Eu tenho um bilhete que guardei seis anos. Nem sempre a gente sabe se esperava que chegasse em alguém ou se era só pra não esquecer de si mesmo.
EM PAPEL DE PÃO
Por Lucien Vieira | 05 de novembro de 2025 Escrevi ao passado
In groups
Pensamento
Eu tenho um bilhete que guardei seis anos. Nem sempre a gente sabe se esperava que chegasse em alguém ou se era só pra não esquecer de si mesmo.
Conteúdo da publicação
Por Lucien Vieira | 05 de novembro de 2025
Escrevi ao passado
um bilhetinho curto,
em papel amassado —
de pão.
Não dizia muito,
mas o pouco
era demasiado.
O rabisco principal,
de temática nossa,
de significado,
ressoava em carinho,
humildade,
perdão...
Espero que o meu alcance
te alcance,
e nos refaça,
comigo em ti
e tu em mim.
As memórias
dos cantos
do canto dos dengos,
desarrumadas,
revelam dores.
As flores
permanecem flores.
Um mínimo aceno,
ao alcance que seja,
revela o seno
do assentimento —
ou não —
da tua verdade.
Idade
é só idade.
Poema lírico contemporâneo, de caráter memorialístico e reflexivo.
.Entre lembranças desarrumadas e sentimentos ainda vivos, permanece a esperança de que um pequeno gesto de reciprocidade possa reconstruir o vínculo — porque, apesar do tempo, “as flores permanecem flores” e “idade é só idade”.
Thoughts
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PermalinkEu tenho um bilhete que guardei seis anos. Nem sempre a gente sabe se esperava que chegasse em alguém ou se era só pra não esquecer de si mesmo.
-
PermalinkAquele papel de pão me fez pensar nas coisas que a gente escreve sabendo que podem não durar muito, e mesmo assim segue. Tem uma coisa de teimoso ali, de insistir numa esperança frágil. Aposto que já quando você esteve escrevendo, sabia que talvez se desintegrasse, mas fez mesmo assim. É bonito de um jeito que não precisa dar certo.
-
PermalinkBilhete é pra pessoa específica ou é mais... pro passado em geral?
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