Amar-te é ter fome
de uma coisa que não se come,
mas que incendeia a boca,
o peito,
a alma.
É acordar com teu nome
feito vinho sobre a língua
e sentir que nenhuma taça
é capaz de saciar
a sede que deixaste em mim.
Dionísio caminharia entre nós,
coroado de heras e rosas,
rindo da nossa loucura,
porque há amores que não querem calma —
querem vertigem,
êxtase,
a doce embriaguez de existir.
Eu te desejo como a primavera deseja a chuva,
como a rosa deseja o sol,
como a noite deseja
um corpo de estrelas.
E há prazer até na lembrança:
no eco da tua voz,
na memória de um toque,
na promessa de um beijo
que ainda vive na pele
mesmo depois que você partiu.
Mas a saudade...
ah, a saudade dói.
Dói como espinho escondido
entre pétalas vermelhas.
Dói porque amar também é carregar
a ausência de quem se ama
como uma taça cheia
que não podemos beber.
Ainda assim,
eu te escolheria outra vez.
Porque há uma fome
que não deseja ser curada.
Uma fome feita de rosas,
vinho, desejo e saudade.
E se Dionísio me perguntasse
o que quero como último prazer,
eu não pediria ouro,
nem eternidade.
Pediria apenas você.
Para que, por um instante,
o mundo se embriagasse conosco
e eu pudesse matar a fome
que o teu amor deixou em mim.