Durante todo aquele dia, ela se preparou como quem se prepara para uma espécie de reencontro com o próprio passado. Hidratou os cabelos, cuidou demoradamente da pele, escolheu o melhor perfume e, entre tantas pequenas escolhas, separou um edredom grande, bonito e macio, grande o bastante para abrigar os dois durante a noite inteira.
Treze anos haviam passado desde que aquele desejo existira apenas como uma possibilidade impossível. Naquela época, ela era casada. Havia sentimentos que precisavam permanecer escondidos, noites que jamais poderiam acontecer, como por exemplo dormir juntos, uma intimidade que os dois precisaram adiar.
Agora, finalmente, estavam juntos outra vez.
Foram para um motel, mas aquela noite tinha uma diferença fundamental: não havia relógio correndo contra eles, nem um horário marcado para terminar. Não seria uma passagem rápida. Seria uma noite. Uma noite inteira compartilhada.
Beberam, conversaram, ouviram música e se entregaram à intimidade que haviam imaginado tantas vezes. Entre beijos, risadas, silêncio e proximidade, o tempo perdeu importância. Pela primeira vez, não precisavam pensar no instante em que deveriam partir.
Depois, vencido pelo cansaço, ele adormeceu.
Ela não conseguiu dormir.
Durante horas, permaneceu ao lado dele, contemplando aquele rosto que conhecia e, ao mesmo tempo, parecia descobrir pela primeira vez. Beijou delicadamente suas costas, observou sua respiração tranquila e aproximou o rosto de seu pescoço para sentir seu cheiro. E então percebeu algo que a enterneceu: mesmo dormindo, ele ainda se arrepiava com o toque dela.
Ela sorriu em silêncio.
Naquela fase da vida, vinha tentando reconstruir sua espiritualidade. E havia adquirido o hábito de orar antes de dormir. Naquela noite, porém, sua oração tinha um motivo diferente. Agradeceu a Deus por estar ali, por aquela noite inesperada, por finalmente poder dormir ao lado do homem que considerava o amor de sua vida.
Não agradeceu apenas pela intimidade.
Agradeceu pelo direito de simplesmente permanecer.
Quando amanheceu, veio a realidade: ele precisava chegar ao trabalho às sete horas. O café da manhã, porém, demorava a chegar, e cada minuto parecia aumentar a ansiedade dela.
Quando finalmente chegou, ela ficou nervosa.
Era uma situação aparentemente simples, mas carregava um significado enorme: era a primeira vez que os dois faziam uma refeição juntos como casal. Depois de tantos anos, depois de tantas impossibilidades, estavam ali diante de uma mesa, dividindo café da manhã.
O nervosismo foi tamanho que ela chegou a se engasgar.
Ele provavelmente achou graça. Ela, naquele instante, só conseguia sentir o coração acelerado.
Mas aquele dia não era importante apenas porque, depois de treze anos, eles finalmente haviam dormido juntos.
Havia algo ainda mais curioso acontecendo dentro dela.
Seu relógio biológico estava completamente desorganizado. Costumava permanecer acordada durante a noite e dormir durante o dia. A madrugada havia se tornado seu horário de existência, enquanto as manhãs passavam despercebidas.
Depois daquela noite, alguma coisa mudou.
A partir dali, começou a dormir durante as noites e a acordar para aproveitar as manhãs.
Talvez fosse coincidência. Talvez fosse apenas o organismo encontrando novamente um ritmo.
Mas, para ela, havia uma poesia particular naquela mudança.
Durante treze anos, aquele homem tinha sido uma lembrança de algo que não pôde viver.
E, depois de uma única noite, ele também se tornou parte de uma manhã.
Pela primeira vez, não era apenas o amor de uma história interrompida.
Era alguém com quem ela havia dormido, acordado, tomado café e começado um novo dia.