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CAPÍTULO XIV — O NASCIMENTO DA E.C.P.O.

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Pensamento

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paginadobrada

A moça da escova ouviu a parte do Mael e jurou que em biblioteca que cria olho ela não entra nem pagando 😂

A moça da escova ouviu a parte do Mael e jurou que em biblioteca que cria olho ela não entra nem pagando 😂

Conteúdo da publicação

“Toda organização nasce de um medo. A E.C.P.O. nasceu de um presságio.” — Ninjha

A noite estava imóvel quando Ninjha reuniu os primeiros. Não em um salão, não em um palácio — mas nas ruínas de um forte abandonado nas montanhas do Cáucaso, onde o vento uivava como um animal ferido e a neve nunca derretia por completo.

Eram poucos. Onze ao todo.

Homens e mulheres que ainda tinham coragem de olhar o desconhecido nos olhos. Chamavam-se entre si apenas por códigos, números, siglas, sombras. Seus nomes verdadeiros haviam sido enterrados junto com suas antigas vidas.

Entre todos ali, havia alguns que se destacavam: Agni, ex-inquisidora que queimara seu próprio convento depois que os crucifixos começaram a sussurrar. Mael, um ladrão que tentara roubar um livro proibido em Constantinopla e vira a biblioteca inteira ganhar olhos. Yuki, uma samurai sem senhor que matara seu próprio clã depois que eles se ajoelharam diante de uma sombra que não projetava luz.

E havia Ninjha. Código 00. O primeiro. O Imortal.

Eles estavam sentados ao redor de uma fogueira azulada. A cor estranha vinha do chão, onde brasas de batalhas antigas ainda queimavam sem consumir a terra.

Ninjha falou por último. Sua voz saiu baixa, mas cada palavra ecoou como um martelo em metal oco:

“O mundo está doente. Não de guerra, não de fome. De algo mais velho. O Inferno Negro não é uma lenda. É um território. E suas fronteiras estão se movendo.”

Ele ergueu a mão direita. A cicatriz que atravessava sua palma óssea — aquela que nunca fechava por completo — brilhou por um segundo.

“Nos últimos cem anos, eu vi coisas que nenhum de vocês acreditaria. Cidades onde os mortos andavam porque o tempo havia se quebrado. Florestas que sangravam quando alguém as cortava. Crianças nascendo com palavras escritas nos olhos… E eu matei a maioria dessas coisas. Mas estou ficando velho. Não no corpo. Na alma. Preciso de mais mãos.”

Agni, a ex-inquisidora, inclinou a cabeça:

“Você quer criar um exército?”

“Não. — Ninjha negou devagar. — Exércitos são barulhentos. Exércitos podem ser corrompidos. Eu quero algo menor. Mais silencioso. Mais mortal.”

Yuki ajustou a katana no colo:

“Uma seita?”

“Uma Entidade. Com regras. Com hierarquia. Com um único objetivo: conter aquilo que não deveria existir. Proteger os que ainda podem ser salvos. E, quando necessário, operar o que não pode ser contido.”

O vento uivou mais forte. As chamas azuis dançaram.

Mael, o ladrão, riu sem humor:

“E quem vai pagar por isso? Quem vai nos dar poder? Reis? Papas?”

“Ninguém.” Ninjha olhou para o fogo. “Nós vamos tomar o que precisamos. Dos mortos. Dos esquecidos. Dos lugares que o mundo já não ousa pisar. Existem arsenais adormecidos embaixo de desertos. Existem bibliotecas enterradas sob vulcões. Existem coisas que os impérios enterraram com medo de que alguém as encontrasse. Nós vamos encontrá-las primeiro.”

Silêncio. 

Foi Orkhan — sim, o mesmo Orkhan das estepes, que sobrevivera à prisão mameluca e agora, décadas depois, estava ali, o rosto mais marcado, os cabelos inteiramente brancos — quem falou:

“E se falharmos?”

Ninjha demorou a responder.

“Então não haverá ninguém para lembrar que tentamos.”

Thoughts

  • linhaTorta

    Onze ao redor do fogo e só cinco ganharam nome: Ninjha, Agni, Mael, Yuki e o Orkhan. Os outros seis ficaram sem rosto, e desconfio que um deles vai trair a Entidade mais pra frente. Fundação assim sempre tem alguém que estava na fogueira e ninguém se deu ao trabalho de apresentar.

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  • cadernoDeMargem

    Agni queimando o próprio convento porque os crucifixos sussurravam dava um capítulo inteiro só dela. Cada um dos onze deve ter uma história dessas que a gente ainda não viu.

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  • brunocosta

    Onze pessoas à volta de uma fogueira azul, sem nomes, e o único que pergunta pelo pior é o mais velho. Faz sentido, é quem já perdeu mais.

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  • anogueira52

    Li com calma a fala do Ninjha sobre estar velho só na alma. Quem passou a vida inteira no mesmo serviço entende isso: as mãos continuam fazendo, a vontade é que pede reforço. Por isso ele junta os onze, e desconfio que o Orkhan foi chamado mais pela teimosia do que pela força. A saída dele da prisão mameluca já estava nos seus planos quando escreveu aquele capítulo das estepes?

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  • sofadasala

    Orkhan de volta. 🥹

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  • Ovid

    Orkhan aparecendo de cabelo branco, décadas depois da prisão mameluca, me fez pensar em como essa história atravessa séculos sem pressa nenhuma. Aposto que quem chegou agora pela E.C.P.O. vai querer voltar lá atrás pra entender quem ele era. Bom demais ver o nascimento da Entidade antes dos capítulos saírem do ar!

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  • paginadobrada

    A moça da escova ouviu a parte do Mael e jurou que em biblioteca que cria olho ela não entra nem pagando 😂

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“Toda organização nasce de um medo. A E.C.P.O. nasceu de um presságio.” — Ninjha

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