Ainda na galeria.
Anton estava em sua loja.
Discos raros ocupavam as prateleiras e vitrines, cada um com sua história, sua poeira invisível, sua pequena mitologia.
Mas havia um que sempre roubava o silêncio do lugar.
Paêbirú (1975).
O disco mais raro e valioso do Brasil.
A cópia que pertencera ao pai de Anton já tinha aparecido na televisão, em reportagens, na internet. Gente de todo canto ia até a Garimpos Discos apenas para vê-lo.
Olhar.
Ficar alguns segundos em silêncio.
E ir embora sem tirar uma única foto.
Havia algo quase sagrado naquele vinil.
Uma mística que nem Anton gostava de explicar.
Naquela tarde, entrou um cliente que ele já conhecia bem.
O tipo de pessoa que aparecia toda semana, mexia em tudo, fazia perguntas demais e nunca comprava nada.
O cliente parou diante do Paêbirú.
Observou a capa.
Depois olhou para Anton.
— Você acha que som de vinil é melhor que MP3?
Anton ergueu os olhos lentamente.
— Depende.
— Depende de quê?
— De quem está ouvindo. O vinil pode parecer melhor por causa da nostalgia, do ritual, da capa grande nas mãos. Tem o groove da agulha, os pequenos chiados, aquele ar artesanal.
O cliente cruzou os braços.
— Mas e o MP3?
— O MP3, o WAV, qualquer formato digital bem feito... é limpo. Não tem ruído, não tem estalo, não tem chiado. Às vezes, a gente estranha justamente porque nossa primeira referência emocional foi o vinil.
O homem franziu a testa.
— Então vinil não é melhor?
Anton deu de ombros.
— É pessoal. Imagina alguém que nunca ouviu um vinil na vida e cresceu ouvindo só música digital. Talvez essa pessoa odiasse o vinil por causa dos chiados.
O cliente ficou em silêncio.
Um silêncio curioso.
Como se um software antigo estivesse tentando atualizar uma informação que nunca tinha processado.
Anton sorriu por dentro.
Sabia reconhecer os chatonildos frustrados: aqueles que julgavam tudo porque tinham medo de permitir a si mesmos o direito de errar.
O cliente mudou de assunto.
— Você tem Grandmaster Flash?
Anton abriu os braços, apontando discretamente para a loja inteira.
— Ué, não entendi.
— Você sabe o nome da loja?
— Sei.
— Garimpos Discos.
O cliente assentiu, ainda confuso.
Anton sorriu.
— Então garimpe. Procure. É gostoso fazer isso.
O homem fungou, claramente contrariado.
Deu mais uma olhada no Paêbirú.
E foi embora sem comprar nada.
Anton saiu da loja com a sensação de dever cumprido. Não porque tivesse vendido alguma coisa, mas porque o cliente pentelho finalmente tinha ido embora.
Do outro lado da galeria, olhou para a Barbearia Augusto's.
Iago estava na porta, com uma expressão que dizia claramente: venha falar comigo, mas não toque nos meus espinhos.
Anton atravessou a calçada e parou na entrada.
— Por que essa cara de cu?
Iago ergueu uma sobrancelha.
— Cara de cu tem sua mãe!
Os dois ficaram sérios por um segundo.
Depois caíram na risada.
Anton balançou a cabeça.
— Pior que é verdade.
Iago apontou para dentro da barbearia.
— Bora conversar?
— Bora.
Iago mostrou a poltrona.
Anton sentou.
No segundo seguinte, Iago apertou o pedal.
A cadeira desceu rápido demais, dando pequenos solavancos.
Anton levou um susto.
Um frio na barriga.
— Iago! Você quer tomar um café, uma água ou vergonha na cara?
Os dois riram.
O riso durou pouco.
Iago passou a mão no rosto, como quem tentava organizar os pensamentos.
— Seu avô, né? Aquele escroto?
Iago assentiu.
— Sim.
Silêncio.
— Não sei por que me importo tanto com ele — disse Iago, olhando para o chão. — Acho que nessa parte eu puxei ele. Amo café sem açúcar.
Anton sorriu de canto.
— Sei. Você nunca precisou dele. E mesmo assim cuida dele.
Iago respirou fundo.
— Sim. O neto que ele mais odeia.
Pausa.
— Abandonado por quem ele mais amava.
Anton se levantou devagar.
Ficou de frente para o amigo.
— Você deu dignidade a ele, Iago. Isso importa.
Iago desviou o olhar.
— Sim... mas machuca.
— Eu sei.
Pela primeira vez, Anton viu Iago sem uma resposta criativa.
Sem piada.
Sem sarcasmo.
Sem uma saída elegante.
Só um homem cansado.
Anton colocou a mão no ombro dele.
— Ele talvez nunca entenda quem você é.
Iago fechou os olhos por um instante.
Anton continuou, baixo:
— Não dá pra mudar alguém de uma casa jogando ela pela janela.
***
Na floricultura no meio da tarde, Débora olhou para o tempo.
Olhou para a própria barriga.
Vazia.
Sem o filho que perdeu.
Não havia explicação.
Não havia culpados.
Ela seguiu todas as regras de um pré-natal.
Tomou as vacinas.
Cuidou da alimentação.
Respeitou a rotina de uma gestante.
Ela, que sabia mexer com plantas, sabia como elas cresciam.
Sabia quando davam frutos.
Quando floresciam.
Plantou a sua.
Arou a terra.
Colocou adubo.
Lançou sementes.
E esperou.
Cresceu.
Deu expectativas.
O tempo era bom.
Choveu.
E não deu.
O óbvio não deu certo.
Não era para acontecer.
Ninguém errou.
Mesmo tendo feito tudo o que era possível.
Débora lembrou de uma música.
“Pedaço de Mim.”
“Saudade é arrumar o quarto de um filho que já morreu.”
Ela fechou os olhos.
Fez todo o ritual.
Velório.
Enterro.
Despedida.
Mas a dor não obedecia a rituais.
Uma esperança não é uma semente.
É a força que nos move em busca de consistência.
Uma oportunidade perdida, um infortúnio, não tornam a terra infértil.
A terra continua fértil.
A esperança continua debaixo dos nossos pés, esperando novas sementes.
Linda apareceu na porta da floricultura.
— Oi, Débora. Bom dia.
— Oi, Linda...
— Quer conversar? Tomar um café?
— Não, obrigada.
Linda percebeu o peso no silêncio, mas não insistiu.
Débora ergueu os olhos.
— Linda, deixa eu te perguntar uma coisa.
— Diga.
— Você tem filhos?
Linda pensou por alguns segundos.
— Não tenho, infelizmente. Tive um tumor no útero e precisei retirá-lo.
Débora ficou em silêncio.
Linda sorriu, pequeno, quase triste.
— Não se preocupe. Eu nunca quis muito ser mãe. Me contento com minhas sobrinhas.
Débora abaixou os olhos para as flores.
— Às vezes, uma mãe ausente é melhor do que uma mãe ruim presente, né?
— Claro — respondeu Linda, com delicadeza. — A gente pode ter esse desejo, mas não como obrigação. Quando falta algo em nós, às vezes damos aos outros aquilo que gostaríamos de ter recebido: atenção, cuidado, carinho.
Ela sorriu de novo.
— É isso que faço com minhas sobrinhas.
Linda saiu em direção ao ateliê.
Débora ficou sozinha entre as flores.
E, pela primeira vez naquela manhã, percebeu que a terra ainda estava ali.
Esperando.
***
Anton, Guillian e Iago esperaram Clarisse aparecer.
Mas eles entendiam.
Talvez mais do que qualquer pessoa.
Eles não sentiam pena.
Eles não queriam salvá-la.
Eles apenas estavam ali.
Porque eles também tinham suas próprias feridas.
E tinham uns aos outros.
No fim da tarde.
Iago estava na barbearia.
Limpava o balcão distraído.
A porta de entrada abriu.
Uma sombra apareceu.
Ele não percebeu.
Até olhar.
— Meu Deus, menina!
Ele solta o pano.
— Você está cuidando de uma onça em casa?
Clarisse fica parada.
Iago olha melhor.
As faixas.
Os arranhões.
O rosto cansado.
A expressão dele muda.
— Clarisse...
Ele se aproxima.
— Senta aqui.
Pega uma das cadeiras da barbearia.
Ela senta.
Iago aperta o pedal para abaixar a cadeira.
Ela desce lentamente.
Ele percebe o movimento estranho e começa a rir.
— Desculpa.
Ele segura o riso.
— Foi falta de sensibilidade minha.
Pela primeira vez naquele dia, Clarisse esboça um pequeno sorriso.
Iago apoia as mãos no balcão.
— Quer café?
Pausa.
— Água?
Outra pausa.
— Cerveja?
Olha para ela.
— Um incenso? Uma massagem nos pés?
Ele abre os braços.
— Mas fala, menina.
Clarisse olha para a porta.
Anton e Guillian estão ali.
Observando.
Iago percebe.
— Entra aí.
Eles entram.
— Fecha a porta.
Olha para os dois.
— Aconteceu alguma coisa com a Clarisse. Olha essas faixas.
Anton se aproxima devagar.
— Alguém fez isso?
Guillian fica imóvel.
O medo aparece no rosto dela.
Anton também muda a expressão.
Clarisse percebe.
— Não.
Ela balança a cabeça.
— Não foi isso.
Ela respira fundo.
Coloca as mãos sobre os joelhos.
Depois abre as palmas para cima.
As marcas aparecem.
— Eu preciso contar uma coisa.
Silêncio.
— Eu estou com um dilema.
Ela olha para os três.
— Eu vim para São Paulo tentando escapar de uma coisa que eu estava adiando.
Pausa.
— Tem uma pessoa que eu deixei para trás.
Ela engole seco.
— Eu dei um tempo. Fugi da conversa que precisava acontecer.
Anton baixa os olhos.
— Eu achei que estava poupando essa pessoa de sofrer...
Ela respira.
— Mas talvez eu só estivesse sendo covarde.
Silêncio.
— Eu fui egoísta.
As lágrimas começam.
— Eu não queria terminar por telefone. Seria falta de responsabilidade emocional.
Pausa.
— Eu não queria ser uma pessoa ruim.
Ela olha para as mãos.
— Mas eu também fui complacente demais.
Guillian olha para as faixas.
— Mas suas mãos...
A voz dela falha.
— Você brigou com ele?
Clarisse quase ri.
Uma risada triste.
Anton vira o rosto por um instante.
Como se aquela possibilidade tivesse machucado.
— Não.
Clarisse olha para as próprias mãos.
— Não foi ninguém.
Pausa.
— Foram rosas.
Os três ficam em silêncio.
— Hoje de manhã choveu.
Ela tenta respirar.
— A janela ficou aberta. A sala molhou inteira.
Olha para baixo.
— O vaso caiu.
A voz quebra.
— As rosas ficaram destruídas.
Silêncio.
— E eu...
Ela chora.
— Eu pensei...
Pausa.
— Se eu não consigo cuidar de uma planta...
Ela olha para eles.
— Como eu vou conseguir cuidar de filhos?
As lágrimas caem.
— Como eu vou conseguir cuidar de alguém?
Pausa.
— Eu sou um fracasso.
Guillian não espera.
Ela se ajoelha na frente de Clarisse.
Pega as mãos dela.
Coloca contra o rosto.
Uma lágrima cai sobre uma das feridas.
Arde.
Mas Clarisse não tira.
Guillian segura firme.
— Você mostrou seus espinhos para nós, Clarisse.
Ela chora.
— E mesmo com medo...
Sorri entre lágrimas.
— Você veio.
Clarisse lembra da voz de Linda.
"Coragem é isso. Seguir com medo."
Guillian beija delicadamente as mãos machucadas.
Clarisse desaba.
Anton e Iago se olham.
Não precisam dizer nada.
Eles entendem.
Não importa se era uma rosa.
Não importa se para outras pessoas parecia pequeno.
A dor de alguém nunca é pequena para quem sente.
Um coração ferido não se cura com julgamento.
Se cura quando alguém fica.
Os quatro se abraçam.
Clarisse chora como nunca havia chorado.
Mas pela primeira vez...
Não está tentando esconder suas feridas.
Anton olhou para Clarisse.
— Eu vou cancelar sua VIP. Você precisa pensar em você agora. Cuidar dessas feridas, descansar.
— Não! — respondeu Clarisse, seca. — Eu vou à De Leon.
Os dois se encararam.
Silêncio.
Guillian ergueu a mão, como se estivesse se voluntariando.
— Eu cuido de você!
Anton arqueou uma sobrancelha.
— Ah, vá.
— Eu cuido dela, sim. Não duvide.
Anton soltou um sorriso cínico.
Guillian avançou na direção dele.
— Eu consigo!
Iago segurou Guillian pela cintura.
— Ooooh, parô! — disse, tentando conter o riso. Depois se recompôs e olhou para os três. — Quem precisa da gente agora é a Clarisse, né?
Clarisse apenas acenou com a cabeça.
Anton se aproximou dela e tocou levemente seu ombro.
Guillian apontou o dedo para ele, como quem diz: “Você vai ver”.
Iago suspirou dramaticamente.
— Ainda mais hoje, que é sexta-feira. Não sextou pra mim. Estou arrasado.
Guillian olhou para ele.
— Não sextou? Por quê?
Anton e Iago trocaram um olhar.
Nesse momento, Clarisse se levantou. Ao se levantar, uma carteira de cigarros caiu no chão.
Ela se abaixou devagar e a pegou.
— De quem é isso?
O silêncio respondeu antes de qualquer um.
Todos olharam para Guillian.
Iago arregalou os olhos.
— Não é possível, Gui!
Guillian cruzou os braços.
— Foi só um.
Anton olhou para ela, sério.
— Gui.
Iago repetiu, incrédulo:
— Gui!
Ela desviou o olhar.
— Tá bom... foram só dois.
Os dois falaram juntos:
— Gui!
Guillian bufou.
— Tá bom! Foram quatro!
Anton pegou a carteira de cigarros da mão de Guillian.
Por um instante, pareceu que iria jogá-la fora.
Guillian o acompanhou até o banheiro, já preparada para reclamar.
Anton parou diante da porta.
Olhou para a carteira.
Depois olhou para ela.
Silêncio.
Então estendeu a mão.
— Toma.
Guillian ficou sem reação.
— Ué... você não vai jogar fora?
Anton balançou a cabeça.
— Não.
Ela pegou a carteira devagar.
— Como assim, não?
Anton respirou fundo.
— Porque eu não posso decidir por você.
Guillian abaixou os olhos.
Anton continuou, com a voz baixa:
— Isso também dói em mim, Gui. Mas eu prefiro que você escolha parar por você... não porque eu te obriguei.
Guillian ficou alguns segundos em silêncio.
Depois abriu a carteira, tirou um cigarro e o girou entre os dedos.
Ergueu os olhos para Anton, com um sorriso pequeno, quase desafiador.
— Quer fumar comigo?
Anton soltou um riso curto pelo nariz.
Aproximou-se dela.
Tirou o cigarro de sua mão.
Colocou de volta na carteira.
Fechou a tampa.
E a abraçou.
Guillian não resistiu.
Escondeu o rosto no peito dele, como se a provocação tivesse sido apenas um jeito torto de pedir colo.
Anton dá um beijo na testa de Guillian e, em seguida, sente o cheiro dela.
— Tenho que admitir... todos nós estamos cheios.
Guillian olha para os três.
— Bora sextar?
Anton balança a cabeça.
— Não, Gui. Iago está cansado, eu estou cheio... e você...
Guillian interrompe:
— Não somos inimigos do fim?
Iago sorri de leve.
— Hoje somos.
Iago abraça Clarisse e limpa as poucas lágrimas que ainda escorrem pelo rosto dela.
— Me dói ver você assim. Estamos aqui sempre.
Ele dá um beijo nos olhos dela.
— Sábado à noite vamos para De Leon. Anton vai passar nossa música!
Anton arregala os olhos.
— Como assim?
Iago ri.
— E eu vou ficar com uma bebida na mão e o dedinho para cima, com os olhos fechados.
— Não conte minha vibe. Ou, como dizem... vou farmar aura!
Clarisse franze a testa.
— Farmar aura? O que é isso?
Anton responde:
— Lembra dos posers? Eles tomaram poder.
Guillian entra na conversa:
— Eu sei farmar aura!
Anton olha para ela.
— Sim, eu sei como...
— Hã?
— Você sai dançando de olhos fechados quando toca "I Follow Rivers", com aquela cara de menina perdida na balada.
Clarisse sorri.
— Por causa do filme Azul é a Cor Mais Quente?
Guillian abre um sorriso.
— Amo!
Anton aponta para ela.
— Mas não é sua música. É só que, quando toca...
Iago completa:
— Essa música quase causou uma briga na balada. Um rapaz lindo se irritou com a Gui.
Guillian revira os olhos.
— De novo essa história? Eu odeio essa história!
Iago continua:
— Sorte que o segurança viu e expulsou o rapaz. Mas não importa. Acabou bem.
Guillian começa a cantar:
— I, I follow...
I follow you, deep sea, baby.
Anton olha para ela, rindo.
— Nem começou a música e você já está bêbada?
Guillian responde séria:
— Essa música tem teor alcoólico. Você não sabia?
Todos riem.
As risadas vão diminuindo aos poucos, deixando no ar aquela sensação de que, apesar das feridas, o grupo ainda sabia encontrar leveza.
Iago pega o celular do bolso e olha para Clarisse.
— Me passa seu WhatsApp?
Clarisse o encara, desconfiada.
— Pra quê?
Iago finge pensar por alguns segundos.
— Pra eu te mandar uma mensagem perguntando se você pode me passar seu WhatsApp.
Clarisse solta uma risada surpresa.
— Mas você acabou de pedir pessoalmente.
— Exatamente — responde ele, sério demais para a piada. — Imagina o quanto isso vai ficar mais prático pelo WhatsApp.
Anton balança a cabeça, rindo.
— Esse menino não presta.
Guillian aponta para Iago.
— Não presta mesmo. Mas a gente ama.
Clarisse pega o celular e troca contato com Iago.
Ele digita rapidamente e mostra a tela para ela.
— Pronto. Agora você já faz parte do meu círculo íntimo de pessoas que recebem memes ruins às três da manhã.
— Que honra — diz Clarisse, entrando na brincadeira.
Iago guarda o celular no bolso e levanta a caneca vazia.
— E assim a gente combina um esquenta antes da balada. Na De Leon, a gente só mantém o grau aos poucos.
Clarisse sorri.
Era estranho como um gesto tão simples podia deixá-la feliz.
Como se, aos poucos, ela estivesse sendo puxada para dentro de um lugar que ainda não entendia completamente.
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