Pergunta de bar
Eu prometo que essa não é uma história profunda.
Tem perguntas que mexem com a gente. “O que você faz?”, “Quer namorar comigo?”, “Está com fome?”, e infinitas possibilidades, e cada uma delas nos faz refletir e questionar, nem que seja por milissegundos. Mas esses dias recebi uma pergunta que provavelmente nunca tinha recebido antes.
Em uma mesa de bar, com os amigos do trabalho, logo após um dia exaustivo de um CLT em São Paulo, entre cervejas, cigarros e risadas, assuntos profundos e banais ao mesmo tempo.
Cada um contando sua história, já que era a primeira vez que estávamos sentados juntos em um ambiente como esse, e em meio ao “eu era um burro na escola, mas sempre gostei da área de humanas...”, recebo uma pergunta que me pausou.
Você pode estar esperando uma pergunta profunda, sobre o meu ser, sobre o que acredito, que mudou minha vida de uma forma surpreendente. Mas, como eu prometi, essa não é uma história profunda.
Olhando no fundo dos meus olhos, um dos meus amigos pergunta: “E o Tutancâmon, hein?”. Silêncio. 3 pessoas se observam, e meu cérebro pensa “Mas que porra de pergunta é essa???”. E, mesmo assim, continuo sendo observado! Ele quer minha opinião.
Quantas vezes você respondeu isso na vida, leitor? Pois é, nem eu. E mesmo sabendo que Tutancâmon ficou marcado na história por ter sido a primeira tumba real do Antigo Egito encontrada praticamente intacta, que ele não foi tão impactante para a sociedade no momento que viveu, eu só consegui emitir um sonoro “Ehhh... Acho que gosto dele, né?”, com uma cara de dúvida. E, com certeza, demos uma bela risada.
A vida é inesperada, não é? Vivi a minha vida inteira para um dia ser perguntado na mesa de bar sobre o Tutancâmon. E mesmo sabendo a resposta, não soube responder. Talvez pela inesperada pergunta na situação, talvez por não ser uma resposta pré-pronta produzida pelo cérebro, como aquele “Tudo bem, e você?” automático que sai sempre que nos perguntam como estamos. Uma simples pergunta, banal, me fez parar e perceber o quanto....
Ok, parei por aqui. Eu prometi que essa não seria uma história profunda.