Por tanto tempo te procurei que cheguei no fim da minha vida correndo.
Nesta vida minhas pernas vivem cansadas ainda tão jovem. É memória muscular de quem correu séculos atrás de quem nunca parou para que eu sequer pudesse alcançar.
Tentei por séculos te ganhar com o amor que eu dava. Só me machuquei mais.
Desta vez vim sem paciência e fria, fria de quem já doou tanto sangue que não restou uma gota na veia e o corpo esfriou, e fiquei com dores de vidas passadas.
Minhas palavras de amor iam a cavalo até você, mas até os cavalos se perdiam no caminho. Você nunca esteve esperando.
Em outras épocas, eu nem existia pra mim. Enquanto você não perdia um carnaval sequer.