Essas pessoas
Que há tempos se foram,
As vezes dão notícias
No retrovisor.
O ruído do rádio,
O cheiro do sábado
E a energia, que me tirava às pressas de meu cobertor.
A curiosidade
Com um abraço era como portal,
De realidade a fantasia,
Não importava,
Tão análogo, tão igual.
Cada piada não demonstrava garras,
Era na algazarra
Que eu mostrava as caras.
E as cartas, brincadeiras, palhaçadas,
Corriam sem rumo a meninada
Trazendo alegria e gargalhada.
Minha casa era ilha
E eu explorava o mar.
O arco-írisse se escondia
Em bolhas de sabão,
Alguém me dava a mão
E me convidava a dançar.
Dentro de minha jaula agora,
Penso no céu de outrora.
Pela pequena janela
Não enxergo bem a aurora.
O sol cobre as esperanças
Com seu calor escaldante.
Tanta estrada a frente...
Avante, avante!
Sem olhar para traz...
Oque já foi, será nunca mais...