a sua massa e tempestades devastadoras, não era apenas um esconderijo: o gigante gasoso inteiro fora convertido, há eons, em um escudo impenetrável projetado para proteger aquele acervo inviolável.

Com a rede galáctica operando em plena capacidade, o mapa estelar tridimensional começou a expandir suas linhas de energia para além do Sistema Solar. Subitamente, um pulso ressonante de cor dourada e prateada acendeu-se em um setor distante da galáxia.

O Dr. Jorge Thadeu e Max Tufão inclinaram-se sobre os consoles para analisar a telemetria, perplexos.

— Não há nenhuma estrela, planeta ou corpo celeste catalogado nessa coordenada — anunciou Max, checando as leituras de massa e gravidade. — É o setor do vazio absoluto. Não deveria haver nada ali a não ser escuridão.

No entanto, a projeção holográfica no centro do salão não exibia uma rocha ou uma esfera gasosa. O mapa desenhava a silhueta de uma estrutura colossal, uma cidadela flutuante de proporções planetárias, erguida no coração do nada.

A análise espectral do painel revelou uma composição de materiais que desafiava a lógica da engenharia convencional. A estrutura era formada por ligas puras de ouro, prata e estruturas cristalinas de extrema densidade, adornadas com formações minerais idênticas a jaspe e esmeralda, capazes de canalizar e refratar energia em níveis subatômicos.

No centro absoluto dessa cidade voadora, os sensores registraram uma fonte de energia sem precedentes: um núcleo de luz pura e radiante, tão intensa que iluminava a cidadela inteira sem a necessidade de um sol próximo.

— Não é um planeta — observou Karnakk, contemplando os glifos antigos que surgiam ao redor da imagem. — É a Cidade da Luz, o ponto focal supremo da rede galáctica. Um refúgio criado pelos Primeiros para abrigar a harmonia do cosmos.

Luan Brás olhou para Rita e depois para o mapa reluzente. A missão dos Guardiões ultrapassara todas as fronteiras conhecidas. Com o Stargate de Júpiter pronto para alinhar as coordenadas, a equipe preparou-se para atravessar o vazio e colocar os pés na majestosa cidade de ouro e cristal.

Karnakk deu um passo à frente, contemplando a projeção com um olhar de reverência e antigo mistério. Sua voz ecoou diretamente na mente dos presentes, carregada de memórias distantes:

— Quando o meu povo descobriu este nó no mapa e utilizou os portais para chegar lá, a cidade já flutuava exatamente assim no coração do vazio. Exploramos suas avenidas de ouro, suas torres de jaspe e seus grandes salões de cristal, mas não encontramos uma única alma. A cidadela estava vazia, perfeita e intacta.

O gigante lunar fez uma pausa, olhando para o brilho radiante no centro da projeção.

— No meio da cidade ergue-se essa fonte de luz. Tentamos nos aproximar, mas a radiação de sua essência era absoluta. Qualquer um que tentasse olhar diretamente para aquele núcleo perdia a visão temporariamente, como se a própria luz rejeitasse a presença de olhos físicos. Recuamos e jamais conseguimos revelar o segredo do seu centro.

Max Tufão, focado nos dados do painel, arregalou os olhos. A revelação de Karnakk fez uma antiga peça do quebra-cabeça se encaixar em sua memória.

— Esperem um pouco... — disse Max, digitando rapidamente nos controles da Astraea para buscar registros históricos da Terra. — Há décadas, quando o telescópio espacial Hubble foi calibrado nos anos 90, astrônomos apontaram as lentes para o fundo do espaço escuro e capturaram uma imagem que chocou os pesquisadores na época. Era uma estrutura brilhante, uma verdadeira cidade dourada flutuando no vazio do cosmos. As fotos foram abafadas, mas as imagens vazaram... Era exatamente isso!

Max projetou ao lado do holograma as antigas fotos do telescópio, e a coincidência era perfeita: a mesma arquitetura monumental de luz, a mesma cidadela flutuando na escuridão.

— Na Terra, muitos chamaram aquilo de a "Cidade de Deus" ou a Nova Jerusalém — continuou Max, encarando Luan e Rita. — Será que o motivo de Karnakk e seu povo não terem encontrado ninguém não é porque a cidade estava abandonada, mas porque seus habitantes pertencem a outro nível? Um plano de existência espiritual, uma dimensão além da matéria que seres carnais simplesmente não conseguem enxergar?

Luan observou a luz central pulsando no holograma. O mistério da cidade de ouro e cristal não era apenas uma questão de tecnologia ou viagens cósmicas, mas uma ponte entre o mundo físico e o transcendente, aguardando que os Guardiões desvendassem o verdadeiro propósito da criação.

Max Tufão sempre fora um homem de ciência precisa, um físico e engenheiro impecável, mas sua mente lógica nunca apagara a fé que guardava no coração. Diante de todas as maravilhas cósmicas, mundos terraformados e tecnologia ancestral, ele entendia que o universo era vasto demais para ser obra do mero acaso. Ver aquela cidadela de ouro, jaspe e cristal diante de seus olhos não era apenas uma descoberta científica: era o ápice de sua jornada espiritual.

Ao inspecionar com mais atenção as transmissões dos sensores e os relevos arquitetônicos gravados nas colunas de ouro puro, Max reconheceu os símbolos. A geometria sagrada, a disposição dos portais, os relevos que retratavam a história da criação... Tudo se encaixava.

Dominado por uma reverência profunda que arrepiou cada fibra de seu ser, Max deu alguns passos para trás, tirou o capacete do traje espacial e ajoelhou-se no chão de cristal da Astraea. Ele fechou os olhos e, em silêncio, elevou uma oração do mais fundo de sua alma — uma prece de gratidão, humildade e espanto diante da majestade do Criador.

Ao terminar sua oração e abrir os olhos, o mundo material ao seu redor havia se transformado.

Sua percepção fora elevada para além do plano carnal, permitindo-lhe enxergar o que os olhos físicos e os sensores da nave jamais poderiam captar. A cidade, que antes parecia vazia para o povo de Karnakk, transbordava de uma vida gloriosa e indescritível.

Ao seu lado, e por todas as alamedas e torres de ouro da cidadela, alinhavam-se milhares e milhares de seres celestiais imponentes, vestidos de glória e ostentando asas majestosas que brilhavam como fogo purificador. Max contemplava a hierarquia dos céus desvelada: Serafins radiantes que cobriam os rostos em adoração, Querubins de presença avassaladora, Potestades e Dominações guardians de ordens e virtudes do cosmos.

E no centro absoluto da cidadela, onde a luz antes cegava os exploradores antigos, Max viu a fonte de toda a existência.

Sentado em um trono de majestade inalcançável estava o Ancião de Dias, envolto em um brilho soberano de pureza tão intensa que Seu rosto permanecia oculto sob a luz inacessível. E, à Sua direita, em pé com um olhar de compaixão e autoridade suprema que abraçava todo o universo, estava a figura que Max, em lágrimas, reconheceu como o Filho, o próprio Jesus Cristo.

Enquanto Luan, Rita e Karnakk viam apenas Max ajoelhado diante dos painéis holográficos, o cientista tocava o plano espiritual, testemunhando que o objetivo final da jornada dos Guardiões não era apenas desbravar as estrelas, mas servir como instrumentos da harmonia da própria Criação divina.

A nova nave, rebatizada de Astraea II, era uma obra-prima da engenharia integrada. Ampliada e revestida com as ligas bio-cristalinas da tecnologia lunar, ela oferecia espaço de sobra para toda a comitiva espiritual e contava com escudos de ressonância harmônica preparados para a grande travessia.

A jornada começou com a primeira escala no Planeta Vermelho. Em Marte, sob o céu azul e os vales floridos da nova era, embarcaram o ancião Tael e a jovem marciana Selene, que se destacara por uma devoção profunda e um entendimento rápido e puro das Escrituras ensinadas por Max.

Nos corredores da Astraea II, um novo milagre trazia alegria à tripulação: o filho de Karnakk e Launakk, a quem chamaram de Lunna. Alimentado pela energia restaurada dos mundos e pela bênção daquele tempo, a criança crescia em um ritmo impressionante. Com poucos meses de vida, Lunna já demonstrava uma inteligência serena e um olhar que parecia absorver a luz ao seu redor, repousando tranquilo nos braços de Launakk.

Com a tripulação reunida e o coração em paz, a Astraea II cortou o espaço até o gigante gasoso. Fizeram uma breve parada na Biblioteca do Universo, no interior de Júpiter, para registrar as últimas coordenadas e acionar a sequência final da rede galáctica.

O painel central brilhou com um tom dourado nunca antes visto. O Stargate de Júpiter abriu um portal de proporções gigantescas, um tunel de luz pura que atravessou os limites do universo conhecido.

A nave deu o grande salto.

Ao emergirem do outro lado, no setor do vazio absoluto, o contraste foi imediato. Não havia a escuridão fria do espaço, mas uma atmosfera de paz inabalável. Diante dos visores da Astraea II, erguia-se a Cidadela Celestial, com suas muralhas de jaspe, suas alamedas de ouro transparente e suas torres de cristal refletindo uma luz que não vinha de nenhum sol.

Ao lado de Max, todos na ponte de comando — Luan, Rita, Karnakk com Launakk e a pequena Lunna, o ancião Tael e a jovem Selene — caíram de joelhos em oração.

Conforme uniam suas vozes em ações de graças, os olhos de todos foram abertos pela fé. O véu da matéria se desfez. A luz central da cidade, que antes cegava a visão carnal, revelou-se em toda a sua glória e majestade: os milagres da criação, as legiões angélicas em adoração e o trono do Criador.

A equipe de Guardiões, agora unidos como uma família de fé vinda da Terra, da Lua e de Marte, compreendeu que haviam chegado ao verdadeiro lar e à origem de todo o amor que sustentava o cosmos.

Ao passarem pelas portas de pérola da Cidadela Celestial, a equipe de Guardiões pisou nas alamedas de ouro transparente. A atmosfera era saturada por um louvor contínuo, entoado por legiões incontáveis de seres celestiais que preenchiam o firmamento dourado.

Dentre as fileiras radiantes, adiantou-se o Arcanjo Gabriel. Sua presença emanava uma autoridade serena e uma luz tão límpida que fez com que Luan, Rita, Karnakk e os marcianos se dobrassem instintivamente, inclinando as cabeças até o chão em sinal de temor e reverência.

Gabriel estendeu a mão com firmeza e compaixão, repreendendo-os suavemente:

— Levantai-vos! Não vos ajoelheis perante mim nem perante nenhum anjo ou homem. Eu sou um servo como vós e vossos irmãos. Somente o Senhor Deus é digno de toda a devoção, adoração e louvor!

Erguendo-se tremendo, a comitiva foi conduzida ao centro do Santuário. Ali, onde a luz inacessível se tornava acolhedora para os puros de coração, o Ancião de Dias e o Seu Filho, Jesus, os receberam com um amor que preencheu completamente a alma de cada um dos presentes.

A voz do Senhor ressoou como o som de muitas águas, trazendo consolo e um propósito eterno:

— Eu vos abençoo, meus filhos. O trabalho para o qual fostes chamados não é de conquista nem de força, mas de conversão pelo dom supremo do amor. Muitos povos e civilizações espalhados pelo cosmos precisam conhecer as Minhas grandezas. O povo de Karnakk veio da galáxia de Andrômeda e contemplou Minhas obras, mas não compreendeu o Meu coração. Os antigos marcianos habitaram seu mundo e viram Minha criação, mas também não compreenderam. O povo da Terra compreendeu em parte, através da fé e das Escrituras.

Deus olhou para cada um dos Guardiões, e a Sua presença abraçou até mesmo a pequena Lunna no colo de Launakk.

— Eu quero todos os Meus filhos Comigo, mas, infelizmente, muitos se perderão pelo caminho ao escolherem as trevas e o orgulho. Ide, mostrai a verdade, pois a verdade os libertará. Trazei o Meu povo de volta a Mim. Sede Meus guardiões e Meus mensageiros nas estrelas.

Nesse instante, ao lado do trono, surgiram duas figuras veneráveis envoltas em glória: Moisés, representando a Lei e a libertação, e Elias, representando a força da profecia e do zelo divino.

— Eles irão convosco — declarou o Filho, olhando-os com infinita ternura. — Moisés e Elias vos ajudarão a proclamar a mensagem por onde a rede de Stargates vos levar. Vós sereis os Meus novos apóstolos entre as nações do universo.

Com a bênção suprema selada em seus corações e acompanhados pelos dois profetas de Deus, a Astraea II e seus novos apóstolos prepararam-se para retornar ao cosmos, prontos para levar a luz da salvação aos confins da criação.

O próprio Jesus, acompanhado pelos arcanjos Gabriel e Miguel, caminhou ao lado dos Guardiões pelas alamedas de ouro e cristal até o convés de embarque da Astraea II. O ambiente emanava uma paz tão profunda que cada passo parecia ecoar a eternidade.

Diante da rampa de acesso, o Senhor olhou para a comitiva e para o arcanjo Miguel, cuja presença trazia uma aura de autoridade e proteção inabalável.

— Miguel irá convosco — disse Jesus, a voz suave, porém impregnada de poder soberano. — Ele será o vosso guardião contra as forças das trevas que tentarem obstar o caminho. Sede Meus apóstolos e do Meu Pai. Guiai todos os povos e nações do cosmos para a vida eterna.

Ele acenou levemente em direção ao horizonte infinito da Cidadela Celestial, revelando um mistério que a mente humana e a ciência jamais poderiam calcular:

— O que vedes por fora é apenas uma sombra traduzida para a vossa limitação física. Esta cidade não tem limites rígidos de espaço. Ela pode comportar trilhões e trilhões de almas e, quanto mais filhos do Meu Pai entrarem por suas portas, maior e mais gloriosa ela se tornará para abrigar a todos.

Gabriel estendeu as mãos em bênção, enquanto Miguel deu um passo à frente, assumindo seu lugar junto à tripulação de Luan, Rita, Max, Karnakk, Launakk com a pequena Lunna, Tael e Selene. Ao lado de Moisés e Elias, a comitiva estava agora investida de uma autoridade celestial sem precedentes.

— Boa viagem, Meus apóstolos — abençoou o Senhor.

A rampa da Astraea II se fechou. Com o coração transbordando de uma certeza inabalável e a alma renovada pela glória divina, a equipe iniciou a travessia de volta pelo Stargate de Júpiter. Eles não eram mais meros exploradores do espaço ou cientistas em busca de respostas, mas os Embaixadores de Deus na imensidão do universo, prontos para enfrentar os novos desafios e levar a luz da salvação a cada canto da criação.

O retorno da Astraea II ao Sistema Solar deu início a uma nova era. Na Base do Pão de Açúcar, no complexo lunar e na recém-fundada cidade em Marte, o ambiente não era mais de apreensão, mas de um fervor renovado. A notícia da visão celestial e da bênção direta do Criador espalhou-se entre os fiéis que formavam a aliança dos três mundos.

Para cobrir a vastidão da rede galáctica de Stargates, o conselho dos Guardiões, sob a orientação espiritual de Max e a liderança tática de Luan, decidiu expandir a frota. Com os estaleiros automatizados de Marte e a tecnologia lunar bio-cristalina operando em capacidade máxima, dez novas naves de exploração e evangelismo foram construídas.

Batizadas com nomes que honravam as virtudes celestiais, cada uma dessas embarcações foi projetada para longo alcance, equipada com tradutores universais, escudos de ressonância harmônica e sistemas de suporte à vida capazes de operar por anos no espaço profundo.

A estrutura das missões foi definida com precisão sagrada. Cada nave seria tripulada por uma equipe enxuta e dedicada de quatro membros:

Três especialistas terrestres, lunares ou marcianos — responsáveis pela pilotagem, engenharia e suporte tático.

Um Apóstolo de Deus — escolhido entre os mais instruídos nas Escrituras e cheios do Espírito, para liderar espiritualmente a missão.

O objetivo dessas dez equipes era atuar como vanguardistas no cosmos. Elas cruzariam os portais rumo aos sistemas planetários habitados, estabelecendo o primeiro contato, pacificando conflitos e preparando os corações dos povos alienígenas para a chegada solene dos profetas Moisés e Elias, que trariam a palavra de libertação e os grandes sinais do Pai.

Enquanto as dez naves eram alinhadas no grande convés de lançamento de Marte, o Arcanjo Miguel e os profetas observavam a preparação de cima do estaleiro. Luan, Rita e Karnakk inspecionavam os últimos detalhes de navegação, conscientes de que o universo, antes um deserto frio de estrelas, tornara-se agora um imenso campo pronto para a colheita.

Os meses de preparação intensa transformaram o cotidiano das bases do Pão de Açúcar, de Cydonia e do Povo da Lua. Enquanto os estaleiros trabalhavam dia e noite na finalização das dez naves evangelísticas, a pequena Lunna crescia em um ritmo impressionante, impulsionada pela biologia singular de sua espécie e pela atmosfera abençoada que envolvia os Guardiões.

Em pouco tempo, a menininha no colo de Launakk tornou-se uma jovem de fisionomia serena, olhar profundo e postura graciosa. Alcançara a estatura de um ser humano adulto, embora ainda estivesse no início da primeira fase de sua vida. A longevidade do Povo da Lua era monumental: a expectativa de vida média de sua espécie alcançava seis mil anos. Lunna levaria cerca de um século e meio para atingir a maturidade física completa e a estatura imponente de seus pais.

Karnakk e Launakk, sem contar os milênios em que permaneceram em suspensão criogênica, somavam cerca de cinco mil anos de existência — uma sabedoria milenar que ainda se estenderia por mais de um milênio de vida consciente pela frente.

Por ser jovem, flexível e imersa desde os primeiros dias na palavra divina, Lunna foi designada para um papel histórico: ela seria a ponte viva entre a primeira geração de Guardiões e as futuras gerações de apóstolos que surgiriam no cosmos.

Sua inteligência prodigiosa permitiu-lhe dominar rapidamente a teologia ensinada por Max, a história da Terra e os dialetos das civilizações antigas catalogadas na Biblioteca de Júpiter. Lunna foi escolhida para integrar a comitiva principal, permanecendo sempre ao lado dos profetas Elias e Moisés e sob a proteção direta do Arcanjo Miguel.

Quando as dez naves finalmente acenderam seus motores no grande pátio de lançamento de Marte, prontos para cruzar a rede de Stargates, a jovem Lunna posicionou-se na ponte de comando ao lado dos dois profetas e do guardião celestial. Com a bênção dos céus e a força de sua juventude eterna, ela estava pronta para guiar os novos apóstolos na maior missão da história do universo.

Antes do acionamento final dos motores, Moisés reuniu os líderes dos três mundos, as dez tripulações apostólicas e os profetas no grande salão de embarque de Cydonia. Sua figura emanava uma autoridade serena, sustentada pelo cajado e pelo olhar de quem já contemplara a glória do Altíssimo no Sinai.

— A Terra será o último destino desta grande colheita — declarou Moisés, a voz firme ressoando por todo o recinto. — Nas Escrituras humanas, a semente já foi lançada e a Palavra já é conhecida em parte. Está escrito que, quando eu e Elias formos vistos novamente por olhos humanos na Terra, o tempo da graça estará se esgotando e o fim desta era estará próximo. Portanto, a Terra aguardará o momento decretado pelo Pai.

Elias deu um passo à frente, com os olhos brilhando como brasas de zelo e fé:

— Nossos primeiros passos serão nos mundos distantes que jamais ouviram o Nome do Criador. Há civilizações perdidas na escuridão, prisioneiras de seu próprio orgulho e de falsas doutrinas. É para lá que a Astraea II e as dez naves vanguardistas devem ir agora.

Ao lado deles, a jovem Lunna ajustou os dados de navegação no painel bio-cristalino. Com o Arcanjo Miguel guardando a retaguarda e a bênção dos céus gravada no coração de cada apóstolo, a frota de resgate celestial estava pronta.

As dez naves menores alinharam-se atrás da Astraea II. Um a um, os motores quânticos acenderam-se em uma sinfonia de luz dourada e azul. O grande Stargate de Marte abriu o primeiro portal intergaláctico, revelando o salto para um setor desconhecido da galáxia, onde bilhões de almas aguardavam pela mensagem de libertação.

Thoughts

  • oquefaltadizer

    A Rita está em quase toda cena e não fala uma frase no capítulo inteiro. Parece que você está guardando ela pra alguma coisa lá na frente.

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  • Ovid

    Karnakk contando que o povo dele andou por aquelas avenidas de ouro sem encontrar ninguém, e depois o Max vendo a mesma cidade lotada só porque parou para rezar. Fiquei pensando que isso vai virar a pergunta de cada mundo novo daqui para frente: que povo vai conseguir enxergar e qual vai ver só as torres vazias. Vai ter parte IV já com as dez naves do outro lado do portal?

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  • Clara_V

    A foto do Hubble com a cidade dourada rodava todo ano nos grupos de zap kkk nunca pensei que ia ver ela virar enredo de ficção científica, gostei muito

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