Sem Evidência também abre com uma lembrança antiga, uma menina em Solares cuja casa a cidade inteira chama de amaldiçoada e uma mãe que muda de um jeito estranho.
capítulo 4: Cronograma extremo.
Pensamento
Sem Evidência também abre com uma lembrança antiga, uma menina em Solares cuja casa a cidade inteira chama de amaldiçoada e uma mãe que muda de um jeito estranho.
Conteúdo da publicação
Meus Caros colegas, o que começou como apenas uma forma impaciente de desmentir calúnias e perguntas insistentes de vocês, virou algo que não consigo nomear. Estava eu, na aula de Teoria política esperando o docente vir para argumentar minha tese. Quando um príncipe, sentou perto de mim e me perguntou qual era o meu ponto de vista da conversa de meus pais, ele leu meus folhetins! Os senhores não tem ideia de como eu fiquei estupefato com isso, eu não tenho vocabulário para dizer como eu fiquei perplexo.
Então respondendo vossa alteza: Eu não tenho ponto de vista. No mesmo dia eu tinha quebrado algumas louças e de castigo, meu pai me ordenou á lavar o chiqueiro, e eu não era fofoqueiro como o Ricardo. Quando ser necessário falarei meu ponto de vista, se eu estiver presente, claro. Todavia, vocês não estão aqui para me ouvir falar sobre minha vida acadêmica, mas sim sobre meus pais.
Depois de toda essa cena da sala, todos os meus irmãos se espalharam pela propriedade. Constance foi para cozinha da casa, junto á Phillips com a Tallulah no colo. A cozinha era uma cozinha normal, uma mesa de madeira escura no centro, um fogão, uma pia... tudo que uma cozinha normal tinha na época, exceto pelo trambolho de metal branco que fazia um zumbido ensurdecedor¹, que a Constance ficou com receio de mexer.
Phillips colocou minha irmã sentada na cadeira, e apontou para dispensa:
— poderia pegar a caixa de primeiros socorros? fica na terceira prateleira a esquerda.
Constance foi a dispensa e pegou a caixa de primeiros socorros, pegou um curativo roxo lilás e foi em direção á Tallulah. Ela se abaixou na altura da Tallulah e colou o curativo.
— Pronto princesa, ficou mais bonita ainda.
Tallulah sorrio.
— A senhora é bem legal, a Samantha dizia que eu tinha que crescer e engolir o choro. Eu posso voltar para o jardim agora? eu quero ver as borboletas. Ela direciona a pergunta para o pai.
— Claro papoula.
Ela pula da cadeira rapidamente, com sorriso no rosto em direção ao lado de fora da casa.
— A senhora é muito boa com crianças — elogiava Phillips.
— O senhor também, mais do que imaginava.
Ele não sorri, mas minha mãe descreve que ele deu uma fungada de satisfação, seja lá o que isso signifique. Mas ele volta para estado normal dele e dá uma tossezinha
— Bem, Miss murdock, creio que a senhora percebeu que eu sou um Homem pontual. E do mesmo jeito que eu sou fora de casa, eu também sou dentro. Então para a senhora não ficar tão perdida, tome isto.
Ele Entrega um papel com uma gramatura grossa, E conteúdo escrito nela provavelmente vai chocá-los:
Primeiro café da manhã ás 7:00
Segundo café da manhã ás 7:30
Estudos das crianças das 8:00 á 11:00
banho 11:30
almoço 12:00
13:00 cochilo
das 13:30 ás 15:44 trabalhos domésticos
16:00 chá
17:00 andar pela propriedade
18:55 banho
19:00 jantar e rádio
20:20 ceia
21:00 descanso.
É difícil acreditar que eu vivi nesse regime por um bom tempo da minha vida. Constance, claro, ficou espantada e ficou olhando para o papel e para o Phillips repetidamente.
— E o tempo de respirar? Isso é todo dia?
— você vai ter tempo de respirar o quanto quiser depois das vinte é uma horas, e exceto os finais de semana e feriados vocês podem dormir depois das vinte e duas.
Constance ri sem graça e de descrença com aquele comentário. Phillips pegava o Relógio de ouro e vê o horário.
— São quinze é dez, daqui á cinquenta minutos e hora do chá, a senhora pode fazer chá e biscoitos?
— Certamente Mr. Winterboure.
Ele acenava a cabeça e saia da cozinha.
— Tinha que ser inglês. Só inglês marca uma hora específica para tomar chá ,se eu tiver que pôr o leite antes do chá, imediatamente me demito...
Ela começou. Com cuidado e paciência, encontrou a chaleira, encheu-a de água e a colocou na boca do fogão. Quando ferveu, pegou um pouco dessa água e aqueceu o bule de porcelana, depois depositou as folhas de chá preto no bule, e em seguida despejando a água quente no bule. Ela praticava esse processo cantarolando baixinho, até ouvir passos atrás de si.
Ela se vira e viu uma garota de treze anos com olhos verdes hortelã ,e com uma expressão de chateação. os cabelos loiros escuros estavam amarrados em um coque arrumadinho, ela estava com os braços cruzados, e em cima do vestido azul turquesa, um avental branco sujo, Era a Renée.
— Algum problema Miss Winterboure?
— A senhora está na minha cozinha.
— Bem, agora é nossa cozinha.
Renée estreita os olhos, descruza os braços, mas fecha os punhos. Constance observa, então proponha algo:
— Tenho uma ideia. Que tal você fazer a massa dos biscoitos e fazer o recheio, e eu modelo a massa e encho eles de recheio?
Ela relaxa as mãos, mas o rosto de poucos amigos continua intacta.
— Desde que a senhora não de pitaco nos meus métodos. Ela se aproxima da bancada.
Ela arregaçou as mangas do vestido, se abaixou e pegou uma tigela. Depois, começou a pegar os ingredientes e a medir milimetricamente com o olhar, com uma concentração aprendida com pai.
Colocou a manteiga amolecida na tigela e acrescentou açúcar. Com uma colher de madeira, misturou os dois até obter uma massa branca e macia. Em seguida, saiu da cozinha e alguns minutos depois, chegou com um ovo fresco do galinheiro e quebrou na tigela, misturando depois com a colher.
Peneirou a farinha aos poucos, misturando até a massa ficar grossa. Quando a colher não era mais o suficiente, começou a trabalhar a massa com as mãos, juntando as partes que grudavam na borda. Seus movimentos eram rápidos e precisos, sem olhar sequer para um livro de receitas.
Ao terminar, examinou a massa com cuidado, esboçando um sorriso tímido de satisfação. Olhando de soslaio para Constance, aproximou a tigela e disse:
— A senhora pode começa a moldar os biscoitos, mas não faça muito grosso.
E Constance começou a moldar os biscoitos e Renée fazia o recheio. Depois Renée inseriu o recheio nos biscoitos, e colocaram para assar.
Constance passa o braço na testa.
— Uff, bom trabalho, me pergunto o porquê do seu pai não ter pedido para cozinheira ter feito isso.
— não temos cozinheira, na verdade não temos nenhum funcionário, exceto o secretário Horátio, os nossos professores particulares e a senhora.
Constance ergue uma sobrancelha.
— Por quê?
— Meu pai diz que é desnecessário. não precisamos de camareira porque temos braços para arrumar nossos quartos, não temos mordomo porque temos mãos para pegar as coisas, não temos cozinheiros porque sabemos cozinhar, não temos lavadeiras porque lavamos a louça, e não temos motorista porque meu pai ainda vai nós ensinar a conduzir. Meu pai nunca gostou da ideia de criar pessoas indolentes...
Renée me contou que Constance oscilava entre a concordância e o estranhamento, agora vocês sabem a origem do porquê sei arrumar um quarto como um camareiro.
Enquanto tinham essa conversa, eu apareci, com cheiro de porco.
— Ei Renée! Me dá um biscoitinho? eu estou morrendo de fome!
— Não é hora de comer, Master Chayenne. Dizia Constance com calma.
Eu olhei para Constance com um ódio, eu era muito mal educado.
— Eu perguntei para ela, não para senhora.
Constance endureceu o rosto
— Se na próxima vez você se dirigir a mim dessa forma, eu vou pessoalmente no escritório do seu pai e peço que ele tome providencias a seu respeito.
rio de forma debochada, só de lembrar me da vergonha.
— E o que pretende fazer, Miss Murdock? dizia em um tom zombeteiro.
Ela olha para baixo, viu que minhas botas estavam imundas de lama e que eu cheirava como um leitão, observou que eu estava cansado e faminto.
— creio eu, que você não vai ficar muito feliz quando sugerir a seu pai dar todo trabalho braçal a você por uma semana como punição.
eu paro de sorrir, boa ameaça mãe.
— A senhora não ousaria.
— Desde que pare de me tratar como escoria, mantenho minha boca calada.
estreito os olhos de raiva.
— Eu não te xingo nem te faço o V com os dedos só porque você é mulher².
Saí da cozinha trotando em fúria.
— Faltam trinta minutos para a hora do chá, seu não tiver tudo pronto meu pai surta. Dizia Renée enquanto tirava os biscoitos do forno.
Então, segundo elas, ouviram um baque muito forte de alguém caindo no chão.
È uma geladeira, não era normal ter isso em 1929, apenas pessoas extremamente ricas adquiriam isso.
É um gesto ofensivo britânico: dois dedos levantados, o indicador e o médio em forma de V, com a palma da mão virada para quem faz o gesto, e não para o outro. Na Inglaterra, na Irlanda e na Austrália ele equivale ao dedo do meio, com o mesmo sentido de “vá para o inferno”.
Detalhe que costuma confundir: com a palma virada para fora, o V vira o sinal de vitória, e foi assim que o Churchill o usou na guerra. A direção da mão muda tudo.
Uma lenda diz que o gesto vem dos arqueiros ingleses na batalha de Azincourt, em 1415, que teriam mostrado os dois dedos aos franceses para provar que ainda podiam atirar.
Thoughts
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PermalinkOxe, banho às 18:55 e jantar às 19:00, cinco minutos pra se enxugar. Esse Phillips cronometrava até a água esquentar 😂
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PermalinkSem Evidência também abre com uma lembrança antiga, uma menina em Solares cuja casa a cidade inteira chama de amaldiçoada e uma mãe que muda de um jeito estranho.
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PermalinkA Renée chamando de minha cozinha, numa casa sem cozinheira, faz sentido: era a dona da casa antes da Constance. A Lisandra avisou que ia desconfiar, essa nem avisa e vai demorar mais pra baixar a guarda.
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PermalinkCuriosidade irrelevante: O "príncipe", é só uma desculpa esfarrapada para eu responder o questionamento do rmoreira89 sobre quando o Chayenne iria começar a ser interrogado pelos seus pontos de vistas, tá ai a resposta.
Te chamei de príncipe, sinta-se honrado.
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Biografia Tenho 43 anos, nasci e cresci na cidade de Embu das Artes, formei-me em História e, atualmente, sou professor de leitura. A literatura é uma das tantas peças do meu ser público tanto quanto é parte dos meus ritos privados. Acho que o mundo gira porque gostamos de uma boa história. Eu gosto, e quis ver como é a outra ponta do livro. Espero que a minha história seja boa. Ela é sombria, de terror, irônica, necessária e visceral.
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