Prendi meus passos nos teus passos vãos,
No pátio frio de um antigo altar;
Cativei gestos, entreguei as mãos,
Mas esqueci-me, enfim, de te amar.
O ferro dorme onde a paixão ruiu,
Um elo mudo que o costume faz;
O peito aceita o que o querer baniu,
E a alma cede em busca de uma paz.
É solidão a dois, no mesmo teto,
Um deserto de vozes e de luto,
Onde o carinho é apenas um decreto.
Sou prisioneiro de um dever austero,
Colhendo a sombra de um pomar sem fruto,
No cárcere de um sim que eu já não quero.
Gessé Paulo
09/09/2026