A Yria volta pro baile dando parabéns com aquele sorriso torto e, minutos depois, o noivo some e fica sangue na grama. Antes de alguém achar o Yal, vão apontar o dedo pra ela, pode escrever.
Capítulo 23 : Aquela que eles procuravam
Pensamento
A Yria volta pro baile dando parabéns com aquele sorriso torto e, minutos depois, o noivo some e fica sangue na grama. Antes de alguém achar o Yal, vão apontar o dedo pra ela, pode escrever.
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Yal permaneceu parado por alguns segundos.
A arma improvisada escorregou de seus dedos e caiu sobre a grama.
Ele respirava com dificuldade, como se finalmente pudesse acreditar que ela estava realmente diante dele.
— Você... está viva...
Aras continuava sem conseguir organizar os próprios pensamentos.
— Como... como você me encontrou?
Yal deu um passo à frente.
— Nós procuramos por você em todos os lugares. Eu achei que... — Sua voz falhou. — Achei que tivesse morrido.
Ela ainda estava ajoelhada ao lado de Oden.
— Você bateu nele.
Yal finalmente olhou para o eteriano caído.
— Ele estava com as mãos em você.
— Ele estava cuidando dos meus ferimentos!
— Ele é um eteriano.
— E daí?
A resposta fez Yal franzir a testa.
— Aras...
— Ele me ajudou.
Yal balançou lentamente a cabeça.
— Não.
— Sim.
— Não ajudou. — Ele voltou a olhar para o rosto dela. — Você não percebe?
Aras levantou-se devagar.
— Perceber o quê?
— Eles fizeram alguma coisa com você.
Você está defendendo um deles.
— Porque ele não fez nada de errado!
— Aras!— A voz dele ecoou pelo jardim.— Você desapareceu! Foi levada para o território deles! Agora eu encontro você sozinha com um eteriano, deixando que ele toque em você...
Ela deu um passo para trás.
— Você não sabe o que aconteceu.
— Então me explica!
— Eu realmente fui capturada, mas fui trata com respeito. Eu até pude conhecer o mundo deles, e simplesmente maravilhoso.
Yal riu, incrédulo.
— Então é isso.
Ela franziu a testa.
— O quê?
— É assim que eles fazem.
— fazem o quê?
— Fazem você acreditar que está segura.
— Para!
— Fazem você confiar.
— Yal... por favor...
— E depois você começa a defendê-los!
Aras respirou fundo, tentando manter a calma.
— Você não conhece Oden, não conhece os eterianos.
— Você muito menos, passou apenas um dia com eles.
Ela balançou a cabeça.
— Eles não são nada que os mitos da guerra falavam.
— Eles mataram milhares dos nossos Aras!
— E nós também matamos milhares deles !
Ele arregalou os olhos.
— Você está ouvindo o que está dizendo?
— Estou dizendo a verdade.
— Essa não é você.
Aras sentiu o peito apertar.
— Como pode falar com tanta convicção, você me conhece tão pouco quanto eles!
Yal aproximou-se mais um passo.
— Não...—Ele observava seus olhos como quem procurava alguma coisa escondida.— Você está diferente.
Ela sorriu com tristeza.
— Eu não sou a princesa das cartas.
— Não.— Ele balançava lentamente a cabeça. — Não... — A expressão dele tornou-se cada vez mais preocupada.— Eles mexeram com sua cabeça.
— Ninguém mexeu comigo.
— Aras...— Ela tentou se afastar — Escuta...— Yal segurou delicadamente seus ombros. — Você não precisa ter medo.
— Eu não estou com medo.
— vai ficar tudo bem.— Ele falava quase como quem tenta acalmar alguém em pânico. — Eu vou tirar você daqui.
Ela afastou as mãos dele.
— Eu não quero fugir.
Ele congelou.
— ...O quê?
— Eu preciso conversar com O líder dos Eterianos pela manhã.
O rosto de Yal empalideceu.
Naquele instante, todas as suas certezas pareceram se unir numa única conclusão.
Ela havia sido enfeitiçada.
Era a única explicação que sua mente conseguia aceitar.
Ele respirou fundo.
— Me perdoa...
Aras franziu a testa.
— Pelo quê?
Num movimento rápido, Yal levou a mão até a pequena bolsa presa ao cinturão. Antes que Aras percebesse, um fino pano embebido em um líquido adocicado cobriu seu nariz e sua boca.
Ela arregalou os olhos.
— Y... Yal...
Instintivamente tentou empurrá-lo.
Mas ele a segurou com firmeza, embora seus próprios olhos estivessem marejados.
— Vai passar.
Ela debateu-se por alguns segundos.
Sua visão começou a oscilar.
— Eles... não...
As palavras morreram antes de terminarem.
Seu corpo perdeu as forças.
Yal a amparou antes que atingisse o chão.Permaneceu alguns instantes olhando para o rosto inconsciente dela.
— Eu prometi que encontraria você.—Sua voz saiu baixa. — Mesmo que você me odeie por isso.— Ele voltou o olhar para Oden desacordado. A expressão endureceu. — E você...—Abaixou-se ao lado do líder eteriano e verificou sua respiração. Ainda estava vivo. — Você vem comigo.
Com esforço, colocou Oden sobre um dos ombros e acomodou Aras nos braços.
Antes de partir, seus olhos encontraram as duas máscaras caídas sobre a grama.
Yal permaneceu olhando para elas por um breve instante.
Depois desapareceu entre as árvores.
As pequenas fadas, lentamente, saíram de seus esconderijos e voltaram a iluminar as flores, como se tentassem apagar os vestígios da tempestade que acabara de passar.
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Enquanto isso...
Yria atravessava os corredores do palácio sem olhar para ninguém.
Os músicos continuavam tocando no salão principal, completamente alheios ao que havia acontecido do lado de fora.
Ela enxugou discretamente o rosto antes de empurrar as grandes portas douradas.
O baile continuava exatamente como antes.
Aquilo lhe pareceu absurdo.
Como o mundo podia continuar girando depois que o seu havia acabado?
Ela respirou fundo.
Precisava terminar aquela noite.
Seu olhar percorreu o salão até encontrar Amme e Pentre próximos a uma das varandas, conversando em voz baixa.
Os dois interromperam a conversa quando a viram se aproximar.
Pentre foi o primeiro a notar.
— Yria... aconteceu alguma coisa?
Ela parou diante deles.
O silêncio durou alguns segundos.
Então sorriu.
Um sorriso cansado.
Que não alcançava os olhos.
— Vim dar os parabéns.
Amme franziu a testa.
— Parabéns?
Ela assentiu lentamente.
— Sim.
Olhou primeiro para Pentre.
Depois para Amme.
— Conseguiram.
Os dois trocaram um olhar confuso.
— Do que você está falando? — perguntou Pentre.
Yria soltou uma pequena risada sem humor.
— Acabei de terminar meu noivado com Oden.
O sorriso desapareceu do rosto de Amme.
— ...O quê?!
— É isso mesmo que ouviu.
Pentre piscou algumas vezes.
— Espera... vocês brigaram?
— Não importa mais.
Amme deu um passo à frente.
— Onde ele está?
Yria cruzou os braços.
— No jardim.— A resposta saiu seca. — Com aquela garota mascarada.— Amme congelou. — Espero que estejam felizes agora.
Pentre franziu a testa.
— estaria feliz se não fosse mais a conselheira, não em relação ao seu noivado com meu amigo.
— Vocês passaram séculos dizendo que Oden precisava seguir em frente. Parece que finalmente conseguiu.
Amme balançou lentamente a cabeça.
Alguma coisa estava errada.
Muito errada.
— Oden jamais deixaria uma discussão terminar daquele jeito.
Pentre percebeu a mesma coisa.
— Faz quanto tempo que você saiu de lá?
Yria demorou um instante para responder.
— Alguns minutos.
Amme já estava andando.
— Pentre.
O amigo apenas assentiu.
Os dois começaram a atravessar o salão rapidamente.
— Ei! — chamou Yria.
Eles pararam por um instante.
Ela respirou fundo.
Pela primeira vez desde que voltara, sua voz vacilou.
— ...Ele estava bem quando eu fui embora.
Amme apenas assentiu.
Mas seu coração acelerava a cada passo.
Algo dizia que já era tarde.
— Oden? — chamou Pentre.
Nenhuma resposta.
Os dois seguiram pela trilha.
Foi Amme quem parou primeiro.
No chão...
Uma máscara branca.
Poucos passos adiante...
Outra máscara.
Pentre sentiu um frio percorrer a espinha.
— Não...
Amme ajoelhou-se.
Reconheceu imediatamente as duas.
A máscara de Aras.
E a de Oden.
Havia marcas na grama.
Flores amassadas.
Algumas gotas de sangue ainda brilhavam sob a luz das fadas.
Mas...
Nenhum dos dois estava ali.
Amme fechou lentamente a mão sobre a máscara branca.
Seu peito apertou.
— Ela foi levada...
Pentre olhou ao redor, procurando qualquer sinal.
— Os dois foram. Espera... a humana... onde ela está?
Amme olha para a máscara.
Depois responde.
— Não está aqui.
— Você acha que ela fugiu?
— Não. Não Pentre, isso e impossível.
— Nunca subestime um ser humano Amme, eles podem ser...
— Eu disse que é impossível, porquê a princesa humana em questão... E a Eteriana misteriosa que sumiu com o Oden, e ela não pode ter sequestrado o Oden porque... ela e a salvadora Pentre.
Thoughts
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PermalinkO Yal pedindo perdão antes de apagar ela com o pano já entrega: ele sabe que tá errado e faz mesmo assim.
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PermalinkA Yria volta pro baile dando parabéns com aquele sorriso torto e, minutos depois, o noivo some e fica sangue na grama. Antes de alguém achar o Yal, vão apontar o dedo pra ela, pode escrever.
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