Helena não conseguiu dormir.
Depois da revelação, ninguém ousou falar com ela.
Ela caminhou sozinha pelos corredores.
Até encontrar uma porta entreaberta.
Entrou.
Era um quarto infantil.
Havia brinquedos antigos.
Uma cama pequena.
E na parede havia desenhos.
Helena se aproximou.
Um deles mostrava sete mulheres.
Outro mostrava um gato preto.
E o último mostrava uma menina segurando a mão de uma mulher.
Abaixo estava escrito:
“Helena e mamãe.”
Helena tocou o desenho.
E tudo desapareceu.
Ela estava novamente na floresta.
Tinha oito anos.
Sua mãe estava caída no chão.
— Mamãe!
Helena corria até ela.
— Mamãe, acorda!
A mulher abriu os olhos.
— Helena...
— Não me deixa!
A mãe segurou seu rosto.
— Você precisa fugir.
— Não!
— Eles estão vindo.
— Quem?
A mãe olhou para a floresta.
— As Luas.
Helena começou a chorar.
— Eu posso salvar você.
— Não pode.
— Posso!
A pequena Helena correu.
Encontrou a mansão.
Entrou.
As Sete Luas estavam esperando.
Amara aproximou-se.
— Você voltou.
— Salvem minha mãe!
Selene se ajoelhou.
— Não podemos.
— Então façam alguma coisa!
Morgana olhou para as outras.
— Existe uma maneira.
Amara balançou a cabeça.
— Não.
Morgana respondeu:
— Ela já sabe.
Helena olhou para elas.
— O que eu preciso fazer?
Isolde colocou uma pequena lâmina sobre a mesa.
— Dar uma parte de si.
Helena pegou a lâmina.
— Quanto?
— Tudo.
A pequena Helena segurou a lâmina.
— Se eu fizer isso, minha mãe vive?
Amara começou a chorar.
— Sim.
Helena cortou a própria mão.
Uma gota de sangue caiu no círculo.
As sete luas apareceram no teto.
A sala inteira começou a tremer.
Então uma mulher surgiu atrás dela.
A Sétima Lua.
Helena a encarou.
— Você vai salvar minha mãe?
A mulher respondeu:
— Vou salvar vocês duas.
Ela tocou o peito da menina.
A luz desapareceu.
Helena acordou no chão.
Estava chorando.
Nox estava ao lado dela.
— Você lembrou.
Helena levantou-se.
— Minha mãe morreu naquela noite.
Nox assentiu.
— E eu também.
O gato ficou imóvel.
— O quê?
Helena olhou para ele.
— Eu morri.
Nox não respondeu.
— Meu corpo morreu.
— Sim.
— Então quem sou eu agora?
Nox baixou a cabeça.
— Essa é a pergunta que você precisa responder.
Helena sentiu o peito queimar.
Uma marca negra apareceu em sua pele.
E uma voz disse:
— Você não é a menina que sobreviveu.
Helena fechou os olhos.
— Então quem sou?
A voz respondeu:
— Você é aquela que voltou.