O rio guarda memórias,
do que já vivenciou.
Uma breve lembrança.
Estagnada. Marcada. Entrelaçada.
Onde suas águas abraçaram,
rompendo-se.
E naquele breve momento
no compasso do tempo
um afago fugaz,
se dispersou.
No escuro. Camuflada.
Permanece.
Correndo. Correndo.
Seguindo seu curso.
Areia. Pedras. Folhas.
Galhos e pétalas desbotadas.
Restos de uma primavera
que já adormeceu.
Emaranhados em suas águas.
Como quem orgulhosamente
abraça seus amores
e recolhe seus desamores.
E por fim, toma-os para si.
Em um embalo os acalenta
tal qual uma contradição sem fim! Certo. Errado.
Apenas incertezas.
Costurando suas marcas e amarras.
Fluindo rápido.
Estático. Devagar.
Muda de curso, transforma-se.
Tem o seu tempo, seu fôlego para respirar.
Ao transbordar, se renova.
E por muitas vezes o que é visto
é o avesso desavessado.
O profundo está oculto.
Resguardado. Vulnerável.
O coração está submerso.
Intocado. Translúcido. Frágil.
Para enxergar, é preciso se jogar.
Mergulhar no silêncio e se perder
talvez, para se encontrar.
E por fim...
Depois de uma longa busca.
Acordar para a sua verdade.
Um único respirar...
Na imensidão.
No silêncio.
Reverberando...