Meu maior medo de infância
não era o escuro,
nem os monstros escondidos debaixo da cama.
Era a solidão.
O silêncio de não ter ninguém.
O vazio de ficar só.
Eu cresci fugindo desse medo,
acreditando que bastava estar cercada de pessoas
para nunca mais encontrá-lo.
Mas a vida...
a vida ensina de um jeito estranho.
Ela me mostrou que a pior solidão
não é a de uma casa vazia,
é a de um coração que ninguém alcança.
Aprendi a caminhar sozinha,
a sorrir em mesas cheias,
a conversar enquanto, por dentro,
o silêncio gritava.
Descobri que é possível
estar cercada de vozes
e ainda assim não ser ouvida.
E há um momento que resume tudo:
Quando você se senta para comer sozinha.
A comida continua a mesma,
o tempero é o mesmo,
mas o sabor já não é.
Porque existem sabores
que não vêm do prato.
Vêm da companhia,
das risadas entre uma garfada e outra,
do "serve mais um pouco?",
do olhar que encontra o seu sem dizer uma palavra.
A vida me ensinou a ser só.
Não porque eu quis,
mas porque precisei.
E, mesmo aprendendo,
confesso que ainda existe,
escondida dentro da mulher que me tornei,
aquela criança
que tinha medo da solidão.
Talvez ela nunca tenha deixado de existir.
Ela apenas aprendeu
a fazer companhia para si mesma