Conversar com você é caminhar
pelas mais belas bibliotecas, onde cada
palavra repousa em silêncio à espera de ser descoberta.
Sua voz possui algo das sinfonias antigas,
dessas que atravessam os séculos e ainda
encontram um lugar para morar dentro de nós.
Ver você é como encontrar uma cor
desconhecida, uma tonalidade que não existe nos nomes do mundo, mas que, ainda assim, reconheço como bela.
Você é a pintura que procurei criar durante anos, aquela que imaginei inúmeras vezes, mas diante da tela nunca soube por onde começar.
Nos pensamentos tudo parece simples.
As frases encontram seus caminhos,
os sentimentos possuem forma, e o coração fala uma língua que entende a si mesma.
Mas quando tento trazer tudo para a luz, o medo aparece.
Não quero ser vista. Não quero ser conhecida. Não quero ser compreendida por inteiro.
Porque sinto que, ao me aproximar,
não lhe entrego um espelho intacto, mas
apenas os seus fragmentos.
E tudo o que tenho a oferecer são cacos que ainda refletem alguma luz.
Talvez seja isso que me entristeça.
A vida me preparou para a perda,
para o silêncio, para a distância,
para sobreviver às tempestades.
Mas não me preparou para isto.
Não me preparou para o amor.