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Capítulo 3 — A Sétima Lua

SamanthaBruxa

Conteúdo da publicação

O silêncio tomou conta da escadaria.

Helena continuava olhando para Amara.

— Ela acordou... — repetiu. — Quem é ela?

Amara não respondeu.

Seu rosto havia perdido completamente a expressão tranquila que mantivera até aquele momento.

— Precisamos subir.

— Não.

Helena segurou o braço de Amara.

— Você vai me contar a verdade.

Amara olhou para a mão de Helena.

Depois para seus olhos.

— Você ainda não está pronta.

— Eu já ouvi isso duas vezes!

A voz de Helena ecoou pela escadaria.

— Primeiro você disse que eu estive aqui. Depois disse que eu mesma pedi para esquecer. Agora está dizendo que existe uma sétima lua que eu matei!

Amara permaneceu imóvel.

— Eu não matei ninguém.

— Eu sei.

— Então por que disse aquilo?

— Porque algumas verdades precisam ser descobertas, não contadas.

Um barulho veio do andar de cima.

Toc... toc... toc...

Helena olhou para o teto.

— Nox.

Amara assentiu.

— Ele está tentando avisar você.

— Avisar sobre o quê?

Antes que Amara pudesse responder, todas as velas da escadaria se acenderam novamente.

Mas dessa vez a luz era azul.

Uma névoa começou a subir pelos degraus.

Helena recuou.

Dentro da névoa surgiu uma pequena silhueta.

Uma menina.

Ela parecia ter aproximadamente oito anos.

Vestia um vestido branco.

Seus cabelos eram longos e escuros.

Helena ficou imóvel.

Era a mesma criança que havia visto em sua visão.

A menina levantou a cabeça.

E sorriu.

— Helena.

Helena sentiu os olhos encherem de lágrimas.

— Você...

Amara segurou sua mão.

— Não vá até ela.

A menina inclinou a cabeça.

— Por quê, Amara?

Amara ficou pálida.

— Você não deveria conseguir falar com ela.

A menina sorriu.

— Eu sempre consegui.

Helena olhou para Amara.

— Você conhece essa criança?

Amara respondeu:

— Conheço.

— Quem ela é?

A menina respondeu antes de Amara:

— Eu sou você.

Helena sentiu um arrepio.

— Isso não é possível.

— Nesta casa, é.

A menina deu um passo à frente.

A névoa se afastou de seus pés.

— Você se esqueceu de mim.

— Eu não sei quem você é.

— Sabe sim.

A menina levantou a mão.

Uma pequena lua negra apareceu na palma de sua mão.

Helena imediatamente sentiu uma dor forte na cabeça.

Imagens começaram a surgir.

A mansão.

As sete mulheres.

Uma enorme sala circular.

Um círculo desenhado no chão.

Helena, ainda criança, estava no centro.

Amara chorava.

Selene gritava.

Morgana segurava uma espada.

Eva estava ajoelhada.

E uma sétima mulher estava diante de Helena.

Seu rosto estava escondido por um véu.

Helena ouviu sua própria voz:

— Eu não quero fazer isso.

A mulher respondeu:

— Você precisa.

Então tudo ficou escuro.

Helena voltou à realidade gritando.

Amara a segurou antes que ela caísse.

— O que aconteceu?

Helena respirava com dificuldade.

— Eu vi...

— O quê?

— Uma cerimônia.

Amara fechou os olhos.

— Então começou.

— Começou o quê?

A menina continuava parada alguns metros à frente.

Ela observava Helena com tristeza.

— A lembrança.

Helena olhou para ela.

— Você sabe o que aconteceu naquela noite?

A menina assentiu.

— Eu estava lá.

— Quem é você?

A menina respondeu:

— Meu nome era Lua.

Amara fechou os olhos.

Helena sentiu o coração apertar.

— Era?

A menina sorriu tristemente.

— Porque você me matou.

— Não!

Helena deu um passo para trás.

— Eu não faria isso.

— Você fez.

— Por quê?

Lua apontou para o peito de Helena.

— Porque precisava me colocar dentro de você.

Helena levou a mão ao peito.

Sentiu algo bater.

Não era seu coração.

Era outra coisa.

Tum.

Tum.

Tum.

A menina começou a desaparecer.

— Espere!

Helena tentou alcançá-la.

— Quem colocou você dentro de mim?

Lua sorriu.

— Ele.

— Quem?

A menina desapareceu.

E, no mesmo instante, uma voz masculina surgiu atrás de Helena.

— Eu.

Helena virou-se.

No final da escadaria estava a criatura sem rosto.

O Homem das Sombras.

Seu corpo parecia feito de fumaça.

Amara imediatamente colocou Helena atrás de si.

— Você não pode entrar aqui.

A criatura respondeu:

— Eu posso entrar onde ela estiver.

Helena olhou para Amara.

— Você conhece ele?

— Sim.

— Quem é ele?

O Homem das Sombras deu um passo.

— Alguém que você já amou.

Helena ficou imóvel.

— Eu nunca vi você.

A criatura inclinou a cabeça.

— Não nesta vida.

O coração de Helena acelerou.

— O que você quer?

Ele respondeu:

— Quero devolver aquilo que você perdeu.

— O quê?

A criatura apontou para o peito dela.

— A Sétima Lua.

Helena sentiu novamente aquela presença dentro de si.

Tum.

Tum.

Tum.

Amara segurou sua mão.

— Não escute.

— Por quê?

— Porque ele está mentindo.

O Homem das Sombras respondeu:

— Ela sabe que não estou.

Amara ficou em silêncio.

Helena olhou para os dois.

— Então me digam a verdade!

As paredes da mansão começaram a tremer.

Os retratos das seis mulheres apareceram no corredor.

Amara.

Selene.

Morgana.

Isolde.

Luna.

Eva.

Todas estavam olhando para Helena.

Então, lentamente, um sétimo retrato começou a surgir na parede.

A pintura estava coberta por um tecido negro.

Helena aproximou-se.

— É ela?

Amara sussurrou:

— Sim.

Helena puxou o tecido.

Por baixo havia o retrato de uma mulher.

Era mais velha que Helena.

Mais velha que Amara.

Seus olhos eram exatamente iguais aos de Helena.

E no pescoço havia uma lua negra.

Helena tocou a pintura.

Uma lágrima escorreu pelo rosto da mulher retratada.

E uma frase apareceu escrita abaixo:

“A Sétima Lua nunca morreu.”

Helena recuou.

— Então onde ela está?

O Homem das Sombras respondeu:

— Dentro de você.

As luzes se apagaram.

E, no escuro, Helena ouviu uma voz dentro de sua própria cabeça.

Uma voz que era exatamente igual à sua.

— Finalmente você descobriu meu nome.

Thoughts

  • NunoParreira

    A frase debaixo do retrato fez-me voltar atrás. Se a Sétima Lua nunca morreu, ou a menina mente quando diz que foi morta, ou são duas coisas diferentes com o mesmo nome. Inclino-me para a segunda, e a mulher mais velha do quadro, com os olhos da Helena, parece-me ser ela daqui a uns anos.

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  • MargemDaPagina

    A Lua diz que a Helena a matou para a pôr dentro de si, e logo a seguir o Homem das Sombras diz que quer devolver aquilo que ela perdeu. São duas versões da mesma noite e nenhuma vem de alguém inteiro: uma menina que diz estar morta, um homem feito de fumo.

    A Amara é a única testemunha de carne e osso e é a que menos fala. Ponho as minhas fichas nela: a verdade vai sair da Amara, e vai sair tarde.

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O silêncio tomou conta da escadaria.

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