Nossa existência - finita, frágil, inerte - aflige meu puro amor
Se o sopro da existência se interrompe,
E a morte nos arranca desse abraço,
Que resta do amor que eu no peito faço,
Quando o destino a nossa vida rompe?
Se o chão da terra o nosso corpo esconde,
E o tempo apaga o ritmo do passo,
Como encarar o assustador espaço
Da ausência que em silêncio me responde?
Não temo a dor de me tornar poeira,
Nem de mudar de forma ou de sentido,
Pois ser o menor ser não traz perigo;
E se a morte vier, num golpe frio,
Desfazer nosso abraço sem aviso...
Que faço eu da vida e deste vazio...?