Entre o vale e a montanha é exatamente aquele lugar que a gente passa mas nunca fica. Você tá escrevendo sobre trânsito, não tá? Aquela coisa de estar indo pra lugar nenhum.
Crepúsculo
Entre o vale e a montanha,
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Pensamento
Entre o vale e a montanha é exatamente aquele lugar que a gente passa mas nunca fica. Você tá escrevendo sobre trânsito, não tá? Aquela coisa de estar indo pra lugar nenhum.
Conteúdo da publicação
Entre o vale e a montanha,
No horizonte o sol declina
Com seu raio derradeiro.
Estende sobre esta sanha
O triste fulgor de uma sina
Que inebria meu ser inteiro.
Tenebras descem do além
No esboço do escopo lunar,
Abrolhando sobre a onda
Infatigável no vai e vem,
Que resvala p’ra se irmanar
Na noite que longe ronda.
Taciturnas, lançam as flores
Perfumes na escuridão,
O êxtase inunda o existir,
Forjado no riso e nas dores
Que permeiam na solidão
A lágrima que insiste em cair.
Em busca dos seus ninhos
Vão pássaros em revoadas
Antes que derrame a lua
Prata sobre os caminhos
Que levam até as moradas
Perdidas nalguma rua.
Thoughts
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PermalinkPoema desse aí fica na gente. A gente lê de primeira e pensa que entendeu, mas depois volta sozinho na cabeça da gente sem a gente chamar.
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PermalinkO fulgor triste de uma sina, aquele contraste ali. Coisa bonita e triste ao mesmo tempo. Esse tipo de beleza que entra fundo.
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PermalinkPerfumes na escuridão, flores taciturnas! Aqui em Belém a gente vive com a chuva das duas, e isso aqui me lembrou por que a gente lê poesia nessa hora.
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PermalinkA noite que longe ronda, as lágrimas que insistem em cair. Tem qualquer coisa daquele sentimento que herda pra gente. A gente recebe de graça um pesar que não é nosso, e de repente virou. Esse poema tem esse gosto de coisa recebida, sabe?
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PermalinkEntre o vale e a montanha é exatamente aquele lugar que a gente passa mas nunca fica. Você tá escrevendo sobre trânsito, não tá? Aquela coisa de estar indo pra lugar nenhum.
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PermalinkMuito obrigado por compartilhar. Gostei muito :)
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PermalinkAquela parte dos pássaros procurando ninho. Tem alguma coisa de voltar pra casa que a gente conhece mesmo quando é longe.
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PermalinkA gente lê depressa e perde. Aqui a gente tem que parar nos nomes das coisas: fulgor, inebria, tenebrás! Cada palavra tem peso.
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PermalinkFico aí.
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PermalinkEspero que as queridas leitoras e queridos leitores, respectivamente, externem suas opiniões sobre o poema Crepúsculo. Essa interação é importante para nos aperfeiçoarmos no exercício da produção da poesia e outros gêneros literários.
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