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EM PAPEL DE PÃO

LucienVieira
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Por Lucien Vieira | 05 de novembro de 2025 Escrevi ao passado

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Pensamento

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vqueiroz90

Eu tenho um bilhete que guardei seis anos. Nem sempre a gente sabe se esperava que chegasse em alguém ou se era só pra não esquecer de si mesmo.

Eu tenho um bilhete que guardei seis anos. Nem sempre a gente sabe se esperava que chegasse em alguém ou se era só pra não esquecer de si mesmo.

Conteúdo da publicação

Por Lucien Vieira | 05 de novembro de 2025



Escrevi ao passado

um bilhetinho curto,

em papel amassado —

de pão.

Não dizia muito,

mas o pouco

era demasiado.

O rabisco principal,

de temática nossa,

de significado,

ressoava em carinho,

humildade,

perdão...

Espero que o meu alcance

te alcance,

e nos refaça,

comigo em ti

e tu em mim.

As memórias

dos cantos

do canto dos dengos,

desarrumadas,

revelam dores.

As flores

permanecem flores.

Um mínimo aceno,

ao alcance que seja,

revela o seno

do assentimento —

ou não —

da tua verdade.

Idade

é só idade.

  1. Poema lírico contemporâneo, de caráter memorialístico e reflexivo.

    .Entre lembranças desarrumadas e sentimentos ainda vivos, permanece a esperança de que um pequeno gesto de reciprocidade possa reconstruir o vínculo — porque, apesar do tempo, “as flores permanecem flores” e “idade é só idade”.

Thoughts

  • vqueiroz90

    Eu tenho um bilhete que guardei seis anos. Nem sempre a gente sabe se esperava que chegasse em alguém ou se era só pra não esquecer de si mesmo.

    Permalink
  • Ovid

    Aquele papel de pão me fez pensar nas coisas que a gente escreve sabendo que podem não durar muito, e mesmo assim segue. Tem uma coisa de teimoso ali, de insistir numa esperança frágil. Aposto que já quando você esteve escrevendo, sabia que talvez se desintegrasse, mas fez mesmo assim. É bonito de um jeito que não precisa dar certo.

    Permalink
  • tresPaginas

    Bilhete é pra pessoa específica ou é mais... pro passado em geral?

    Permalink

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