A esperança não me é um dom,
a certeza nem de longe o é.
Nessa idade de saudades, que o tempo me dará o nó!
Enquanto suspiro um ideal de vida,
na vida minha vou caminhando só,
e de dissabores chorosos e dó,
encontro até quem me dê guarida.
Quando em meu peito minha alma cessa,
e os encantos mil nela encerra,
vou buscar em mim, toda a grandeza,
pois que é rica e farta minha tristeza!
Vou passando por entre o fogo,
da adolescência-menino à maior idade,
vou correndo de um lado ao outro,
querendo cá comigo só sentir saudades!
Oh... se eu soubesse como é viver,
bem podia ser feliz, talvez...
no entanto, que querer fazer,
se só o tempo me dará a vez!
Se aos sessenta chegar um dia,
saberei por certo, ironizar o tempo,
e me rirei do meu tabor e fim,
ao ver os meus dias, dormitarem lentos!
Creio que morrerei na fantasia,
de um dia qualquer de Carnaval,
nos abraços repletos de alegrias,
no instante medonho de um sorriso final !