A mulher genial murchou. Perdeu completamente o interesse em continuar frequentando aquele campus. Por mais que, agora, o marido investisse em sua carreira e tentasse apoiá-la, aquele lugar já não significava nada para ela.
Os anos foram passando, e aquele casamento de conveniência parecia ser a única coisa que restava.
Dois anos depois de seu romance proibido, aconteceu algo inesperado: o marido, que até então mantinha com ela apenas uma união informal, pediu-a em casamento de verdade. Aquilo provocou nela uma pequena injeção de alegria. Pela primeira vez em muito tempo, pensou:
— Talvez eu possa amá-lo.
Ele havia mudado. Tornara-se um homem mais culto, humilde, articulado. Sua oratória era outra. Além disso, preocupava-se genuinamente em apoiar a carreira dela e estimular suas pesquisas acadêmicas. Aos poucos, ela percebeu que aquele homem que antes parecia apenas uma conveniência poderia, talvez, tornar-se alguém que ela realmente amasse.
Mas havia algo dentro dela que ainda não estava resolvido.
Certo dia, criou um novo perfil em uma rede social e adicionou o gênio. Queria apenas testar o que ainda sentia.
Quando viu a fotografia dele, uma raiva inexplicável tomou conta dela.
Ela perdeu o controle e quebrou o espelho do quarto.
Depois ficou olhando para os próprios cacos, assustada.
— Por que eu fiz isso? Eu sou uma pessoa mansa...
Aquilo foi apenas o começo.
Uma doença avançava silenciosamente e, conforme ela se agravava, transformava sua maneira de sentir, pensar e reagir. Aos poucos, ela abriu mão do casamento e também da carreira acadêmica. A mulher que antes sonhava com pesquisas e descobertas passou a dedicar-se à casa, à música e às noites nos bares.
Foi justamente em um desses bares que, anos depois, o destino colocou os dois novamente no mesmo lugar.
O evento estava lotado. Ele trabalhava como fotógrafo.
Quando ela o viu, cumprimentou-o. Foi educada, porém fria. Não queria demonstrar absolutamente nada.
Depois foi embora.
O que ela não sabia era que ele também havia ido embora.
Naquela noite, separados por poucos minutos e por anos de histórias mal resolvidas, os dois pensaram praticamente a mesma coisa:
“Acabou a minha festa.”
Algum tempo depois, durante uma de suas noites de bebedeira, ela encontrou um amigo dele. Era alguém que os dois conheciam e que, no passado, frequentava a casa deles.
Conversaram.
Em determinado momento, o amigo contou algo que ela jamais imaginara ouvir.
Disse que o gênio havia sofrido muito depois que ela foi embora. Tivera dias infernais, chorara, isolara-se e demorara muito para se recuperar.
Ela ficou surpresa.
— Mas, para ele, tudo aquilo foi uma aventura. Ele não teve coragem.
O amigo respondeu:
— Não foi assim. Ele deixou muito claro para mim: “Quando ela se resolver, me procure.”
Ela ficou em silêncio.
Não se lembrava daquela frase.
Talvez ele realmente tivesse dito. Talvez ela simplesmente não tivesse conseguido absorver aquilo naquela época. Estava tomada pelo ressentimento, pela raiva e pela confusão daquela despedida.
Mas agora a frase voltava para ela, anos depois, com outro significado.
“Quando você se resolver, me procure.”
Ela percebeu que talvez tivesse passado anos acreditando que fora abandonada por alguém que, na verdade, também havia sofrido.
E, pela primeira vez, sua memória daquela história começou a mudar.
Talvez eles não tivessem vivido uma aventura.
Talvez tivessem vivido um amor que nenhum dos dois soube sustentar. #romanceviral