Os errados agora eram um casal. E, sem qualquer modéstia, talvez fossem o casal mais completo de todo aquele campus.
Certo dia, ela o convidou para conhecer sua casa. Não sentiu culpa. O ex-marido mal permanecia ali: passava, no máximo, dois dias por semana e, geralmente, apenas para dormir.
Ele foi.
Naquela tarde, a distância entre os dois deixou de existir. Entregaram-se ao sentimento que já não conseguiam esconder de si mesmos. Foi intenso, apaixonado e, por alguns instantes, o mundo pareceu pequeno demais para comportar aquilo que sentiam.
Até que um pensamento atravessou a mente dela como um raio:
“Meu ex é violento. Ele pode estar em risco.”
O medo tomou conta de seu rosto. Com pesar, pediu que ele fosse embora.
Ele compreendeu e partiu.
Quando ficou sozinha, porém, outro pensamento começou a atormentá-la:
“Aquele homem não vai mais dormir nesta cama.”
Era como se, naquele instante, ela tivesse percebido que alguma coisa havia mudado definitivamente.
Chegou o domingo, Dia dos Pais. O ex-marido, que ainda não aceitava de fato o pedido de separação, quis sair para beber. Ela o confrontou:
— É Dia dos Pais. Você vai ficar com seu filho. Eu vou encontrar a pessoa que amo.
Ele respondeu com desprezo:
— Quem te quer, mulher? Você não tem emprego, ainda tem filho... Esse teatro já deu.
Ela não discutiu.
Mesmo assim, saiu para encontrar o rapaz genial que havia entrado em sua vida.
E, como tantas outras vezes, era dentro do carro que a intimidade entre os dois encontrava seu território mais secreto. Ali, longe dos olhos do campus e das regras que deveriam separá-los, eles se permitiam simplesmente existir como casal.
Enquanto estavam juntos, o ex-marido decidiu investigar se aquilo que ela dizia era realmente verdade.
E descobriu.
Finalmente, percebeu que ela estava amando outro homem.
A reação não nasceu exatamente do ciúme. Nasceu do ego ferido, da sensação de perda e, sobretudo, da incapacidade de aceitar que aquela mulher já não se considerava sua.
A mulher bonita e inteligente que ele gostava de exibir como um troféu estava, finalmente, indo embora.
Ele ficou na garagem, esperando.
Dessa vez, queria confrontar o homem que havia conquistado a atenção dela.
Já tinha ouvido o carro chegar. Sabia que ela estava acompanhada.
Mas havia algo que ainda o fazia acreditar que aquilo não poderia ser verdadeiro: em sua arrogância, tinha se convencido de que aquela mulher era incapaz de ser verdadeiramente amada.
Naquela noite, porém, ele estava prestes a descobrir que estava completamente errado.