Da incapacidade de evitar-te como sua poetisa
Tentei calar no peito o teu sentido,
Mudar de rumo e vacilar no chão,
Guardar a voz em pura negação,
Mas em cada intenção já fui vencido.
Por que passei tanto tempo escondido,
Negando a escrita que da minha mão
Pedia o teu olhar, a tua ação,
Em vez do meu silêncio empedernido?
O que buscava ao recusar o papel,
Tentando em vão fugir do teu amor,
Se o não te reescrever trazia o fim...?
Volto à página, aceito o meu papel,
Desisto de lutar contra esta dor:
Pois como não cantar-te dentro de mim...?