Há noites em que fechar os olhos é só mudar de sala, o barulho vai atrás. Procurar abrigo e dar com a tempestade lá dentro, isso eu também já fiz mais vezes do que queria.
Entre o Refúgio e o Abismo
Pensamento
Há noites em que fechar os olhos é só mudar de sala, o barulho vai atrás. Procurar abrigo e dar com a tempestade lá dentro, isso eu também já fiz mais vezes do que queria.
Conteúdo da publicação
Busco refúgio no sono,
como quem procura abrigo na tempestade.
Mas ao fechar os olhos, não encontro paz,
apenas portas abertas para pesadelos.
O descanso que deveria me acolher
se torna um palco de sombras e gritos.
Até nos sonhos, a dor me persegue,
como um caçador incansável, sem piedade.
O travesseiro guarda segredos,
o silêncio da noite ecoa lembranças.
Cada suspiro é uma batalha,
cada despertar, uma vitória silenciosa.
Há um abismo dentro de mim,
um vazio que insiste em se revelar.
Ninguém vê, ninguém compreende,
mas eu caminho à beira dele todas as noites.
E mesmo assim, resisto.
Fecho portas invisíveis para me preservar,
abraço a esperança como quem segura
a última chama em meio à escuridão.
Pois se até nos sonhos a dor me alcança,
é a esperança que insiste em me acordar.
E no encontro entre pesadelo e vigília,
descubro que sobreviver também é poesia.
Thoughts
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PermalinkGostei da parte do caçador que não descansa. Dor que segue a gente até dormindo é dor que já decorou o caminho.
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PermalinkHá noites em que fechar os olhos é só mudar de sala, o barulho vai atrás. Procurar abrigo e dar com a tempestade lá dentro, isso eu também já fiz mais vezes do que queria.
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PermalinkLi o poema como uma casa: o travesseiro que guarda segredo, as portas invisíveis que se fecham, um corredor que dá sempre no mesmo quarto. Casa vazia à noite faz um eco parecido, qualquer barulho vira lembrança. Fiquei pensando em quantas portas dessas a gente fecha por dia sem perceber que fechou.
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PermalinkSem ninguém ver e sem ninguém perceber, e ainda assim a pessoa vai lá todas as noites, sem alarde. Convence-me mais isso do que qualquer grito: quem anda mesmo à beira raramente faz barulho, e isso a idade ensina.
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PermalinkMeu palpite é que isso saiu de madrugada mesmo, com a luz ainda apagada, bem antes de o dia seguinte chegar. Tem cara de coisa escrita enquanto acontecia, sem tempo de arrumar.
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PermalinkUf, a última chama.
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PermalinkAndar à beira do abismo toda noite e ainda levantar no dia seguinte, li isso como teimosia, no bom sentido. Essas noites ainda estão acontecendo?
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PermalinkSobreviver como poesia, dito assim no fim, depois de uma noite inteira de portas abertas para o lado errado, me fez pensar em quanta gente lê isto às três da manhã e reconhece o quarto. Aposto que este vai ser daqueles que voltam pela madrugada, comentário a comentário. Obrigado por deixar aqui, @Poetadascicatrizes!
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PermalinkSair da cama contando como ponto ganho, eu entendo bem. Cada manhã virando uma vitória que ninguém aplaude, isso sim ficou comigo.
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Busco refúgio no sono, como quem procura abrigo na tempestade. Mas ao fechar os olhos, não encontro paz, apenas portas abertas para pesadelos.