Certamente seus pés estavam cansados de tanto serem mexidos, a caminhada é pior que a chegada. Sua vista para o lago o mostrava que apesar da agitação às águas caminhavam para o encontro com o mar, sua andança também chegava ao fim, mas…
Será que o fim lhe agradaria? - afinal os fins nem sempre são bons -, dizem que a natureza antecipa os acontecimentos e as árvores pareciam ir mais rápido como se quisessem presenciar o encontro entre essas almas. Após virar à direita, ela estava de costas para o lago, seus dedos estavam inquietos, a xícara estava ficando tonta de tanto ser girada sob a mesa.
– Oi, desculpe pelo atraso - pensou em dizer.
– Sem problemas, imaginei que você não viria - era a frase que passava na mente dela.
Nada além de cumprimentos e desculpas. Ele não notou que o cabelo dela estava mais curto e que usava uma flor nele, a jasmine que foi arrancada no caminho era muito bela, sua brancura contrastava com o brilho de seus cabelos negros e pele morena, a flor terá morrido sem sentido, caso ele não a elogie.
Pensando melhor, decidiu não ir até a mesa, talvez não fosse a melhor escolha, ainda encarou-a por alguns segundos. Na mesa, a paixão se inquietava cada vez mais, a xícara pedia que parasse com os movimentos circulares, porém até ela já estava ficando impaciente.
- Será que aconteceu algo?
Aconteceu que a juventude é ingênua e, por isso, não sabe muito o que fazer. Nem o que escolher, sentir, dizer, escrever. Na volta, os muros diziam-lhe que deveria voltar, os postes iluminavam o caminho e o sol estava se pondo, a água que cai molha o chão. Mas não havia nuvens no céu.
João Gabriel Campos de Moura - Uma cena da escolha.