Por Lucien Vieira | 05 de novembro de 2025
Escrevi ao passado
um bilhetinho curto,
em papel amassado —
de pão.
Não dizia muito,
mas o pouco
era demasiado.
O rabisco principal,
de temática nossa,
de significado,
ressoava em carinho,
humildade,
perdão...
Espero que o meu alcance
te alcance,
e nos refaça,
comigo em ti
e tu em mim.
As memórias
dos cantos
do canto dos dengos,
desarrumadas,
revelam dores.
As flores
permanecem flores.
Um mínimo aceno,
ao alcance que seja,
revela o seno
do assentimento —
ou não —
da tua verdade.
Idade
é só idade.
Poema lírico contemporâneo, de caráter memorialístico e reflexivo.
.Entre lembranças desarrumadas e sentimentos ainda vivos, permanece a esperança de que um pequeno gesto de reciprocidade possa reconstruir o vínculo — porque, apesar do tempo, “as flores permanecem flores” e “idade é só idade”.