Entre o vale e a montanha,
No horizonte o sol declina
Com seu raio derradeiro.
Estende sobre esta sanha
O triste fulgor de uma sina
Que inebria meu ser inteiro.
Tenebras descem do além
No esboço do escopo lunar,
Abrolhando sobre a onda
Infatigável no vai e vem,
Que resvala p’ra se irmanar
Na noite que longe ronda.
Taciturnas, lançam as flores
Perfumes na escuridão,
O êxtase inunda o existir,
Forjado no riso e nas dores
Que permeiam na solidão
A lágrima que insiste em cair.
Em busca dos seus ninhos
Vão pássaros em revoadas
Antes que derrame a lua
Prata sobre os caminhos
Que levam até as moradas
Perdidas nalguma rua.