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Capitulo 7 - Quando o destino não queria nos separar

AllyneMaia
Pensamento

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passandoporaqui

Os primos arrancando e largando o Pedro com a chave de roda na mão kkkk aposto que foi o irmão que armou, e que o Pedro sacou tudo antes mesmo de descer do carro.

Os primos arrancando e largando o Pedro com a chave de roda na mão kkkk aposto que foi o irmão que armou, e que o Pedro sacou tudo antes mesmo de descer do carro.

Conteúdo da publicação

— Quando o destino não queria nos separar

Contado por Clara

Realmente, o destino parecia disposto a nos colocar novamente no mesmo caminho.

Não era possível.

Três encontros seguidos.

Primeiro, o acidente na estrada.

Depois, a oficina.

E agora, a cachoeira.

Eu já não sabia se deveria rir ou começar a desconfiar de que havia alguma coisa por trás de tudo aquilo.

Talvez Helena tivesse razão.

Talvez a vida estivesse me dando uma oportunidade que eu nunca havia imaginado receber novamente.

Ou talvez eu estivesse apenas procurando significado onde existiam coincidências.

Mas, naquele momento, enquanto guardava minhas coisas para voltar à casa de campo, eu não conseguia deixar de sorrir.

Pedro havia aparecido outra vez.

E, de alguma maneira, isso tornava meu dia melhor.

Entrei no carro, liguei o motor e segui pela estrada.

A cachoeira havia ficado para trás, mas as lembranças continuavam comigo.

Eu ainda pensava na maneira como Pedro havia me ajudado.

No jeito como conversamos.

Na facilidade com que ele conseguia me fazer rir.

E naquela sensação estranha de que, mesmo depois de tantos anos, algumas coisas entre nós continuavam familiares.

Eu estava distraída com meus pensamentos quando ouvi um barulho vindo da parte de trás do carro.

Olhei pelo retrovisor.

— Não...

Encostei o veículo e desci.

O pneu estava furado.

Fiquei alguns segundos olhando para ele, tentando decidir se deveria rir ou simplesmente aceitar que aqueles dias estavam determinados a testar minha paciência.

— É sério isso?

Olhei para o céu.

— Deus, o Senhor está querendo me ensinar alguma coisa?

Suspirei.

Eu havia me preparado para situações assim. Tinha caixa de ferramentas, estepe e sabia que imprevistos aconteciam.

Mas, sinceramente, depois de tudo o que havia acontecido naquela semana, eu já estava começando a achar que meu carro tinha alguma coisa pessoal contra mim.

Abri o porta-malas e comecei a tirar as ferramentas.

Foi quando ouvi o som de outro carro se aproximando.

Levantei a cabeça.

E, antes mesmo de ver quem estava dirigindo, meu coração pareceu reconhecer.

Pedro.

O carro parou alguns metros à frente.

Ele desceu acompanhado do irmão e de alguns primos.

Assim que me viu, abriu aquele sorriso brincalhão que eu começava a reconhecer novamente.

— Clara...

Cruzei os braços.

— Nem começa.

Ele olhou para o pneu.

Depois para mim.

E começou a rir.

— O que foi agora?

— Um pneu furado.

Ele balançou a cabeça, fingindo preocupação.

— O destino realmente não quer que a gente se separe.

Eu não consegui segurar o sorriso.

— Você está começando a ficar convencido demais.

— Eu? Imagina.

O irmão dele se aproximou.

— Então essa é a famosa Clara?

Olhei para Pedro.

— Famosa?

Ele passou a mão pelo rosto, já rindo.

— Não dá atenção para eles.

Um dos primos soltou uma gargalhada.

— A gente conhece essa história faz tempo.

Eu ri.

E foi impossível não sentir uma nostalgia boa.

Aqueles meninos ainda tinham o mesmo jeito arteiro.

As mesmas brincadeiras.

A mesma capacidade de transformar qualquer situação em motivo para rir.

Por alguns minutos, eu me senti novamente naquela época em que a vida parecia mais simples.

Quando a maior preocupação era chegar em casa antes de alguém perceber que havíamos saído escondidos.

Quando nossos sonhos pareciam grandes demais, mas a gente acreditava neles mesmo assim.

Pedro se abaixou perto do pneu.

— Você já começou?

— Claro.

— Pelo menos se preparou.

— Eu sou uma mulher prevenida.

Ele sorriu.

— Isso eu estou vendo.

Enquanto ele começava a me ajudar, fiquei conversando com os outros.

O irmão dele fez uma brincadeira sobre a minha sorte naquela semana.

— Três encontros e agora pneu furado. Está complicado.

— Não fala isso — respondi. — Daqui a pouco acontece outra coisa.

Pedro riu.

— Melhor não dar ideia.

Foi quando percebi que os primos estavam trocando olhares.

Um olhou para o outro.

Depois para Pedro.

Depois para mim.

Eu conhecia aquela expressão.

Era a mesma de quando éramos adolescentes e eles estavam prestes a aprontar alguma coisa.

— O que vocês estão tramando?

— Nada — responderam quase juntos.

Olhei para Pedro.

— Eles continuam assim?

Ele suspirou, fingindo resignação.

— Infelizmente.

Alguns minutos depois, o irmão dele entrou no carro.

Os primos fizeram o mesmo.

— Vocês vão embora? — perguntei.

— Vamos ali na frente — um deles respondeu.

Pedro olhou para eles.

— Vocês não vão me deixar aqui, vão?

O primo abriu um sorriso.

— Claro que não.

Mas, antes que Pedro pudesse terminar a frase, o carro arrancou.

Os três desapareceram pela estrada, deixando uma nuvem de poeira para trás.

Fiquei olhando.

Depois olhei para Pedro.

Ele estava parado, com a chave de roda na mão.

Eu comecei a rir.

— Não acredito!

Ele passou a mão pelos cabelos.

— Eu sabia.

— Eles fizeram isso de propósito?

— Com certeza.

— Pedro, você continua caindo nas peças deles!

Ele riu.

— Algumas coisas nunca mudam.

E eu ri ainda mais.

Porque era verdade.

Aqueles meninos haviam crescido, mas continuavam carregando a mesma alegria.

E Pedro...

Pedro ainda tinha aquele jeito que me fazia esquecer, por alguns instantes, todas as preocupações que eu carregava.

Terminamos de trocar o pneu.

Pedro guardou as ferramentas e se levantou.

— Pronto.

Olhei para o carro.

— Obrigada.

— De nada.

Ele limpou as mãos e olhou para mim.

— Bom, agora você vai precisar de uma carona.

Assenti.

— Acho que sim.

— Eu te levo.

— Você dirige?

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Não. Vou empurrar o carro até sua casa.

Ri.

— Pedro!

— Estou brincando.

Eu olhei para ele, ainda sorrindo.

— Com a sorte que estou tendo esses dias, tenho medo de colocar a gente em mais problemas.

Ele soltou uma gargalhada.

— Você está realmente preocupada com a sua sorte?

— Muito.

— Então deixa que eu dirijo.

— Está bem.

— Você pode ficar com o meu. Amanhã me traz de volta.

Olhei para ela.

— Você tem certeza?

— Tenho.

Durante o caminho até a casa de campo, conversamos sobre coisas simples.

Ele perguntou se eu estava aproveitando as férias.

Contei que ainda estava tentando aprender a descansar.

Ele riu.

— Você sempre foi assim.

— Assim como?

— Sempre querendo resolver tudo.

Sorri.

— Talvez eu tenha mudado um pouco.

Ele olhou para mim por um instante.

— Mudou.

Fiquei em silêncio.

— Mas algumas coisas continuam iguais — completou.

Não perguntei quais.

Talvez porque uma parte de mim tivesse medo da resposta.

Quando chegamos à casa de campo, ele estacionou o carro na entrada

Desci e olhei para Pedro.

— Quer entrar?

Ele pareceu surpreso.

— Posso?

— Claro.

Eu mesma não sabia por que havia feito aquele convite.

Mas queria.

Queria prolongar aquela noite.

Queria conversar mais.

Queria descobrir como era estar perto dele agora, sem uma oficina, uma estrada ou uma cachoeira nos obrigando a dividir o mesmo espaço.

— Estou com fome — ele disse.

Ri.

— Eu também.

— Então vamos ver o que tem nessa cozinha.

Entramos.

A casa estava silenciosa.

A luz amarelada da cozinha deixava o ambiente aconchegante.

Eu coloquei a bolsa sobre uma cadeira e abri a geladeira.

Graças a Deus, eu havia passado no mercado alguns dias antes.

Havia comida suficiente para preparar alguma coisa.

— Ainda bem que eu fiz compras.

Pedro olhou para mim.

— Você sabe cozinhar?

Dei um sorriso de lado.

— Sei fazer um ótimo miojo.

Ele começou a rir.

— Já vi que essa parte vai sobrar para mim.

— A cozinha sempre foi mais da Helena.

— Eu lembro.

Ele abriu alguns armários.

— Então vamos ver o que dá para fazer.

Fiquei observando enquanto ele começava a organizar as coisas.

Era engraçado.

Pedro parecia completamente à vontade ali.

Como se aquela cozinha fosse dele.

Como se aquele momento fosse algo que já tivéssemos vivido antes.

E, de certa forma, talvez tivéssemos.

Não naquela casa.

Mas em tantos lugares onde dividimos sonhos, conversas e pequenas alegrias.

— Vou tomar um banho — avisei.

Ele assentiu.

— Vai lá. Eu preparo alguma coisa.

Subi para o quarto.

Enquanto tomava banho, pensei no quanto aquela noite estava diferente.

Eu havia saído para descansar.

E agora estava em casa com Pedro.

O homem que um dia amei.

O homem que havia reaparecido depois de tantos anos.

E, pela primeira vez, não sentia vontade de fugir daquela situação.

Talvez Helena tivesse razão.

Talvez eu precisasse simplesmente viver.

Coloquei um vestido leve, fresco, e desci.

Quando cheguei à cozinha, parei na porta.

A mesa estava pronta.

Havia pão de queijo, bolo,  pão que eu havia comprado, ovos mexidos e café.

Olhei para Pedro.

— Você fez tudo isso?

Ele sorriu.

— Não é um banquete, mas dá para comer.

— Pedro, está lindo.

— Não exagera.

Sentei-me.

— Então sua especialidade continua sendo ovos mexidos?

Ele apontou para o prato.

— Não ri da minha especialidade.

Comecei a rir.

— Eu não estou rindo.

— Está sim.

— É que você sempre fez isso.

Ele balançou a cabeça.

— E você sempre foi péssima na cozinha.

— Eu sei fazer miojo!

— Isso não conta.

Rimos.

E, naquele momento, percebi o quanto sentia falta daquela leveza.

Daquelas conversas sem obrigação.

Daquela sensação de estar com alguém que não exigia que eu fosse a empresária, a mulher decidida ou a pessoa que tinha tudo sob controle.

Ali, eu era apenas Clara.

E ele era apenas Pedro.

Comemos devagar.

Conversamos sobre a cidade, sobre a vida e sobre os sonhos que ainda queríamos realizar.

Em algum momento, ele falou sobre uma dificuldade no trabalho.

Eu contei sobre os dias em que quase desisti de algumas coisas na empresa.

— Às vezes a gente olha para o que conquistou e esquece o quanto foi difícil chegar até ali — falei.

Pedro ficou em silêncio por um instante.

— É.

Olhei para ele.

— Você ainda tem muitos sonhos?

Ele sorriu.

— Tenho.

— Quais?

Ele me contou alguns.

E eu gostei de ouvir.

Gostei de perceber que, apesar dos caminhos diferentes, ele ainda carregava aquela vontade de construir alguma coisa.

De crescer.

De conquistar.

A conversa foi ficando mais profunda.

Não porque planejássemos falar sobre sentimentos.

Mas porque, depois de tantos anos, havia muita coisa para contar.

Quando terminamos, levantei-me.

— Eu vou lavar a louça.

— Deixa que eu lavo.

— Você já fez a comida.

— E você está de férias.

Sorri.

— Eu sei.

Fui até a pia.

Enquanto lavava os pratos, percebi que Pedro havia ficado em silêncio.

Olhei de relance.

Ele estava encostado próximo à bancada.

Me observando.

— O que foi?

Ele demorou alguns segundos para responder.

— Nada.

Continuei lavando a louça.

Mas sentia o olhar dele.

E aquilo começou a me deixar inquieta.

Não era desconfortável.

Era apenas diferente.

Havia uma tensão que não existia quando estávamos conversando à mesa.

Talvez porque agora não havia mais comida, café ou brincadeiras para preencher o silêncio.

Apenas nós dois.

E tudo o que ainda não havíamos dito.

— Clara...

A voz dele me fez parar.

Olhei para trás.

Pedro estava mais perto.

— Oi?

Ele respirou fundo.

Por um instante, pareceu procurar as palavras.

— Você realmente sabe como me deixar sem juízo.

Fiquei olhando para ele.

Não entendi de imediato.

— Como assim?

Ele sorriu de leve.

— Você sabe.

Balancei a cabeça.

— Não sei, não.

Ele olhou para o meu vestido, depois voltou os olhos para os meus.

— Desde o primeiro dia que te vi...

Parou.

Meu coração começou a acelerar.

— Pedro?

Ele respirou fundo novamente.

— Desde o primeiro dia que te vi, eu fiquei tentando entender o que estava acontecendo comigo.

Eu não disse nada.

Apenas o ouvi.

— Eu não esperava encontrar você. Não depois de tantos anos.

A voz dele estava mais baixa agora.

— E, quando encontrei, foi como se tudo aquilo que eu tinha guardado tivesse voltado de uma vez.

Senti um aperto no peito.

Ele continuou:

— Eu sei que a gente mudou. Sei que a vida levou cada um para um lado. Mas, desde aquela noite na estrada, eu não consigo parar de pensar em você.

Baixei os olhos por um instante.

Eu também não conseguia.

Mas ouvir aquilo dele era diferente.

Muito diferente.

Pedro se aproximou mais um pouco.

— Eu não quero te pressionar.

Levantei os olhos.

— Não está.

— Só precisava te dizer.

Fiquei em silêncio.

Ele passou a mão pelos cabelos.

— Eu não sei o que você está sentindo. Não sei se esse reencontro significa alguma coisa para você ou se é só uma lembrança bonita.

Meu coração apertou.

Porque eu sabia exatamente o que ele estava tentando dizer.

Ele estava com medo.

Medo de se aproximar.

Medo de não ser correspondido.

Medo de que eu estivesse apenas revivendo uma história que já havia terminado.

E, de repente, tudo aquilo me pareceu familiar.

Eu também tinha medo.

— Pedro...

Ele me olhou.

— Eu também pensei em você.

A expressão dele mudou.

— Pensou?

Assenti.

— Mais do que eu queria admitir.

Ele ficou quieto.

Eu respirei fundo.

— Você despertou uma parte de mim que eu nem lembrava mais que existia.

Ele sorriu de leve.

— Qual parte?

Pensei por alguns segundos.

— A Clara que sonhava.

Ele não respondeu.

Então continuei:

— A Clara que acreditava que podia construir uma vida ao lado de alguém. Que fazia planos sem ter medo de tudo dar errado.

Ele me olhou com atenção.

— E você ainda acredita?

A pergunta ficou entre nós.

Eu poderia ter respondido rapidamente.

Mas não quis.

Porque a verdade era que eu ainda estava descobrindo.

— Não sei — falei. — Mas acho que estou começando a lembrar como era.

Ele abaixou os olhos.

E, naquele momento, percebi que talvez aquela conversa significasse muito mais para ele do que eu imaginava.

Pedro se aproximou devagar.

Parou diante de mim.

Não me tocou.

Apenas ficou ali, olhando para mim.

— Clara...

— Oi?

Ele respirou fundo.

— Eu quero te beijar.

Meu coração acelerou.

Não porque eu não esperasse.

Mas porque, depois de tantos anos, ouvir aquelas palavras dele parecia uma coisa que eu havia imaginado tantas vezes que agora não sabia como reagir.

Ele continuou:

— Mas eu não quero fazer isso se você não quiser.

Olhei para ele.

E, naquele instante, senti uma tranquilidade que não esperava.

Não havia pressa.

Não havia cobrança.

Apenas a verdade.

E a possibilidade de escolher.

Sorri.

— Pedro...

Ele me olhou.

— O que você está esperando?

Por um instante, ele ficou completamente imóvel.

Depois sorriu.

Aquele sorriso que me lembrava tantas coisas.

Aquele sorriso que, mesmo depois de tantos anos, ainda conseguia me deixar sem palavras.

Ele estendeu a mão.

Eu aceitei.

E, quando nossos olhos se encontraram novamente, percebi que talvez Helena tivesse razão.

Talvez eu não precisasse fugir.

Talvez eu pudesse simplesmente viver aquele momento.

Sem promessas.

Sem planos.

Sem tentar descobrir o futuro antes que ele acontecesse.

Apenas Clara.

Apenas Pedro.

E tudo o que ainda existia entre nós.

Naquela noite, pela primeira vez em muitos anos, eu não senti medo de uma lembrança.

Senti curiosidade pelo presente.

E, enquanto permanecíamos ali, diante um do outro, uma pergunta começou a tomar conta dos meus pensamentos:

será que o amor que um dia deixamos para trás estava, na verdade, apenas esperando que tivéssemos coragem de encontrá-lo novamente?

Eu ainda não sabia.

Mas, pela primeira vez, não queria mais respostas imediatas.

Queria descobrir.

E talvez fosse justamente aí que a nossa história estivesse começando de verdade.

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