Era mais um dia de se encontrarem.
No campus, entre o movimento dos estudantes, o barulho das conversas e a pressa de quem atravessava os corredores, os dois encontravam pequenos momentos que pareciam pertencer somente a eles. Havia algo de secreto naqueles encontros, uma espécie de encanto que precisava existir longe dos olhos dos outros.
Naquele dia, porém, ele precisou trocar o carro. Sem transformar aquilo em um problema, sem explicar demais ou demonstrar qualquer preocupação, apenas disse que a levaria até sua casa.
Ela entrou no carro.
Quando chegaram, havia um homem parado à frente da casa. Ela o reconheceu como o pai dele e, por um instante, sentiu o coração apertar. Pensou que aquilo pudesse ser um problema. Talvez fosse melhor ir embora, talvez ele precisasse inventar alguma desculpa para explicar sua presença ali.
Mas ele não hesitou.
Saiu do carro, aproximou-se do pai e, com a naturalidade de quem não tinha nada a esconder, disse apenas o nome dela.
Só o nome.
Ela o olhou, surpresa.
Naquele instante, alguma coisa mudou dentro dela. Depois de tantos encontros escondidos, de tantas palavras ditas em voz baixa e de tantos momentos vividos como se precisassem desaparecer assim que terminassem, ela finalmente sentiu que não estava sendo tratada como um segredo sem importância.
Ele poderia tê-la escondido.
Poderia ter inventado uma desculpa.
Mas não fez isso.
Apresentou-a ao pai.
E, para ela, aquele simples gesto carregava um significado enorme. Pela primeira vez, sentiu-se como alguém que tinha um lugar na vida dele. Não como uma distração, não como alguém que ele procurava apenas quando ninguém estava olhando, mas como uma pessoa que merecia ser apresentada.
O pai os observou por alguns segundos. Então perguntou, com a simplicidade de quem fazia uma pergunta qualquer:
— Vocês estão namorando?
Ela sentiu o mundo parar por um instante.
Olhou para ele. Havia tantas coisas que gostaria de dizer, tantos sonhos que guardara em silêncio, tantas vezes em que imaginara ouvir aquelas palavras.
Mas tudo o que conseguiu responder foi:
— Como eu queria isso...