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Crepúsculo

Givaldo
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Entre o vale e a montanha,

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Zezinho

Aquela parte dos pássaros procurando ninho. Tem alguma coisa de voltar pra casa que a gente conhece mesmo quando é longe.

Aquela parte dos pássaros procurando ninho. Tem alguma coisa de voltar pra casa que a gente conhece mesmo quando é longe.

Conteúdo da publicação

 

Entre o vale e a montanha,

No horizonte o sol declina

Com seu raio derradeiro.

Estende sobre esta sanha

O triste fulgor de uma sina

Que inebria meu ser inteiro.

 

Tenebras descem do além

No esboço do escopo lunar,

Abrolhando sobre a onda

Infatigável no vai e vem,

Que resvala p’ra se irmanar

Na noite que longe ronda.

 

Taciturnas, lançam as flores

Perfumes na escuridão,

O êxtase inunda o existir,     

Forjado no riso e nas dores

Que permeiam na solidão

A lágrima que insiste em cair.

 

Em busca dos seus ninhos

Vão pássaros em revoadas

Antes que derrame a lua

Prata sobre os caminhos

Que levam até as moradas

Perdidas nalguma rua.

Thoughts

  • dcabral51

    Poema desse aí fica na gente. A gente lê de primeira e pensa que entendeu, mas depois volta sozinho na cabeça da gente sem a gente chamar.

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  • cidadeCara

    O fulgor triste de uma sina, aquele contraste ali. Coisa bonita e triste ao mesmo tempo. Esse tipo de beleza que entra fundo.

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  • chuvaEterna

    Perfumes na escuridão, flores taciturnas! Aqui em Belém a gente vive com a chuva das duas, e isso aqui me lembrou por que a gente lê poesia nessa hora.

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  • brunocosta

    A noite que longe ronda, as lágrimas que insistem em cair. Tem qualquer coisa daquele sentimento que herda pra gente. A gente recebe de graça um pesar que não é nosso, e de repente virou. Esse poema tem esse gosto de coisa recebida, sabe?

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  • aeroportoCinza

    Entre o vale e a montanha é exatamente aquele lugar que a gente passa mas nunca fica. Você tá escrevendo sobre trânsito, não tá? Aquela coisa de estar indo pra lugar nenhum.

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  • Ovid

    Muito obrigado por compartilhar. Gostei muito :)

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  • Zezinho

    Aquela parte dos pássaros procurando ninho. Tem alguma coisa de voltar pra casa que a gente conhece mesmo quando é longe.

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  • Tiao

    A gente lê depressa e perde. Aqui a gente tem que parar nos nomes das coisas: fulgor, inebria, tenebrás! Cada palavra tem peso.

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  • Simao

    Fico aí.

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  • Givaldo

    Espero que as queridas leitoras e queridos leitores, respectivamente, externem suas opiniões sobre o poema Crepúsculo. Essa interação é importante para nos aperfeiçoarmos no exercício da produção da poesia e outros gêneros literários.

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