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Capítulo 26: Cabana

BELADIA
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livro (trinta dias para última lua)

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cadernoDeMargem

Aquele cuidado de tirar a mecha do rosto dela sem acordar, com o braço já virando pedra, ficou comigo. Um vampiro andando na ponta do pé dentro de uma cabana emprestada e minutos depois descobrindo fome pela primeira vez. Me lembra as histórias em que a c

Aquele cuidado de tirar a mecha do rosto dela sem acordar, com o braço já virando pedra, ficou comigo. Um vampiro andando na ponta do pé dentro de uma cabana emprestada e minutos depois descobrindo fome pela primeira vez. Me lembra as histórias em que a criatura vai virando gente pelo caminho errado, sem pedir licença, e quando nota já não tem volta. E o gosto doce da fruta pegando ele de surpresa, isso me deixou com dó e com vontade de rir ao mesmo tempo!

Conteúdo da publicação

livro (trinta dias para última lua)

Luiz acordou com uma dor latejante por todo o corpo. Ele piscou mais de uma vez; a claridade entrava pelas frestas da cabana. Estava deitado em uma cama improvisada de palha no canto do cômodo, e Hadria também dormia profundamente ao seu lado. Quem será que nos colocou aqui?, pensou Luiz, lembrando-se de que, antes de tudo apagar, estava  no chão frio e Hadria não estava na cabana.

Ele a encarou por um longo momento. A mulher de suas visões era parecida com Hadria... Será que o sangue de Hadria estava revelando o passado sombrio? Luiz tinha muitas perguntas em mente; as memórias da visão estavam voltando aos poucos, e ele tentava ordenar os pensamentos, absorvendo todos os acontecimentos. Hadria dormia pesadamente; os cabelos longos estavam soltos, espalhados por cima do braço de Luiz. Ele se moveu com cuidado para não acordá-la. Ele tinha tantas perguntas para ela: Onde ela estava? O que estava fazendo? Hadria sabia a sua origem? Como seria difícil para ela saber do sacrifício que sua mãe fizera... Estendeu a mão em direção ao rosto da menina, arrumou uma mecha que caía sobre a testa dela e a puxou com cuidado para o lado. Continuou a observá-la dormir por um momento antes de se levantar com cautela para não acordá-la.

O corpo de Luiz costumava se curar rápido, mas, como a petrificação avançava pelo seu braço, seu fator de cura imortal estava severamente comprometido. A dor vinha e ia embora; embaixo da pele de suas mãos, parecia haver algo pegajoso crescendo e se alastrando. Seu coração batia forte e descompensado — esses batimentos descoordenados eram um mistério para ele —, até que começou a sentir o cheiro de comida, e seu estômago roncou alto. Luiz, que estava em pé na cabana, colocou a mão na barriga e achou aquela reação bizarra. Ele estava com fome? Vampiros nunca comiam nada além de sangue. Será que estou mesmo tendo uma reação humana? Estou com fome? Alguma coisa muito errada estava acontecendo com ele, constatou, atônito, quando sua barriga roncou novamente.

Ele foi em direção a uma mesa improvisada perto da parede. Havia frutas e uma panela com um caldo cujo conteúdo Luiz não soube identificar, mas que exalava um cheiro muito bom. Ele levou uma fruta à boca e sentiu o gosto; era doce. Por impulso, começou a comer tudo o que estava sobre a mesa. Sentiu uma satisfação enorme após a refeição, um sentimento que nunca havia experimentado.

 

Thoughts

  • romanceNasCostas

    Véi, ele passou o capítulo inteiro olhando ela dormir e arrumando o cabelo dela, e ainda acha que o estranho é a fome 😅 Quando é que ele vai contar pra Hadria o que viu no sangue dela?

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  • poeta93

    Fome. Ele tá com fome!

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  • cadernoDeMargem

    Aquele cuidado de tirar a mecha do rosto dela sem acordar, com o braço já virando pedra, ficou comigo. Um vampiro andando na ponta do pé dentro de uma cabana emprestada e minutos depois descobrindo fome pela primeira vez. Me lembra as histórias em que a criatura vai virando gente pelo caminho errado, sem pedir licença, e quando nota já não tem volta. E o gosto doce da fruta pegando ele de surpresa, isso me deixou com dó e com vontade de rir ao mesmo tempo!

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  • TintaEAvesso

    O capítulo todo é o Luiz acordando e reparando em coisas, e a maior virada é ele estar com fome. Pode parecer pouca coisa perto de dragão e petrificação, mas é o único momento em que ele deixa de saber o que é. Aposto que a fome vai pesar mais do que o braço.

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  • Ovid

    Ele comer a fruta e achar doce depois de uma vida inteira só de sangue me fez pensar que o corpo dele está mudando antes de ele entender o que está a acontecer. Aposto que essa fome vai pesar mais na história do que a pedra no braço. Gostei muito de ler esse capítulo!

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  • Simao

    A coisa pegajosa a crescer por baixo da pele das mãos dele é que me ficou atravessada. Aposto que aquilo não pára no braço.

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