O silêncio tomou conta da escadaria.
Helena continuava olhando para Amara.
— Ela acordou... — repetiu. — Quem é ela?
Amara não respondeu.
Seu rosto havia perdido completamente a expressão tranquila que mantivera até aquele momento.
— Precisamos subir.
— Não.
Helena segurou o braço de Amara.
— Você vai me contar a verdade.
Amara olhou para a mão de Helena.
Depois para seus olhos.
— Você ainda não está pronta.
— Eu já ouvi isso duas vezes!
A voz de Helena ecoou pela escadaria.
— Primeiro você disse que eu estive aqui. Depois disse que eu mesma pedi para esquecer. Agora está dizendo que existe uma sétima lua que eu matei!
Amara permaneceu imóvel.
— Eu não matei ninguém.
— Eu sei.
— Então por que disse aquilo?
— Porque algumas verdades precisam ser descobertas, não contadas.
Um barulho veio do andar de cima.
Toc... toc... toc...
Helena olhou para o teto.
— Nox.
Amara assentiu.
— Ele está tentando avisar você.
— Avisar sobre o quê?
Antes que Amara pudesse responder, todas as velas da escadaria se acenderam novamente.
Mas dessa vez a luz era azul.
Uma névoa começou a subir pelos degraus.
Helena recuou.
Dentro da névoa surgiu uma pequena silhueta.
Uma menina.
Ela parecia ter aproximadamente oito anos.
Vestia um vestido branco.
Seus cabelos eram longos e escuros.
Helena ficou imóvel.
Era a mesma criança que havia visto em sua visão.
A menina levantou a cabeça.
E sorriu.
— Helena.
Helena sentiu os olhos encherem de lágrimas.
— Você...
Amara segurou sua mão.
— Não vá até ela.
A menina inclinou a cabeça.
— Por quê, Amara?
Amara ficou pálida.
— Você não deveria conseguir falar com ela.
A menina sorriu.
— Eu sempre consegui.
Helena olhou para Amara.
— Você conhece essa criança?
Amara respondeu:
— Conheço.
— Quem ela é?
A menina respondeu antes de Amara:
— Eu sou você.
Helena sentiu um arrepio.
— Isso não é possível.
— Nesta casa, é.
A menina deu um passo à frente.
A névoa se afastou de seus pés.
— Você se esqueceu de mim.
— Eu não sei quem você é.
— Sabe sim.
A menina levantou a mão.
Uma pequena lua negra apareceu na palma de sua mão.
Helena imediatamente sentiu uma dor forte na cabeça.
Imagens começaram a surgir.
A mansão.
As sete mulheres.
Uma enorme sala circular.
Um círculo desenhado no chão.
Helena, ainda criança, estava no centro.
Amara chorava.
Selene gritava.
Morgana segurava uma espada.
Eva estava ajoelhada.
E uma sétima mulher estava diante de Helena.
Seu rosto estava escondido por um véu.
Helena ouviu sua própria voz:
— Eu não quero fazer isso.
A mulher respondeu:
— Você precisa.
Então tudo ficou escuro.
Helena voltou à realidade gritando.
Amara a segurou antes que ela caísse.
— O que aconteceu?
Helena respirava com dificuldade.
— Eu vi...
— O quê?
— Uma cerimônia.
Amara fechou os olhos.
— Então começou.
— Começou o quê?
A menina continuava parada alguns metros à frente.
Ela observava Helena com tristeza.
— A lembrança.
Helena olhou para ela.
— Você sabe o que aconteceu naquela noite?
A menina assentiu.
— Eu estava lá.
— Quem é você?
A menina respondeu:
— Meu nome era Lua.
Amara fechou os olhos.
Helena sentiu o coração apertar.
— Era?
A menina sorriu tristemente.
— Porque você me matou.
— Não!
Helena deu um passo para trás.
— Eu não faria isso.
— Você fez.
— Por quê?
Lua apontou para o peito de Helena.
— Porque precisava me colocar dentro de você.
Helena levou a mão ao peito.
Sentiu algo bater.
Não era seu coração.
Era outra coisa.
Tum.
Tum.
Tum.
A menina começou a desaparecer.
— Espere!
Helena tentou alcançá-la.
— Quem colocou você dentro de mim?
Lua sorriu.
— Ele.
— Quem?
A menina desapareceu.
E, no mesmo instante, uma voz masculina surgiu atrás de Helena.
— Eu.
Helena virou-se.
No final da escadaria estava a criatura sem rosto.
O Homem das Sombras.
Seu corpo parecia feito de fumaça.
Amara imediatamente colocou Helena atrás de si.
— Você não pode entrar aqui.
A criatura respondeu:
— Eu posso entrar onde ela estiver.
Helena olhou para Amara.
— Você conhece ele?
— Sim.
— Quem é ele?
O Homem das Sombras deu um passo.
— Alguém que você já amou.
Helena ficou imóvel.
— Eu nunca vi você.
A criatura inclinou a cabeça.
— Não nesta vida.
O coração de Helena acelerou.
— O que você quer?
Ele respondeu:
— Quero devolver aquilo que você perdeu.
— O quê?
A criatura apontou para o peito dela.
— A Sétima Lua.
Helena sentiu novamente aquela presença dentro de si.
Tum.
Tum.
Tum.
Amara segurou sua mão.
— Não escute.
— Por quê?
— Porque ele está mentindo.
O Homem das Sombras respondeu:
— Ela sabe que não estou.
Amara ficou em silêncio.
Helena olhou para os dois.
— Então me digam a verdade!
As paredes da mansão começaram a tremer.
Os retratos das seis mulheres apareceram no corredor.
Amara.
Selene.
Morgana.
Isolde.
Luna.
Eva.
Todas estavam olhando para Helena.
Então, lentamente, um sétimo retrato começou a surgir na parede.
A pintura estava coberta por um tecido negro.
Helena aproximou-se.
— É ela?
Amara sussurrou:
— Sim.
Helena puxou o tecido.
Por baixo havia o retrato de uma mulher.
Era mais velha que Helena.
Mais velha que Amara.
Seus olhos eram exatamente iguais aos de Helena.
E no pescoço havia uma lua negra.
Helena tocou a pintura.
Uma lágrima escorreu pelo rosto da mulher retratada.
E uma frase apareceu escrita abaixo:
“A Sétima Lua nunca morreu.”
Helena recuou.
— Então onde ela está?
O Homem das Sombras respondeu:
— Dentro de você.
As luzes se apagaram.
E, no escuro, Helena ouviu uma voz dentro de sua própria cabeça.
Uma voz que era exatamente igual à sua.
— Finalmente você descobriu meu nome.