Pular para o conteúdo
Carregando…

Bônus: O gênio era sensível e muito humano.

Dorand2026
Pública 0 conversa 1 pensamento 8 votos positivos 0 voto negativo 1 série

Depois de provocá-lo durante algumas horas, como ela adorava fazer, percebeu que ele finalmente havia cedido. Ele foi até ela. A intimidade daquele dia superou todas as outras, mas não foi isso que…

Em séries

Conteúdo da publicação

Depois de provocá-lo durante algumas horas, como ela adorava fazer, percebeu que ele finalmente havia cedido. Ele foi até ela. A intimidade daquele dia superou todas as outras, mas não foi isso que marcou aquela noite.

Após a intimidade concluída, a conversa começou leve, como tantas outras entre os dois. Falaram de coisas diversas, lembranças, acontecimentos, pessoas, detalhes da vida. Mas, naquela madrugada, alguma coisa era diferente.

Pela primeira vez, ele começou a falar de si.

Contou como havia sofrido com o rompimento dos tantos anos antes. Falou daquilo que sentira e das marcas que aquela separação deixara nele. Ela o escutava em silêncio, descobrindo que, por trás daquele homem que sempre parecia tão seguro, havia uma história de dor que ela jamais conhecera completamente.

Sentiu arrependimento.

Talvez tivesse sido orgulhosa demais. Talvez tivesse deixado que o orgulho dissesse coisas que o coração nunca teria dito.

Então ele falou sobre o casamento.

Ela ouviu atentamente e, em determinado momento, pediu desculpas. Durante muito tempo carregara dentro de si a ideia de que aquele casamento havia terminado por causa de uma ligação que ela fizera no Natal. Em sua cabeça, aquele telefonema tinha sido uma espécie de interferência numa história que deveria ter seguido outro caminho.

Mas agora estava ouvindo a versão dele.

No passado, e até aquele momento, as conversas entre os dois quase sempre haviam girado em torno de assuntos diversos. Ciência, acontecimentos, lembranças, vida cotidiana. Falavam sobre quase tudo, menos sobre aquilo que realmente carregavam dentro de si.

Naquela madrugada, isso mudou.

Pela primeira vez, ela ouviu um desabafo verdadeiro.

Ele falou da frustração, da tristeza e do fim de seu casamento com outra mulher. Não havia naquela voz apenas fatos; havia sentimentos que ele havia guardado durante muito tempo.

Ela olhou para ele e percebeu algo que nunca tinha visto antes.

Tristeza.

Uma tristeza tão profunda que parecia chegar aos olhos antes mesmo das palavras.

E então surgiu nela um sentimento estranho, quase doloroso de admitir.

Sabendo que tipo de marido ele havia sido, ela sentiu inveja daquela mulher. Não porque desejasse o casamento que ele tivera, mas porque, quando ela mesma vivia ao lado de um marido cruel, desejara tantas vezes ter encontrado alguém que a tratasse com o cuidado que imaginava que ele seria capaz de oferecer.

Pensou que gostaria de ter recebido dele aquilo que outra mulher recebera.

Ela tinha muito para dizer.

Tinha perguntas, lembranças, arrependimentos e uma história inteira que poderia ter colocado sobre aquela mesa. Mas escolheu escutá-lo.

E permaneceu ouvindo pela madrugada inteira.

Aos poucos, compreendeu o que realmente o havia magoado. Percebeu que algumas feridas não tinham desaparecido com os treze anos; apenas haviam aprendido a permanecer em silêncio.

Quando finalmente chegou a hora de ele ir para casa, ela se levantou e o abraçou.

Não foi um abraço de despedida qualquer.

Ela o abraçou com todo o amor que ainda carregava por ele, sem precisar transformar aquele sentimento em palavras.

Depois que ele partiu, ela entrou no quarto.

Sentou-se na cama, pegou o celular e abriu a foto de perfil dele. Ficou olhando para aquele rosto durante alguns segundos.

Então falou baixinho, como se ele pudesse ouvi-la através da tela:

“Enquanto vida eu tiver, jamais vou usar suas fraquezas contra você.”

E, naquela noite, talvez pela primeira vez em treze anos, ela compreendeu que amar alguém também podia significar receber suas partes mais vulneráveis e escolher tratá-las com cuidado. Para ela fazer isso não seria uma obrigação e, sim uma escolha voluntária movida pelo amor e admiração.

Thoughts

  • fioAtras

    O marido cruel dela aparece numa frase e some de novo, como nos outros Bônus. Ela segurou a própria história a madrugada inteira pra ouvir a dele, e aposto que essa ainda vai ganhar um capítulo só dela.

    Permalink

Related posts

  • Bônus: Treze anos depois o reencontro.

    Aquela era a sua nova casa. Ainda havia caixas por abrir, pequenos detalhes por organizar, mas ela já reconhecia naquele lugar uma espécie de refúgio. Foi ali que, treze anos depois, ele apareceu…

  • Bônus: Hoje.

    No começo da reaproximação, ele foi claro: não queria um relacionamento sério. Havia desejo, havia saudade, havia aquela familiaridade estranha de quem um dia se amou e agora tentava descobrir o que…

  • Bônus: Quando dormiram juntos a primeira vez.

    Durante todo aquele dia, ela se preparou como quem se prepara para uma espécie de reencontro com o próprio passado. Hidratou os cabelos, cuidou demoradamente da pele, escolheu o melhor perfume e,…

  • Bônus: Quando os donos saem os gatos fazem a festa.

    Era dia de se amarem com a intimidade que apenas os encontros proibidos pareciam saber oferecer. Na expectativa, misturavam-se a ansiedade, a cumplicidade e um desejo contido por tempo demais.

  • Bônus: Quando ela conheceu o pai do gênio.

    Era mais um dia de se encontrarem.

  • Bônus: Os encontros.

    O conto a seguir vai narrar a primeira aventura da intimidade real dos errados.

  • VI.

    Treze anos se passaram.

  • V.

    A mulher genial murchou. Perdeu completamente o interesse em continuar frequentando aquele campus. Por mais que, agora, o marido investisse em sua carreira e tentasse apoiá-la, aquele lugar já não…