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Capítulo 37: A Sondagem

BELADIA
Pensamento

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Marina

Cobrar juros e correção monetária da própria mãe e no fim ainda oferecer ajuda kkk essa Maraíra é minha favorita demais da conta

Cobrar juros e correção monetária da própria mãe e no fim ainda oferecer ajuda kkk essa Maraíra é minha favorita demais da conta

Conteúdo da publicação

livro (Querida, Sorria!)

A mãe de Maraíra, Marta, uma senhora imponente e impecavelmente vestida, saiu do carro com passos lentos e calculados. Ela caminhou em direção à filha, seguida de perto pela secretária Luiza, que mantinha uma distância exata de dois passos para trás.

Quando parou frente a frente com Maraíra, Marta não hesitou. Ergueu a mão e desferiu dois tapas estalados e violentos no rosto da filha.

O som seco ecoou pelo jardim silencioso. O rosto de Maraíra virou para o lado com o impacto. O ardor floresceu instantaneamente em sua bochecha, espalhando uma queimação aguda sob a pele, acompanhado pelo gosto levemente metálico de sangue onde o dente roçou o interior da boca. Contudo, seu batimento cardíaco apenas oscilou por um instante, estabilizando-se logo em seguida. Onde antes haveria a dor e o desespero de uma filha rejeitada, agora havia apenas uma mulher encarando o abismo criado há muito tempo. Era gelado. Dessa vez, Maraíra pôde ver claramente a verdadeira face daquela mulher inquebrável que chamava de mãe.

Ela girou o rosto de volta e cravou os olhos na matriarca, sem piscar. Observou com atenção a expressão abatida da mãe; mesmo sob a maquiagem pesada, era possível notar as olheiras profundas e o semblante exausto. Maraíra tentou puxar pela memória, mas nunca a vira com um ar tão visivelmente cansado e derrotado.

— Você sempre foi estúpida! — disparou Marta, a voz fria cortando o ar da manhã. — Eu ainda não sei como, mas tenho certeza de que foi você quem roubou o dinheiro do Igor. Ele está prestes a descobrir que foi você. — Ela respirou fundo, recompondo a postura altiva, e ordenou sem olhar para a secretária: — Me traga água.

Luiza assentiu em silêncio, virando-se em direção à cozinha do bangalô. Enquanto isso, um dos seguranças trouxe uma cadeira dobrável e a posicionou no meio do jardim, a poucos metros de onde Maraíra continuava de pé, imóvel.

Marta sentou-se, cruzando as pernas e percorrendo as roupas sujas de jardinagem de Maraíra com um olhar carregado de nojo.

— Você precisa mesmo fazer esse tipo de trabalho braçal? — Ela soltou o ar pesadamente, exalando uma desaprovação.

Maraíra continuou a encará-la em silêncio. Então ela veio por causa do dinheiro, concluiu mentalmente. Não havia preocupação com o divórcio de Pedro ou com o escândalo de Júlia. A visita dizia respeito apenas à fortuna roubada do atual marido, Igor.

— Você é uma idiota, estúpida — continuou Marta, as palavras gotejando arrogância. — Você nem sabe quem é o seu adversário, não é? Acha que pode ficar aqui nesse lugar sozinha? Sem seguranças de verdade, com as mãos sujas de terra, brincando de cuidar de rosas?

— Mãe... — Maraíra tentou falar, a voz perfeitamente controlada, mas foi imediatamente interrompida.

Luiza retornou naquele exato momento, aproximando-se com passos silenciosos, e entregou um copo de água cristalina a Marta.

— Como você ousa me chamar de mãe? — rebateu a matriarca, os olhos duros e desprovidos de qualquer afeto. Ela tomou um gole de água. — Quero que devolva o meu dinheiro. Você não me merece como mãe. Você é um erro.

O insulto, projetado para destruir o psicológico, agora soava quase cômico. Maraíra permitiu que um sorriso de escárnio nascesse nos cantos dos lábios.

— Tecnicamente, o dinheiro é meu — respondeu Maraíra, a voz revestida de diversão sombria, carregada de sarcasmo. — Já que eu fui a primeira a ser roubada nessa fila, não é? A senhora me roubou. O Igor te roubou. E eu apenas peguei de volta o que era meu por direito. Então, o dinheiro é meu. Eu só fiz o resgate com o acréscimo de juros e correção monetária.

Marta estreitou os olhos, os dedos apertando o copo de vidro.

— Então você admite que roubou?

Maraíra ignorou a pergunta, inclinando a cabeça levemente, e atacou diretamente na ferida exposta da matriarca.

— Vai continuar casada com o Igor depois de tudo que soube?

— Meu casamento não te diz respeito! — disparou Marta, levantando-se abruptamente, a máscara de controle rachando por uma fração de segundo. — Você tem até o final do mês para me devolver o meu dinheiro. E acredite, eu estou sendo generosa. Você não tem a menor ideia de com quem está lidando.

Marta entregou o copo de água vazio nas mãos da secretária e virou as costas, caminhando firmemente em direção ao carro blindado.

— Mãe, se precisar, pode pedir ajuda a mim — disse Maraíra, a voz serena cortando a distância.

Marta parou de caminhar por um momento. Sem olhar para trás, a postura rígida denunciando o orgulho ferido, ela apenas ordenou:

— Vamos embora. Já fiz o que precisava fazer.

Rapidamente, Luiza pegou o copo. Ao passar por Maraíra em direção à saída, os olhares das duas amigas de infância se cruzaram por um milésimo de segundo. Com uma piscada imperceptível, Luiza deslizou a mão e, de forma dissimulada, transferiu o copo de vidro para as mãos de Maraíra antes de seguir a matriarca.

Thoughts

  • Marina

    Cobrar juros e correção monetária da própria mãe e no fim ainda oferecer ajuda kkk essa Maraíra é minha favorita demais da conta

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  • vqueiroz90

    Rapaz, o copo. A Marta bebeu tudo, apertou o vidro com os dedos e a Luiza ainda passou ele direto pra Maraíra. Digital ou saliva, isso vira prova contra a matriarca antes do fim do mês.

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