Amor e felicidade são dois temas que brilham aos olhos, sem que os possamos conceber com exatidão. A marca que a linguagem imprime na alma é capaz de coisas assim, inexplicáveis. Assim como também é inexplicável o amar. Amar exige, antes de mais nada, maturidade.
Pois falar de amor em uma cultura como a nossa, de novelas e suas intrigas, pode nos fazer confundir as coisas. Somos, desde jovens, inspirados por histórias com final feliz, e assim vai se pintando o amor. A maturidade ensina que o final feliz é apenas o primeiro passo de uma vida inteira, ou ao menos assim se espera.
Contentar-se com o final feliz é muito pouco para o tamanho que damos ao amor.
Reduzir as histórias de amor ao final feliz é lembrar do quanto a roda do amor gira. Por muitas vezes amamos alguém que amava outra pessoa, que não a amava, amando uma terceira, que talvez nos amasse. Que voltas o amor dá, assim como a vida.
Tentar enquadrar o amor em uma definição é um exercício pobre, e parece ficar sempre uma ponta sobrando. É como dizemos, brincando, sobre a matemática: “se estiver fácil demais, é porque está errado”. Porém, o amor não poderia ser algo complicado e difícil, destinado a alguns poucos, como por vezes parecem ditar.
O falar sobre o amor é também atravessado pela religião. Há faixas de amor: eros, filos, Ágape...
Amar alguém pode esconder uma carência. Dizer que não se vive sem determinada pessoa pode ser o anseio de domínio. Falar em amor esconde tantas coisas. Amar pode ser nada além do que idealizar o outro, a tal ponto de nos desconstruirmos para caber no espaço dele. São tantas camadas.
E só a experiência dos encontros e desencontros pode clarear a realidade de cada história que vivemos, em verdade. Cabe a nós elaborar o que se vive no momento, a sua dimensão e o que ele representa para nós em nossa história.
Existem mundos por trás do que julgamos convicções. Somos guiados por experiências que não retornam com as mesmas palavras. Podemos repetir escolhas erradas, padrões disfuncionais, gozar no sofrimento de rupturas, e dar a isso o nome de amor.
Por isso, falar de amor requer maturidade. Falar de amor requer estar resolvido com a sua história. Amar parece pertencer a um processo contínuo de autoconhecimento e auto perdão, sem lamentações e remorsos.
Não se pode escrever sobre amor e satisfazer-se, pois teorizar o sentimento é viver incompleto e incompreendido. Teoria alguma conseguirá definir ou encerrar o assunto.
Apesar de o amor, por muitas vezes e para muitos, esfriar e morrer.