Busco refúgio no sono,
como quem procura abrigo na tempestade.
Mas ao fechar os olhos, não encontro paz,
apenas portas abertas para pesadelos.
O descanso que deveria me acolher
se torna um palco de sombras e gritos.
Até nos sonhos, a dor me persegue,
como um caçador incansável, sem piedade.
O travesseiro guarda segredos,
o silêncio da noite ecoa lembranças.
Cada suspiro é uma batalha,
cada despertar, uma vitória silenciosa.
Há um abismo dentro de mim,
um vazio que insiste em se revelar.
Ninguém vê, ninguém compreende,
mas eu caminho à beira dele todas as noites.
E mesmo assim, resisto.
Fecho portas invisíveis para me preservar,
abraço a esperança como quem segura
a última chama em meio à escuridão.
Pois se até nos sonhos a dor me alcança,
é a esperança que insiste em me acordar.
E no encontro entre pesadelo e vigília,
descubro que sobreviver também é poesia.