Capítulo — O golpe final contra o deus pagão
A lua iluminava as ruínas do antigo hospital psiquiátrico. O vento soprava entre as colunas partidas, enquanto relâmpagos riscavam o céu. No centro daquele cenário devastado, Dagon erguia sua forma monstruosa, cercado por criaturas infernais e adoradores que ainda acreditavam na vitória de seu falso deus.
No alto de um prédio abandonado, um jovem feiticeiro observava a batalha.
Seu nome era Arcano.
Anos antes, ele havia viajado para Nova York para estudar medicina. Ambicioso e dedicado, acreditava que a ciência poderia responder a todas as perguntas da existência. Até que um acidente terrível o deixou entre a vida e a morte.
Naquele momento, um homem extraordinário salvou sua vida: Stephen Vincent Strange, o Doutor Estranho.
Depois de se recuperar, o jovem tornou-se seu pupilo, aprendendo os segredos das artes místicas e os perigos das dimensões além da realidade. Mas seu destino também o colocou em contato com as energias arcanas de Dormammu. Desde então, carregava dentro de si um poder imenso, tão perigoso quanto fascinante.
Naquela noite, Arcano percebeu que os heróis estavam prestes a ser dominados.
— Mestre Strange... precisamos deles!
Ele ergueu as mãos e traçou um símbolo luminoso no ar.
Uma fenda circular se abriu atrás dele, revelando o interior do Sanctum Sanctorum. Doutor Estranho surgiu do outro lado, com a capa vermelha agitada por uma corrente de vento que não pertencia àquele mundo.
— Eu sabia que você acabaria encontrando problemas maiores do que seus livros de medicina — comentou Strange.
— Desta vez, mestre, os problemas encontraram todos nós.
Strange observou a criatura gigantesca ao longe. Seu semblante ficou sério.
— Dagon. Então é por isso que as barreiras místicas estão ruindo.
Arcano estendeu a mão.
— Vamos!
Os dois atravessaram o portal, entrando diretamente no campo de batalha.
A voz de Galiel
Em meio ao estrondo da batalha, uma voz poderosa atravessou as ruínas. Era Galiel, o anjo de luz que havia acompanhado o nascimento do Guardião da Noite.
— Aquela voz que vocês ouviram não pertence a Astiel! Ele não existe mais! Foi derrotado e destruído pela luz dos nossos guerreiros. Não há retorno para aquele demônio!
O antigo juiz de Israel segurou com firmeza as correntes que trazia consigo, olhando para o monstro.
— Eu conhecia a estátua de Dagom. Conhecia as histórias que os filisteus contavam sobre seu deus. Mas nunca havia visto a verdadeira face do demônio que se escondia por trás daquela adoração!
Ele apontou para a criatura.
— Já enfrentei seus adoradores e conheci a perversidade daqueles que se curvavam diante dele. Hoje, não lutarei por vingança, mas para que essa criatura nunca mais escravize os homens pelo medo!
Dagon soltou um rugido ensurdecedor.
— INSIGNIFICANTE HUMANO! VOCÊ OUSARIA DESAFIAR-ME?
E lançou-se contra o inimigo.
A chegada dos feiticeiros
Sansão foi o primeiro a atingir Dagon, golpeando uma de suas enormes pernas. O monstro cambaleou, destruindo parte das ruínas ao tentar recuperar o equilíbrio.
O Cavaleiro de Deus avançou logo atrás, erguendo seu escudo marcado pela cruz.
— Pela fé, permaneceremos de pé!
Uma onda de energia sombria explodiu diante deles, arremessando pedras e destroços pelo terreno.
Foi então que dois círculos dourados surgiram no ar.
Doutor Estranho atravessou o primeiro portal, seguido por Arcano.
Doutor Estranho girou as mãos, criando múltiplas correntes de energia dourada.
— Arcano, mantenha essas amarras! Vou impedir que ele alcance outra dimensão!
— Entendido, mestre!
A magia dos dois feiticeiros se combinou. A energia arcana de Arcano pulsava em tons azuis e violetas, enquanto os círculos de Strange brilhavam em dourado.
Pela primeira vez, Dagon pareceu compreender que poderia perder.
Mas ainda havia um perigo.
O demônio abriu a boca e lançou uma onda de energia negra contra os heróis.
— ESPALHEM-SE! — gritou Strange.
Todos se lançaram para os lados.
O poder emprestado
Perto de uma coluna destruída, Lo e Bru tentavam escapar das criaturas menores que cercavam o campo de batalha.
Lo segurava sua câmera, embora suas mãos tremessem.
— Bru, me explica uma coisa: por que toda vez que a gente sai para investigar um lugar abandonado aparece alguma coisa que quer nos matar?
— Porque você sempre fala que está tudo tranquilo!
— Eu nunca disse isso!
— Disse, sim!
Uma criatura saltou dos escombros.
Bru soltou um grito e se escondeu atrás de Lo.
— Fala galera... hoje o canal termina aqui!
Antes que o monstro os alcançasse, uma luz atravessou o campo de batalha.
Sarah, a Caminhante da Luz, apareceu entre os dois amigos. Sua asa de filamentos luminosos se abriu atrás dela, iluminando as ruínas.
Ela estendeu a mão para Trice.
— Trice, preciso confiar uma parte do meu poder a você. Não será permanente. Mas poderá proteger seus amigos enquanto esta batalha durar.
Trice olhou para Lo e Bru.
— Faça isso!
Sarah tocou seu peito com a ponta dos dedos.
Uma corrente de luz percorreu o corpo de Trice. Seus olhos brilharam, e filamentos luminosos envolveram seus braços. Uma pequena asa de energia surgiu atrás de seus ombros, enquanto um escudo radiante se formava diante de suas mãos.
Trice se viu como uma super heroína no meio de tantos heróis.
— Você não precisa derrotar Dagon — explicou Sarah. — Sua missão é manter seus amigos vivos.
Trice respirou fundo.
— Então é isso que vou fazer!
Quando as criaturas avançaram, ela ergueu os braços. Uma barreira de luz se abriu ao redor dos três.
Os monstros chocaram-se contra o escudo e foram lançados para trás.
Lo olhou para Trice, espantado.
— Amor... você acabou de fazer isso?
— Depois eu explico!
Bru espiou por trás de Lo.
— Só uma pergunta: esse poder também funciona contra contas atrasadas?
— Bru!
— Foi só uma pergunta!
Apesar do terror, Lo não conseguiu evitar uma breve risada. E, por alguns segundos, a coragem de Trice devolveu esperança aos três.
A última resistência
No centro das ruínas, Dagon rompeu as correntes mágicas e lançou uma onda de choque contra os heróis.
Arcano foi arremessado contra uma parede. Strange tentou conter o impacto com um escudo místico, mas a força da explosão o obrigou a recuar.
O Cavaleiro de Deus ergueu seu escudo diante de Sansão.
— Atrás de mim!
Os dois correram até um antigo mausoléu de pedra, parcialmente destruído, e se abrigaram atrás de sua estrutura.
O chão tremia. Partes do teto desabavam. Dagon avançava, cada vez mais furioso.
— NÃO HÁ ESCONDERIJO QUE POSSA SALVÁ-LOS! EU SOU DAGON! SOU O SENHOR QUE OS HOMENS ADORARAM POR SÉCULOS!
O Cavaleiro de Deus segurou o escudo com uma mão e apertou a cruz que trazia junto ao peito com a outra.
— Não é o tempo de sua adoração que determina sua grandeza. A mentira pode durar séculos, mas continua sendo mentira.
Sansão fechou os olhos por um instante.
Lembrou-se de sua própria história, de suas quedas, de seus erros e do momento em que, aprisionado e humilhado, voltou-se ao Senhor em busca de força.
Quando abriu os olhos, não havia orgulho em seu rosto. Apenas determinação.
— Senhor, dá-nos força para concluir esta batalha!
O Cavaleiro de Deus ajoelhou-se ao seu lado.
— Que a nossa fé permaneça firme até o fim.
Os dois oraram enquanto, do outro lado do mausoléu, os passos de Dagon faziam a terra estremecer.
Então uma luz atravessou as frestas da pedra.
Não era a luz de um feitiço. Não era a energia de Dormammu. Não era uma força que Arcano pudesse controlar.
Era a luz que nascia da fé daqueles que, mesmo diante do impossível, recusavam-se a abandonar a esperança.
O Cavaleiro de Deus ergueu-se primeiro.
— Sansão, chegou a hora!
O antigo juiz assentiu.
O golpe final contra Dagon
Doutor Estranho percebeu a oportunidade.
— Arcano! Precisamos mantê-lo imóvel por alguns segundos!
— Ele está resistindo a tudo o que tenho!
— Então não use apenas sua energia. Concentre-a no símbolo que está abaixo dele!
Arcano compreendeu.
Ele ergueu as mãos e desenhou um enorme selo místico no chão. Strange completou o encantamento, projetando círculos dourados ao redor do símbolo
O Guardião e o Gárgula atacaram juntos, dando mais poder ao ataque, o Guardião usava suas correntes com luzes angelicais, e Gárgula usava suas garras com poder arcano, e isso abalou dagon.
A energia arcana de Dormammu tentou reagir dentro de Arcano, mas o jovem feiticeiro controlou sua força e a direcionou para as amarras mágicas.
Dagon rugiu quando os símbolos começaram a fechar-se ao redor de seu corpo.
— NÃO! EU NÃO SEREI APRISIONADO POR MORTAIS!
A criatura tentou golpear o mausoléu.
Nesse instante, o Cavaleiro de Deus saiu da cobertura, erguendo seu escudo diante do ataque. O impacto fez a pedra rachar, mas ele permaneceu de pé.
Sansão surgiu ao seu lado.
— Agora!
O Cavaleiro avançou, concentrando sua determinação no último movimento. Sansão correu em seguida, usando toda a força que ainda possuía.
Os dois atingiram Dagon ao mesmo tempo.
O escudo do Cavaleiro de Deus brilhou intensamente, enquanto Sansão desferia o golpe final contra a criatura já imobilizada pela magia.
Uma explosão de luz percorreu as ruínas.
Dagon soltou um grito monstruoso. Seus tentáculos se contorceram, sua armadura pétrea rachou e as marcas infernais que cobriam seu corpo começaram a desaparecer.
— EU SOU ETERNO!
A voz de Galiel ecoou acima da batalha.
— Nenhuma criatura é maior do que Aquele que criou todas as coisas!
O corpo gigantesco de Dagon desmoronou.
Uma última onda de energia negra tentou escapar, mas foi envolvida pelos selos de Strange e Arcano. A luz atravessou a escuridão, consumindo os últimos vestígios da manifestação demoníaca.
Então veio o silêncio.
Dagon havia sido derrotado.
Os vigilantes chegam tarde demais
Minutos depois, o som de motores e passos ecoou entre as ruínas.
Os demais Vigilantes da Noite finalmente chegaram.
O Guardião da Noite avançou à frente, com sua capa branca agitada pelo vento. Ao lado dele estavam o Sentinela das Trevas, a Coruja, o Caveira de aço e os outros membros da equipe.
Ao ver o cenário devastado, o Guardião examinou os escombros.
— O que aconteceu aqui?
Arcano, ainda recuperando o fôlego, respondeu:
— Vocês perderam a parte mais difícil.
Doutor Estranho olhou para o jovem feiticeiro.
— E a parte mais perigosa também.
O Sentinela das Trevas observou o lugar onde Dagon havia caído.
Durante esse tempo, Galiel projetava um escudo angelical protegendo a população que dormia sem saber da batalha, somente quem enxergava o sobrenatural podia ver aquilo acontecendo.
— Então aquele era o verdadeiro rosto do demônio que os filisteus adoravam?
Sansão aproximou-se.
— Era uma manifestação dele. Mas o mal que representa é muito mais antigo do que esta batalha.
O Cavaleiro de Deus apoiou a espada junto ao corpo.
— Hoje, porém, ele não venceu.
O Guardião da Noite estendeu a mão para Sansão.
— Seja bem-vindo entre nós, guerreiro.
Sansão apertou sua mão.
— Não lutamos sozinhos. Nunca lutamos sozinhos.
O fim do poder de Trice
Perto dos escombros, Trice sentiu um formigamento nos braços.
Os filamentos luminosos começaram a desaparecer. A pequena asa de energia atrás de seus ombros se desfez em partículas brilhantes, que subiram lentamente para o céu.
Ela olhou para as próprias mãos.
— Sarah... está acabando!
A Caminhante da Luz aproximou-se e segurou suas mãos.
— O poder está voltando para mim. Era apenas um empréstimo, Trice. Você cumpriu sua missão.
Trice olhou para Lo e Bru, que estavam ilesos.
— Eu só queria protegê-los.
Sarah sorriu.
— E foi exatamente o que você fez. A força que recebeu era minha, mas a coragem foi sua.
Lo abraçou Trice.
— Você nos salvou, peido pesa.....!?
Bru aproximou-se dos dois, ainda coberto de poeira.
— E eu gostaria de registrar oficialmente que sou totalmente a favor de nunca mais visitarmos hospitais abandonados!
Todos riram, até mesmo alguns dos guerreiros mais sérios.
O Guardião da Noite observou seus companheiros, aliviado ao perceber que estavam vivos. A batalha havia terminado, mas aquela noite ficaria marcada na memória de todos.
Doutor Estranho abriu um portal para Arcano.
— Temos muito a conversar, meu jovem pupilo.
Arcano olhou uma última vez para as ruínas.
— Principalmente sobre o que aconteceu com a energia de Dagon.
— Exatamente — respondeu Strange. — Porque, se aprendemos alguma coisa esta noite, é que nem todo poder deve ser usado sem conhecer suas consequências.
Os dois atravessaram o portal, que se fechou atrás deles.
Galiel permaneceu por alguns instantes acima das ruínas, como uma silhueta de luz sob a lua. Depois, desapareceu no céu.
Sansão e o Cavaleiro de Deus caminharam juntos para fora do mausoléu. Atrás deles, os Vigilantes da Noite reuniram-se, enquanto Trice seguia ao lado de Lo e Bru.
A batalha havia terminado.
Os heróis haviam vencido.
E, naquela noite, a fé, a coragem e a união tinham prevalecido sobre a escuridão.
Todos se despediram e voltaram para suas vidas.
Lo, Bru e Trice olham as imagens das câmeras, mas nada, só estática, e Lo diz:
— Tivemos a melhor história de todas e nada saiu na gravação...
Bru respondeu:
— Desisto, não quero mais, e que cheiro é esse, e que volume é esse no fundo de sua calça Lo?
— Efeito colateral, derivado de nervosismo, medo, e principalmente dor de barriga nervosa....
Trice e Bru riram e foram embora do local.
FIM DO — A QUEDA DE DAGON