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Capítulo 31: São Paulo

BELADIA
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livro ( Querida, Sorria!)

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NunoParreira

O Fábio diz que ela não precisa de salvador e logo a seguir manda o advogado ajudá-la às escondidas e deitar o Pedro à falência. Fiquei com a ideia de que ele também está a decidir por ela, só que com mais maneiras do que o marido. Aposto que quando a Mar

O Fábio diz que ela não precisa de salvador e logo a seguir manda o advogado ajudá-la às escondidas e deitar o Pedro à falência. Fiquei com a ideia de que ele também está a decidir por ela, só que com mais maneiras do que o marido. Aposto que quando a Maraíra souber não vai agradecer.

Conteúdo da publicação

livro ( Querida, Sorria!)

Em seu escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o coração financeiro e pulsante da América Latina, Fábio acabara de concluir duas reuniões a portas fechadas. O ambiente era um santuário de poder e isolamento acústico: o piso de nogueira maciça abafava os passos, e as imensas janelas panorâmicas de vidro duplo ofereciam uma vista privilegiada para a selva de arranha-céus, helipontos e o tráfego incessante da metrópole cinzenta.

Os homens que haviam acabado de deixar a sala não eram executivos do agronegócio. O primeiro fora um investigador particular de elite, encarregado de desvendar os detalhes sobre o mistério que envolvia Maraíra; o segundo, um negociador implacável, profundo conhecedor dos bastidores corporativos de Pedro, o marido dela.

Os relatórios confirmaram o que Fábio já temia: Maraíra trilhava um caminho extremamente perigoso e solitário. Ela estava orquestrando um processo de divórcio litigioso contra um homem que, embora tentasse manter a fachada de um empresário legítimo, possuía um histórico agressivo e brutal em questões que envolviam disputas de capital. Se Pedro era violento quando o assunto era dinheiro nos negócios, esse padrão de controle e retaliação certamente se refletia no ambiente doméstico.

Fábio passou as mãos pelos cabelos escuros e deixou-as repousar nos bolsos da calça de alfaiataria. Parado diante da ampla janela, observou a vastidão da avenida lá embaixo, sentindo o peito pesar. Parte dele — a parte mais instintiva e protetora — desejava que ela simplesmente o procurasse. Queria que Maraíra apoiasse a cabeça em seu ombro e pedisse ajuda. Ele resolveria o divórcio, esmagaria os problemas contratuais, seria seu escudo, seu lutador e seu segurança contra quaisquer ameaças. Algo que ele ainda não ousava dizer em voz alta, mas que em sua mente ecoava com clareza absoluta: ele amava aquela mulher. Amava-a desde a primeira vez que a vira, há anos. E, hoje, no presente, estaria ali para ela. Ajudaria a reconstruir a vida de Maraíra, mesmo que o futuro dela não fosse ao seu lado.

No entanto, a realidade era outra. Ela estava naquele bangalô isolado há tanto tempo, suportando tudo em silêncio. Havia viajado para os Estados Unidos para resolver as próprias pendências e fora a arquiteta da cortina de fumaça que agora incendiava as redes sociais contra a própria família. Maraíra não precisava de um salvador.

Fábio suspirou lentamente. Uma pergunta ancorou-se em seus ombros com o peso do aço: Como ajudá-la se ela não pediu socorro? Como protegê-la sem ultrapassar os limites e ofender sua independência? A resposta era simples. Mesmo que ela não soubesse, mesmo que ela jamais pedisse, ele estaria lá. Ele seria a força invisível garantindo que ela não caísse.

Caminhando de volta à imponente mesa de mármore negro, Fábio apertou o botão do interfone e acionou a secretária.

— Chame o Felipe. Agora.

Minutos depois, um homem de meia-idade, cabelos grisalhos e postura inabalável entrou na sala. Felipe era o advogado sênior de Fábio, especialista em litígios corporativos destrutivos.

Fábio deslizou um envelope pardo fechado sobre a superfície fria da mesa.

— Quero discrição absoluta — ordenou Fábio, o tom de voz assumindo a frieza de um comandante em guerra. — Descubra qual é a banca de advogados que Maraíra contratou para o divórcio. Quero que você atue nas sombras, fornecendo informações, precedentes e recursos ilimitados à equipe dela. O objetivo principal é garantir que ela ganhe esse processo e saia ilesa.

Felipe assentiu, pegando o envelope.

— E quanto ao marido?

— Quero que ele perca tudo — sentenciou Fábio, os olhos escuros fixos no advogado. — Assim que o divórcio for assinado e o nome de Maraíra não estiver mais associado ao dele, inicie uma ofensiva. Pulverize as ações, sufoque as linhas de crédito e asfixie os negócios que estiverem em posse dele. Tudo em caráter estritamente confidencial. Ela não pode saber que está sendo ajudada.

— Entendido, senhor. Será feito. — Felipe levantou-se e saiu da sala com a mesma eficiência silenciosa com que entrara.

Sozinho novamente, Fábio pegou o celular e abriu o aplicativo de mensagens criptografadas. Leu o último relatório de Arthur e digitou a resposta, estabelecendo as diretrizes de segurança no interior:

Não precisa rastrear. Deixe o local seguro para ela, sem que perceba. Não ultrapasse os limites.

Fábio conhecia bem a natureza de homens narcisistas e covardes. Sabia perfeitamente qual seria a reação de Pedro quando percebesse que estava perdendo o controle da mulher e do dinheiro simultaneamente: ele tentaria ameaçá-la fisicamente. E Fábio, mesmo a centenas de quilômetros de distância, não permitiria que ninguém encostasse um dedo em Maraíra.

 

 

 

 

 

Thoughts

  • Oliviamar

    Desta vez o fim assustou-me mais do que me acalmou. O Pedro vai perceber de onde vem o golpe antes da Maraíra.

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  • NunoParreira

    O Fábio diz que ela não precisa de salvador e logo a seguir manda o advogado ajudá-la às escondidas e deitar o Pedro à falência. Fiquei com a ideia de que ele também está a decidir por ela, só que com mais maneiras do que o marido. Aposto que quando a Maraíra souber não vai agradecer.

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