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Estou escrevendo uma historia de fantasia/sobrenatural

Silva

Conteúdo da publicação

Continuação direta dos capítulos 14 e 15: https://www.seavien.com/discussion/estou-escrevendo-uma-historia-de-fantasiasobrenatural-I0FlYwXTqHbk/conversations

Capítulo 16 - “A Coroa”


— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!


BOOOOM! BOOOOOM!


Mark atravessou o Véu voando após o chute de Leônidas.


Deslizou de peito no chão por alguns metros, até bater em alguma coisa.


Mark se levantou rapidamente. A raiva o controlava.


— O que deu na sua cabeça? Poderia ter me matado, seu esquisito! — disse Mark, enfurecido.


— Não é para tanto. Eu tirei a força. Foi apenas um empurrão. — respondeu Leônidas.


O vento soprava forte, balançando as árvores ao redor.


— Não é para tanto? Um empurrão… — Mark mal conseguia respirar de tanta ansiedade.


Leônidas sorriu.


— Por que você está tão bravo? Apenas devolvi o chute que VOCÊ me deu naquela vez. — disse Leônidas.


Mark parou para pensar.


— Daquela vez?


— DAQUELA VEZ? AQUELA VEZ VOCÊ NEM SE MOVEU!


— PARECIA QUE EU ESTAVA CHUTANDO UMA PAREDE, E VOCÊ ME LANÇA COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO!


— Aaaaa… aaaaa… estou sem ar.


— Então pare de gritar e respire. — disse Leônidas.


— Ora, seu… você é cheio de gracinha. Se eu te pego, eu te arre—


Mark parou antes mesmo de terminar a frase.


Seus olhos percorreram o lugar ao redor.


As árvores eram incríveis, belas. O vento soprava forte, fazendo as folhas balançarem.


Uma delas acabou sendo levada pelo vento na direção de Mark.


Por um momento, parecia que a folha estava prestes a tocar sua cabeça.


Então… o sol surgiu por entre as árvores.


Com ele, uma sombra se projetou sobre Mark.


Sem entender, ele se virou.


— Nossa… É incrível.


Mark acabava de se deparar com uma enorme estátua do antigo Rei Lobo.


O vento soprou ainda mais forte.


— Quem é esse tio?


Leônidas permaneceu em silêncio enquanto se aproximava de Mark.


Parou ao seu lado.


Então, pousou uma das mãos sobre o ombro do garoto.


— Esse era o nosso antigo rei.


Leônidas respirou profundamente, enquanto o sorriso desaparecia de seu rosto.


— E… meu pai.


Mark ficou alguns segundos processando aquela informação.


— Se ele é o seu pai… ele é o meu—


Leônidas interrompeu Mark.


— Sim. Ele é seu avô.


Mark apenas continuou olhando para a estátua, admirado.


— Ela passa uma força, não é? E essa pose… até parece que ela está pronta para nos atacar.


Leônidas apenas acenou.


— E ele era forte? — questionou Mark.


Leônidas hesitou.


— Sim… ele era forte.


— Mais forte do que você? — perguntou Mark.


Naquele momento, Leônidas passou as mãos pela cabeça e olhou em direção ao céu.


Respirou fundo.


— Ele foi um dia.


Mark queria saber mais sobre o avô. Afinal, não era todo dia que alguém descobria ser descendente de um rei.


— E como ele era? — perguntou, empolgado com a resposta.


Leônidas sorriu.


Pois, apesar de tudo, um dia, seu pai havia sido apenas um pai.


— Ele era incrível. Era forte, imponente. Era um líder. Era o que precisávamos que ele fosse.


Disse Leônidas, com um tom melancólico.


— Como assim, tio?


As mãos de Leônidas começaram a tremer.


Então, uma forte rajada de vento atravessou o lugar.


Por um instante, parecia que o próprio Lycanor estava impondo sua presença.


Leônidas permaneceu em silêncio por alguns segundos, admirando o horizonte.


A luz do sol refletia sobre o mar. Tudo parecia tão calmo.


De onde estavam, conseguiam enxergar grande parte do reino.


— Mark, está vendo?


Mark olhou na direção indicada por Leônidas.


— Tudo que o sol toca é o nosso reino.


Leônidas fez uma breve pausa.


— Conquistamos tudo isso com muita força. Liderados pelo nosso rei, fomos vitoriosos.


Mark continuava atento.


— Inimigos invadiram nossas terras e tentaram matar o rei.


— O quê? — Mark estava espantado.


— E o que houve? Foi assim que ele morreu? — perguntou Mark.


Leônidas abaixou o olhar.


— Não. Não foi assim que ele morreu.


— Vamos Mark, está na hora.


Disse Leônidas.


— Mas e o resto da história? — Perguntou Mark.


— Eu falo no caminho.


Respondeu Leônidas, diferente, quase… distante.


— Hmmm… não sei porquê, mas eu não confio em você. — Disse Mark.



Leônidas estranhou.


— Como assim? — Perguntou Leônidas.


Mark se virou para a estátua, e disse.


— Você vêm, me apresenta esse lugar, me diz que meu avô era rei, e simplesmente no meio da história quer ir embora?


— Não faz sentido.


Leônidas ficou pensativo, intrigado.


— Você realmente quer saber o que aconteceu? — Perguntou Leônidas.


— Hã? Se eu quero saber a verdade?


Mark estava confuso, que verdade é essa? Não é a mesma verdade que ele enxerga?



— Sim… eu quero saber a verdade.


Mark engoliu seco após terminar a frase.


Leônidas então se via na obrigação de dizer.


— Primeiro, eu quero saber de uma coisa tio.


— E o que seria? — Falou Leônidas.



Mark hesitava em perguntar.


— Diga Mark.



— Tá. Se ele era um rei, onde está sua coroa?



Leônidas não compreendeu o que Mark quis dizer.


— Coroa?


— Sim, ele era um rei, certo?


— Exato, ele era um rei.



Respondeu rapidamente Leônidas.


— Então, se ele foi um rei, deveria ter uma coroa. Grande, dourada, cheia de joias. — Disse Mark


Leônidas sorriu.


— Do que você está rindo? — Perguntou Mark.


— Não é nada.


Respondeu Leônidas.


— Para você, para uma pessoa ser rei, ela precisaria de uma coroa?


Mark respondeu instantaneamente.


— SIM!


— Então, digamos que se você visse um dragão enorme, com as suas belas asas, você já teria deduzido que ele sabe voar apenas por suas asas?


— SIM!


— Não tem a necessidade de existir uma coroa, assim como não existe a necessidade de ver um dragão voando, mesmo que ele tenha asas. O fato é, se você me visse com uma coroa, diria que eu sou um rei?


Mark não entendeu a pergunta.


— Sim!?


— Errado.


Mark estava confuso.


— Porquê não?


— Porquê mesmo que eu estivesse usando uma coroa, usar um artefato não me faria digno de herdar um trono.


— Mas você é forte, o que te impede de ser o rei, tio?


Leônidas parou, olhou para Mark e disse.


— Eu.


Mark não entendeu o que Leônidas queria dizer.


— Meu sonho era ser rei, Mark. Mas nem sempre realizamos os nossos sonhos.


Mark permanecia confuso.


— Mas… o que aconteceu? Eu tenho certeza que você seria um ótimo rei. — Disse Mark.



Leônidas sorriu, com ironia.


— Eu não teria tanta certeza.


— Hã? Questionou Mark.


— Você já viu um dragão voar, Mark?


— Como se dragões de komodo voassem. — Respondeu Mark intrigado.


— O que? Questionou Leônidas.



Mark permanecia em confusão.


— Não é nada, continua a história.


— Se não tem uma coroa, me fala mais do vovô. Ele era um bom pai?


Leônidas engoliu a pergunta a seco.


Mark notou seu desconforto.


— Tio, o que foi? O que aconteceu? — Perguntou Mark.


Leônidas permanecia em silêncio.


— ….


— Não tem para onde ir, essa conversa vai chegar onde estamos agora.


— Mark, você acha que eu sempre fui forte?


Mark respondeu com alegria.


— SIM!

— Nem sempre foi assim. — Respondeu Leônidas.



— Meu pai era uma ótima pessoa, mas era muito exigente.

— Ele queria um herdeiro, um substituto. E na teoria, por direito, esse seria eu.


— E o que houve para não ser? Perguntou Mark.


Leônidas olhou fixamente nos olhos de Mark.


— O que houve é…


O vento voltou a soprar, mas forte do que nunca.


— O que houve é que ele tentou me matar.



Mark entrou em choque



— O que? Como? Ele não era uma ótima pessoa? Um bom rei?


“Ele foi quem precisávamos que ele fosse”


Esse detalhe ecoou na mente de Mark.


— Então ele era uma pessoa ruim? Era um monstro?



Leônidas se aproximou do sobrinho, com as mãos em seus ombros disse.


— Ele era um bom rei, e um dia foi um ótimo pai. O fato é, o peso das responsabilidades que ele carregava, o consumiram.


— Foi quando ele decidiu que queria um substituto, e a escolha dele foi instantânea, ele me escolheu.


— Mas eu era fraco, aos olhos dele, eu nunca seria capaz.


— Eu mostrei a ele ideias de como eu queria governar quando fosse a hora, sabe o que ele fez?


Mark engoliu seco.


— O...que?


— Ele me disse que eu nunca seria um rei, e que meus planos eram tolice. Ele disse que você faz aliança amedrontando os mais fortes, e matando os mais fracos, que era assim que um rei agia.


— Eu logo questionei ele. Disse que não era assim que eu governaria, e então ele me atacou.


Mark continuava sem reação.


— E depois…?


Leônidas sorriu.


“Ele está rindo?” — Pensou Mark



— Após isso, nos lutamos. Lutamos bravamente, achei que por alguns momentos ele realmente conseguiria me matar, ele era impiedoso, cada golpe carregava a mais pura raiva.


— E então…


— Eu o matei.


Mark não conseguia acompanhar, o ar parecia negar a entrar em seus pulmões.


— Como… assim? Seu próprio pai tentou te matar? — Questionou Mark



Leônidas apenas concordou.


— Sim, e esse foi um dos motivos da sua mãe ter ido embora. Ela preferiu perder tudo que ela tinha, para viver como uma humana. E vendo tudo que ela conseguiu, Peter, você, essa foi a melhor decisão que ela poderia ter tomado, nem mesmo eu fiz isso.



— Então, voltando a sua pergunta sobre a coroa.


— Um rei não precisa de um artefato para mostrar que é um rei, suas ações o determinaram assim.


— Para o povo, meu pai foi um ótimo rei, mas pra mim, eu queria que ele tivesse sido um ótimo pai, sempre.


Mark então começa a chorar.


— Eu… por um momento… quis ser igual a ele.



Leônidas se surpreendeu


— Você pode ser igual a ele Mark, o fato é. Desde que você não se perca no processo, você pode ser o que quiser.


— Ele de fato foi um bom rei, você pode seguir isso, pegar a qualidade, mesmo que sejam poucas.


Mark então enxugou os olhos.


— Pelo que eu estou entendendo… você disse que não temos um rei. Eu discordo.


— Como assim? — Perguntou Leônidas.



Mark parou, olhou nos fundos dos olhos do tio.


— Pelo que eu sei, o que me foi contato pela minha mãe, pelo Jonas, temos um rei… e esse rei é você, Leônidas… o rei das sombras.



Leônidas ficou confuso.


— Rei das sombras? — Perguntou Leônidas.


Mark prontamente respondeu.


— Sim, rei das sombras, pois você lidera, inspira, e orienta… e tudo isso escondido nas sombras. Então que se danem quem diz que não temos um rei, para mim, esse rei é você.



— Mark… obrigado.



Capítulo 17 – O Homem Que Sentou No Trono


— Vamos, Mark. — Disse Leônidas.


— Sim, vamos.


Mark e Leônidas caminharam em direção à torre.


— Podemos ir à praia antes de irmos embora? — Perguntou Mark.


Leônidas se espantou com o pedido repentino do sobrinho.


Ele olhou Mark dos pés à cabeça. Algo parecia diferente, mas, ao mesmo tempo… tão normal.


Leônidas não conseguia identificar aquele sentimento, mas era bom.


E então sorriu.


— Claro que sim. — Respondeu Leônidas.


Ao caminharem em direção à praia, passaram por alguns aldeões.


Dava para ver a felicidade em seus olhos.


— Olhem… É Leônidas. — Disse um dos moradores.


— AAAAAEEEEEEEEEEE!


Todos enalteciam a presença de Leônidas.


Mark permaneceu em silêncio, admirado.


— …


Então, um pensamento passou pela cabeça de Mark.


“Ele é tão famoso. O que ele deve ter feito por eles é algo inimaginável para ser tratado com tanta admiração.”


— É um enorme prazer revê-los, pessoal. — Disse Leônidas.


Mark deu um sorriso de canto.


Leônidas percebeu.


— O que foi, Mark? — Perguntou Leônidas.


Mark parou e olhou para todos à sua volta. Tantas pessoas… algumas em cima dos telhados. Uma leve brisa surgiu.


— Para quem nunca foi rei, você é bem admirado, tio. — Disse Mark, sorrindo, enquanto continuava em direção à praia.


Leônidas permaneceu em silêncio enquanto acenava com a cabeça.


Chegando à praia, tudo parecia tão simples. Para Mark, era apenas uma nova praia.


Para Leônidas, era um momento único.


— É lindo, não é? — Disse Mark.


Leônidas apenas observava o horizonte.


As ondas batiam sobre as pedras. Ao fundo, distante… avistava-se um grupo de baleias.


— Sim, Mark. É muito lindo. — Respondeu Leônidas.


Os dois passaram horas admirando aquela vista.


Do outro lado do reino, o salão estava movimentado.


Nheeeeeeem!


As enormes portas douradas se abriram lentamente.


O som estridente delas ecoou por todo o salão.


Havia anos que aquelas portas não eram abertas.


Quando isso acontecia, uma única coisa era certa.


Uma decisão importante seria tomada.


Por trás das grandiosas portas… podiam-se avistar cinco silhuetas.


Atheron.


Vhalek.


Eryndor.


Zareth.


…


Kaelor.


A última vez em que os cinco Anciões se reuniram naquele enorme salão foi para coroar Lycanor.


Anos se passaram desde a morte de Lycanor.


Para alguns, a espera foi necessária, sensata.


Para outros… apenas um ato de covardia.


— Sentem-se, meus amigos. — Disse Kaelor.


— Essa reunião… é para o que eu acho que é? — Perguntou Atheron.


O silêncio pairou sobre o salão.


— Eu acho que demorou até demais. Estamos parados no tempo. — Disse Zareth.


O clima começou a ficar tenso.


— Não podemos perder a postura. Acalmem-se. — Disse Eryndor.


Enquanto todos discutiam, Vhalek permanecia em silêncio.


— A questão aqui não é essa. — Disse Atheron.


Nesse momento, os olhos de Zareth se cruzaram com os de Atheron.


— Se essa não é a questão aqui, qual é? — Perguntou Zareth, alterado.


O silêncio voltou a preencher o salão.


Enquanto havia discussão entre os membros, Vhalek permanecia imóvel, com os olhos voltados para o trono vazio.


Aquele trono parecia ter presença própria, quase como se escolhesse quem poderia se sentar sobre ele. Não um qualquer.


— Acalmem-se. Já chega, Zareth. Atheron. — Disse Kaelor.


— Estamos aqui para discutir um bem maior, não o que é melhor para os nossos narizes. — Enfatizou Kaelor.


— Grgh. — Zareth e Atheron permaneceram em silêncio.


— Nos desculpe, senhor. — Disseram eles.


O vento soprou pelo salão. Algumas velas nas paredes foram apagadas.


Por alguns instantes, as sombras dos Anciões pareciam enormes, como se eles fossem gigantes.


— Você está muito quieto, Vhalek. — Disse Kaelor.


Vhalek permaneceu em silêncio.


Não fazia sentido dizer algo naquele momento.


— Esse é o nosso candidato. — Disse Eryndor.


Todos na mesa olharam para a projeção do candidato.


Kaelor franziu a testa.


— Você fala sério, Eryndor? — Perguntou Kaelor.


Eryndor permanecia em silêncio.


Atheron e Vhalek trocavam olhares… olhares de negação, por assim dizer.


— Tsc! Se essa pessoa é quem vocês acham que irá nos liderar, estaremos todos mortos. — Disse Zareth.


Os Anciões pareciam não chegar a uma conclusão exata.


Por mais que alguns concordassem… outros temiam estar tomando a decisão errada.


Passaram-se algumas horas, e o debate estava intenso.


O clima dentro do salão era de uma enorme confusão.


— Eu entendo as suas colocações, Eryndor, mas acredito que agora não seja a hora dele. — Disse Kaelor.


Eryndor franziu a testa e questionou:


— Se não for ele, Kaelor, quem vai ser? Leônidas já disse várias vezes que não tem mais interesse em ser rei. — Disse Eryndor.


— Eu continuo achando inapropriada a indicação dele. — Rebateu Zareth.


Atheron então se colocou no meio da discussão.


Em voz alta, rebateu Kaelor:


— ATÉ QUANDO IREMOS ESPERAR LEÔNIDAS TREINAR O SUPOSTO “SALVADOR”? NÃO TEMOS ESCOLHA. TEM QUE SER ELE! — Disse Atheron.


O mais confuso era que Vhalek não havia dito uma palavra desde o início da reunião.


Zareth suspirou.


E então pôs sua decisão à mesa.


— TSC! Por mais que eu acredite que Jonas seja mais forte até mesmo do que eu, ele ainda não está preparado para ser rei. Eu estou com você, Kaelor.


Kaelor se surpreendeu com a postura de Zareth.


— Nesse caso… aaah… estaremos de acordo com eles, Vhalek? — Perguntou Atheron, ofegante.


Vhalek apenas acenou com a cabeça, confirmando seu voto.


— Certo, Jonas está descartado por enquanto. — Disse Kaelor.


— Iremos para o próximo candidato, então. Acho que será até a escolha mais lógica. — Completou Kaelor.


Uma nova projeção surgiu sobre a mesa.


Nesse momento, Vhalek se levantou.


Franziu a testa. Uma veia saltava em sua testa.


— SE LEÔNIDAS NÃO SERÁ NOSSO REI, MEU VOTO NÃO FARÁ DIFERENÇA. FAÇAM O QUE BEM ENTENDEREM!


Vhalek se retirou do salão.


O silêncio sobrevoava novamente o salão.


Os Anciões se encaravam.


Kaelor, de certa forma, concordava com Vhalek, mas um rei precisava ser coroado.


Nenhum dos Anciões parecia discordar.


Dada a situação, aquele era o nome mais aceitável.


— Então a decisão está tomada. — Disse Kaelor.


— Pedirei que o chamem. — Complementou.


De volta à praia, Leônidas e Mark perderam a noção do tempo.


— Nossa, devemos ir. Já está ficando tarde, e preciso me encontrar com os Anciões ainda hoje. — Disse Leônidas.


Mark se atentou e jogou sua última pedra sobre o mar.


— Certo, vamos nessa. — Disse Mark.


Quando os dois subiam em direção à calçada, um aldeão veio na direção deles.


Ele corria e gritava:


— Grande Leônidas… espera…


Leônidas ouviu a voz, virou-se rapidamente e esperou o jovem recuperar o fôlego.


— Grand… aaah…


O garoto estava ofegante.


— Calma, recomponha-se. Respire. — Disse Leônidas.


— Eu vim até aqui, pois preciso que você venha rápido para a torre. — Disse o jovem.


Leônidas franziu a testa. O vento começou a soprar sua capa.


— Vamos! — Respondeu Leônidas.


Nheeeem!


— Pediram para que me chamasse? — Questionou Leônidas.


Os Anciões permaneceram em silêncio por um momento.


Kaelor então tomou a palavra.


— Sim, obrigado por vir. — Disse o Ancião.


— Sua presença foi solicitada, pois temos uma notícia para lhe dar. — Completou.


Leônidas correu rapidamente em direção à torre, enquanto Mark e o jovem tentavam acompanhá-lo.


Kaelor então respirou fundo e anunciou:


— Você foi escolhido para ser o nosso novo rei. — Disse Kaelor.


Espantado, o homem respondeu:


— Vocês… vocês têm certeza disso?


O silêncio tomou conta do salão. O ar quase não entrava nos pulmões do homem.


E então, uma brisa soprou.


BOING!


BOING!


BOING!


BOING!


Mark e o jovem chegaram à praça.


Mark estava confuso com a multidão.


— O que está acontecendo? — Perguntou Mark.


O jovem, cansado, respondeu:


— Aaa… Aaaa… O novo rei foi coroado. — Disse o jovem.


Mark franziu a testa.


— O novo… rei!?


Os olhos de Mark encheram-se de lágrimas.


— Será que ele…? Por isso ele veio antes?


Uma voz então chamou a atenção de Mark.


— Mark!


Mark estava confuso.


Não conseguia localizar o dono da voz. A multidão era enorme.


Quando, na sacada da torre, surgiu Kaelor.


— Todos esperaram por esse momento durante anos… e agora, estamos aqui.


Mark procurava quem o havia chamado. A confusão era tanta, com tantas pessoas esbarrando umas nas outras.


— Mark, estou aqui. — Disse Leônidas.


Mark enfim estava aliviado.


— Tio! Espera, se você está aqui… quem será—


Mark interrompeu a própria frase. Estava confuso.


Quando Kaelor finalmente anunciou:


— Apresento a vocês o novo Rei Lobo… Tharok.


O vento soprou mais forte.


Tharok surgiu imponente atrás de Kaelor.


E então disse:


— O sol irá brilhar sobre nós novamente. Prometo que darei o meu melhor… POR VOCÊS!


E então, todos gritaram:


— AAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEE!



Capítulo 18 – A Honra Por Trás Do Orgulho


— Saúdem nosso REI.


A voz de um homem ecoou em meio à multidão.


E mais uma vez, todos saudaram o novo rei.


— Tharok! Tharok! Tharok! Tharok! Tharok!


Leônidas, parado em meio à multidão, não entendia o que acabara de acontecer.


— O que significa isso?


Leônidas franziu a testa.


— Um novo rei foi escolhido…


— O que os Anciões estão pensando?


Um mar de opções atravessava a mente de Leônidas.


Procurando uma justificativa.


Uma razão.


Uma certeza.


Tudo parecia ter desabado.



— Tharok! Tharok! Tharok! Tharok! Tharok!


— Mas por que ele?


— Eles nunca pensaram nele como uma opção.


Leônidas cerrou o punho.


— Tsc! O que mudou?


Em meio à incrível saudação que o novo rei recebia algo chamou a atenção de Leônidas.


Uma sombra… que passou rapidamente diante dele.


Murmurou uma frase.



— Me encontre atrás da minha casa.


Leônidas franziu a testa.


— Tsc! O que será que ele quer?


— Tharok! Tharok! Tharok! Tharok! Tharok!


— Tio?


— Tharok! Tharok! Tharok! Tharok! Tharok!


— Tio!?


— Tharok! Tharok! Tharok! Tharok! Tharok!


Mark não conseguia alcançar Leônidas.


— TIO!


Leônidas então voltou a si, como se estivesse em outra realidade.


— Oi, Mark?


— Tá tudo bem?


Leônidas hesitou.


Olhou para o céu.


Após uma breve reflexão, respondeu.


— Sim… eu estou bem.


Mark estranhava o comportamento do tio.


— Certo…


— Esse Tharok… ele é seu amigo? Ele é forte?


Leônidas permanecia em silêncio.


— Vamos! – disse Leônidas.


— O que? Pra onde?


Leônidas sorriu.


— Só venha comigo.


— Certo.


Mark não entendia, mas confiava no tio.


— Para onde estamos indo? – perguntou Mark


— Você não consegue caminhar em silêncio? – disse Leônidas, com um sorriso no rosto.


Mark franziu a testa


— Para que eu vou caminhar quieto se eu posso te atormentar durante o caminho?


Leônidas sorriu.


— Faz sentido.


— Afinal… você é filho da sua mãe. São farinha do mesmo saco.


— Hã?


— Sua mãe fazia as mesmas coisas que você está fazendo agora.


Mark passou a mão pelos cabelos.


— Então ela também era inquieta?


— Você não faz ideia.


— Entendo… eu posso usar isso contra ela.


Mark abriu um enorme sorriso.


— Mark!


— Sim!?


— Aquela vez no castelo você perguntou quem mais fazia parte da linha de frente da nossa defesa.


Mark se interessou instantaneamente


— Sim! Sim!


— Quem você acha que é? — perguntou Leônidas.


Mark nunca havia pensado nisso.


— Hmm… agora que você falou, eu não faço a mínima ideia.


Leônidas então levantou a mão, e fez um sinal de dois.


— Você já conhece dois.


— Primeiro, eu. E depois, sua mãe.


Mark prestava atenção em cada palavra.


Leônidas então ergueu mais um dedo.


— O terceiro, você conhece, e digamos que conhece bem.


Mark franziu a testa.


Nunca havia parado para pensar nisso.


Então, de repente, um nome passou por sua cabeça.


— Ah, já sei!


Leônidas ficou impressionado com a velocidade que Mark chegara a uma conclusão.


— Certo… e quem é, Mark?


— É…


Leônidas aguardava a resposta.


— É… o…


“Ele já sabe, incrível. A percepção dele aumentou muito.”


— Jonas!



Leônidas desabou.


— O que? Jonas?


Leônidas não acreditava na resposta.


— Por que você acha que é ele?


Mark então explicou para Leônidas.


— O Jonas é incrivelmente forte.


— Ele me disse que derrotou um monstro muito forte uma vez quando criança.


— E el-


— Espera.


Leônidas interrompeu Mark.


— Ele te disse isso? Que derrotou um monstro muito forte quando criança?


Mark parou, olhou para o céu e respondeu.


— Sim, ele me disse. Ele disse também que foi quando seu pai morreu. Por que a pergunta?


— Não é nada. – disse Leônidas.


“Ele conseguiu fazer com o Jonas se abrir, como?”


“O que faz todos gostarem do Mark? Eles se conhecem há tão pouco tempo.”


— Enfim, sua resposta está errada – disse Leônidas.


— O terceiro membro não é o Jonas.


— Certo, se não é o Jonas, quem é o terceiro membro?


Mark estava inquieto.


Leônidas então respirou fundo e disse.


— O terceiro membro é sua tia Liz.


Os olhos de Mark se arregalaram


— O QUE? SÉRIO?


— A tia Liz?!


— Sim, Mark.


— A MINHA TIA LIZ?


Leônidas franziu a testa.


— Quantas tias Liz você tem?


— Você entendeu!


Leônidas então perguntou.


— Por que essa surpresa toda?


Mark prontamente respondeu.


— É que a tia Liz parece ser tão delicada, não parece ser o tipo de pessoa que luta em uma guerra.


Leônidas estranhou.


— E a sua mãe, ela parece?


Mark chegou a sentir um calafrio.


Com os olhos marejados, Mark respondeu.


— Você não sabe o que eu passei nas mãos dela, tio.


Leônidas apenas sorriu.


— E que tipo de arma a tia Liz tem?


— Arma?


Leônidas começou a gargalhar.


— Hahahaha. Mark, de todos nós, sua tia é a única que não tem arma.


Mark franziu a testa.


— Hã? Por quê? Ela não é forte o suficiente para ter uma?


O sorriso de Leônidas diminuiu.


Mark ficou atento


— Pelo contrário.


— Ela é forte o suficiente para não depender de uma.


Mark ficou em choque.


— E temos o quarto integrante.


— Eu não quero mais brincar. Pode falar logo quem é.


Mark ainda queria que Jonas fosse um deles.


— Não vai nem tentar? — perguntou Leônidas


Mark pensou por alguns segundos.


— Não, eu não quero.


— Certo…


— O quarto integrante da nossa linha de frente é…


— Tharok.


Mark ficou impressionado.


— Uau. Então ele realmente é forte.


Leônidas prontamente respondeu.


— Sim, Mark. Ele é forte.


— Muito forte.


— Incrível… então eu me livrei de levar uma coça dele, haha.


— Hã? Como assim?


— No jantar, eu desafiei ele. Ele estava menosprezando minha mãe… eu não poderia deixar passar.


— Entendo.


— Chegamos.


— Que lugar é esse? — perguntou Mark


— Aqui era onde ficava o conselho. A gente vinha aqui para discutirmos nossos movimentos.


— Entendi. E quem era o “conselho?”


Leônidas fez uma breve pausa.


— Nós, da linha de frente.


— Eu, Sara, Liz e Tharok. Junto ao rei, decidíamos nossos próximos passos.


— Demais — disse Mark.


VOOOOOM


— Mark, entra, eu preciso fazer uma coisa agora.


Leônidas e Mark atravessaram o véu.


— Para onde vamos? — perguntou Mark


— Para a torre — respondeu Leônidas


[…]


— Pronto, pode ir para o seu quarto.


Leônidas permaneceu em silêncio por alguns segundos.


— Eu preciso resolver uma coisa.


Mark franziu a testa.


— Você não quer que eu vá com você? Perguntou Mark


Leônidas pensou por alguns segundos.


— Não…


Sua expressão ficou mais séria.


— É uma coisa que eu preciso fazer sozinho


Mark hesitou, mas assentiu.


— Certo.


VOOOOOOM


O véu se fechou.


— Eu estava achando que você não apareceria, Leônidas.



Leônidas permanecia em silêncio.


— Você, mais do que qualquer um sabe que ele não deveria nos governar.


Leônidas franziu a testa.


— Ele não é forte o suficiente.


— Você está errado — disse Leônidas.


— Você pode questioná-lo como rei… eu mesmo estou fazendo isso agora.


Leônidas cerrou os punhos.


Uma veia saltava em sua testa.


— Ele pode ter vários defeitos… mas falta de força não é uma delas.


A presença não entendia Leônidas.


— Por que está o defendendo?


— Você não entendeu.


— O que eu não entendi Leônidas…


— A questão aqui não é defendê-lo.


— E qual seria, Leônidas?


Leônidas respirava fundo.


— Durante anos eu apontava Tharok como uma opção para o trono


Leônidas estava enfurecido.


— E nunca parecia que ele deveria ser.


— Mas agora…


— Me diga o que mudou, Vhalek?


Vhalek permanecia em silêncio.


— Me diga… o que os Anciões viram agora que não viram antes?


Leônidas o encarava com um olhar firme.


— Será que alguma coisa mudou com ele?


— Ou o reino mudou?


— Ou simplesmente… por que eu trouxe o Mark aqui?


Vhalek tentou argumentar.


— Você sabe que o único bom o suficiente para governar é você.


Dizia o Ancião com orgulho.


— Por quê? Simplesmente porque meu pai era o rei?


— Pare com essa idiotice.


— Eu sei que você sempre confiou em mim, Vhalek.


— Leônidas…


— O fato é, os outros Anciões não confiam em mim.


— Outra coisa… eles temem que eu esteja certo sobre o Mark…


— Isso não tem na...


Leônidas interrompeu Vhalek.


— Me deixe completar por favor.


Vhalek então concordou.


— Certo.


— Se eu estiver certo sobre o Mark, não terão outra escolha a não ser aceitá-lo.


— Conhecendo o garoto, eu tenho certeza que ele não quereria ser rei.


— Mas ele estaria disposto a dar a vida para defender o nosso povo.


— Pois quando se trata de proteger pessoas, ele tem o melhor dos dois mundos.


Vhalek permanecia em silêncio.


VOOOOOM


— A nossa conversa acaba aqui — disse Leônidas.


Enquanto passava pelo véu…


— Ah…


— E antes que eu me esqueça…


— Saudações ao nosso Rei.


Em algum lugar do reino


— Ora ora… eu não esperava te encontrar tão cedo, Leônidas.


Leônidas parou diante de uma figura.

E então… algo inesperado aconteceu.


Leônidas se ajoelhou.


— Saudações… meu rei.


Ele ergueu o olhar.


— O futuro nos trará coisas grandiosas.


Tharok franziu a testa.


— O que você está fazendo?


— Saudando meu rei — respondeu Leônidas.


— TSC! Para com essa bobagem, levante-se.


— Você melhor do que ninguém sabe que eu nunca quis vê-lo ajoelhado diante de mim.


Leônidas abriu um leve sorriso.


— A questão não é essa…


— E qual é? — perguntou Tharok


Leônidas se levantou.


— São os costumes…


Fez uma breve pausa


— Meu rei.


— As coisas serão mais complicadas agora, meu amigo — disse Leônidas


Tharok apenas suspirou


— Mas esteja ciente de que, para tudo que precisar… eu estarei ao seu lado.


Tharok sorriu


— E apenas por saber disso, eu pude aceitar com uma certa tranquilidade o posto.


Ambos sorriram enquanto admiravam o pôr do sol.


— Sabe Leônidas… o que você vê no Mark… eu acho que vi o mesmo.


Leônidas ficou surpreso.


— Sério? O que quer dizer?


Tharok deu um leve sorriso


— O garoto tem personalidade… ele me desafiou.


Leônidas deu um pequeno sorriso.


— Haha… eu fiquei sabendo. Ele disse que escapou de tomar uma coça.


— Ele parece ser um garoto muito interessante — disse Tharok.


Tharok abaixou a cabeça e suspirou


— Você acha que se as coisas tivessem dado certo entre Sara e eu, ele seria assim?


Leônidas ficou em silêncio por alguns instantes.


— Meu amigo, eu acho que não.


Tharok ficou surpreso, mas de certa forma sabia que essa seria a resposta.


— O que você quer dizer? — perguntou Tharok


— Mark é assim por influência direta do pai… Peter.


— Eu tenho certeza que se Mark crescesse sem pai, ele seria um rebelde. A Sara daria um jeito nele… mas Peter o mantém na linha.


Tharok estava intrigado


— Então você gosta dele?


Leônidas sorriu


— Do Peter?


— Sim.


— Muito.


Leônidas voltou o olhar para o horizonte


— Ele deu a ela o que nos dois jamais conseguiríamos.


Tharok permaneceu em silêncio


— E ajudou a criar um garoto que talvez um dia salve todos nós.


Os dois continuaram a admirar o horizonte.


As nuvens alaranjadas do sol se pondo.


Os pássaros voando.


A paz que reina sobre o reino.


— Eu preciso ir.


— A gente se fala meu amigo.


— Até mais… Rei Tharok.



Tharok sorriu.


— Até… conselheiro Leônidas.


Leônidas fica surpreso.


E então


VOOOOOOOM



— Mark, volt-


— GRRGH


Mark estava largado na cama


— Que horas são? Não aparenta ser tão tar….


Uma voz interrompeu Leônidas.


— São 21:30.


— Realmente achou que eu dormiria?


Mark abriu um enorme sorriso ao ver Leônidas… novamente bem.


Leônidas sorriu.


— Você deveria dormir.


— Não estou com sono.


— Você mente muito mal.


— E quem disse que eu estou mentin…


Mark deu um enorme bocejo


— Hihi. Me pegou, tio.


— Eu vou dormir.


— Certo.


— Boa noite tio.


— Boa noite Mark.


Leônidas então lembrou de algo que queria perguntar.


— Ah, antes de eu ir. Eu gostaria de perguntar uma coisa.


— O que foi?


Leônidas hesitou por um instante.


— Eu soube de muitas coisas sobre seu pai, sei de tudo sobre sua mãe e sua tia…


— Certo. — disse Mark


— Estou aprendendo muito sobre você.


— Mas tem alguém em específico que eu gostaria de conhecer.


— Hã? Quem?


Leônidas permaneceu em silêncio.


A dúvida o segurava


— É… Jeff… como ele era?



Thoughts

  • EsquinaDaLeitura

    Égua, o Vhalek saiu do salão com a veia saltando e depois ainda chamou o Leônidas escondido. Esse velho não engoliu o Tharok, e eu aposto que ele vira contra o rei novo antes do Mark terminar o treino.

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  • denovonao

    Bah, o Tharok perguntando se o Mark seria assim se ele e a Sara tivessem dado certo. Então tem ex no meio dessa coroa 👀

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