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Neithan...

Seraphine

Conteúdo da publicação

Assim que terminei de comer, empurrei a cadeira para trás, fazendo um barulho um pouco mais alto do que o necessário contra o chão. Limpei a boca com o guardanapo e o deixei sobre a mesa, sem me importar muito com a organização. Eu só queria sair dali. Aquele almoço tinha sido estranho demais, e o silêncio entre mim, Eithan e as duas recém-chegadas estava começando a me irritar.

— Com licença.

murmurei sem esperar resposta, levantando-me da mesa.

Segui pelo corredor em direção à sala, com as mãos nos bolsos e a expressão fechada de sempre. A casa parecia grande demais quando estava silenciosa daquele jeito. Meus passos ecoavam pelo chão, e eu conseguia ouvir apenas o leve ruído do vento batendo contra as janelas.

Quando cheguei à sala, me joguei no sofá e apoiei a cabeça no encosto, soltando um suspiro demorado.

— Finalmente... um pouco de paz.

Passei uma das mãos pelo rosto e fiquei olhando para o teto. Eithan provavelmente ainda estava com a filha da cuidadora, tentando ser simpático como sempre fazia. Meu irmão tinha essa mania irritante de agir como se todas as pessoas do mundo fossem suas amigas em potencial.

Revirei os olhos só de pensar.

— Parece até que conhece a garota há anos...

resmunguei baixinho.

Cruzei os braços e virei o rosto na direção da janela. A luz do sol iluminava parte da sala, mas, por algum motivo, senti um arrepio estranho percorrer minha nuca. Franzi a testa e me ajeitei no sofá, olhando para o corredor vazio.

Eu conhecia aquela sensação.

Não era medo. Pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo. Era apenas uma impressão incômoda, como se houvesse alguma coisa por perto, observando cada movimento meu.

— Ah, qual é... não começa com isso agora.

murmurei, irritado comigo mesmo.

Fechei os olhos por alguns segundos, tentando ignorar a sensação. Foi quando ouvi vozes distantes vindas do jardim. Reconheci a voz de Eithan quase imediatamente, seguida por uma risada suave que, suponho, pertencia à filha da cuidadora.

Abri os olhos e encarei o teto novamente.

— Inacreditável. O sujeito não consegue ficar cinco minutos sem puxar conversa.

Levantei-me do sofá, decidido a ir até a janela e descobrir o que os dois estavam fazendo. Caminhei até ela e afastei discretamente a cortina, observando o jardim.

Lá estavam eles, sentados em um dos bancos, conversando como se fossem velhos conhecidos.

Meu olhar se demorou por alguns segundos na garota. Eu ainda não entendia o que havia de tão especial nela para fazer meu irmão agir daquele jeito. Desde que ela chegara à casa, alguma coisa parecia diferente, embora eu não conseguisse identificar exatamente o quê.

Soltei a cortina de uma vez.

— Tanto faz. Não é problema meu.

Voltei para o sofá, mas, antes que pudesse me sentar, ouvi um ruído vindo do corredor.

Virei a cabeça imediatamente.

— Tem alguém aí?

Silêncio.

Fiquei parado, encarando a entrada da sala. A cuidadora provavelmente estava ocupada em algum lugar da casa, e Eithan continuava no jardim. Pelo que eu sabia, éramos os únicos ali.

Então, de onde tinha vindo aquele barulho?

Cerrei o maxilar, irritado com aquela situação absurda.

— Se isso for alguma brincadeira idiota do Eithan, eu juro que...

Interrompi a frase quando percebi que a temperatura da sala parecia ter diminuído. Olhei para a janela fechada e depois para o corredor, sentindo aquela presença estranha novamente.

Dessa vez, porém, não desviei o olhar.

— Tem alguma coisa errada nesta casa...

sussurrei, quase sem perceber que havia falado em voz alta..

Eu só precisava descobrir o que era aquilo na casa.

E, se dependesse de mim, não descansaria enquanto não encontrasse uma resposta.

Thoughts

  • Simao

    Epá, a sala a arrefecer com a janela fechada é sempre mau sinal. Aposto que a cuidadora sabe mais do que diz.

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  • meiaTarde

    O Neithan diz que não é medo e cada vez acredito menos. Parece-me que o que o incomoda mesmo é o irmão lá fora no banco com a rapariga, e a casa só vem depois.

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