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Capítulo 21: Luíz

BELADIA
Pensamento

Pensamento

Rui_Salgueiro

Vampiro enjoado no chão da cabana, nunca tinha pensado nisso. Com sangue de bruxa lá dentro, até se percebe.

Vampiro enjoado no chão da cabana, nunca tinha pensado nisso. Com sangue de bruxa lá dentro, até se percebe.

Conteúdo da publicação

livro (trinta dias para a última lua)

O corpo de Luiz acordou e tentou se levantar. Ele estava sozinho em uma cabana velha. Onde estava Hadria? Seu corpo doía por estar se transformando em pedra; a dor era dilacerante e a velocidade da transformação havia diminuído, mas algo estava muito errado desde que mordera Hadria e sugara seu sangue. Eram visões de um passado ou era um sonho? — pensou Luiz. O seu corpo estava reagindo de maneira nada convencional para um vampiro.

Sob a pele pálida, sentia as mudanças se alastrando: suas mãos formigavam e repuxavam, e as escamas de pedra começavam a se fundir de um jeito novo. Seria efeito colateral por estar se transformando em pedra ou é pelo sangue de Hadria? — pensou. Algo não estava certo; ele nunca sentira aquilo antes, como se um calor brutal e abrasador estivesse redesenhando sua carne. Sendo as bruxas feitas da mesma escuridão primordial dos dragões, o sangue dela agia como brasa viva em suas veias. O sangue de Hadria é um veneno para mim? — questionava-se Luiz em sua mente...

O seu coração, que costumava ser frio, começou a bater violentamente no peito, trazendo uma sensação de queimação, como se fogo estivesse devorando suas entranhas. Ele se retorceu de dor, sentindo como se algo grande e vivo estivesse crescendo e se moldando dentro dele.

Ele tentou mais uma vez se apoiar no braço para levantar, mas a cabana rodopiou violentamente. Fechou os olhos, segurando a ânsia.

— Que sentimento é esse? Eu estou enjoado — concluiu Luiz, apoiando a cabeça contra o assoalho velho da cabana com os olhos fechados, concentrando-se em analisar o ambiente, o cheiro do lugar e buscar ameaças à volta...

Um redemoinho começou a se abrir e Luiz caiu dentro dele. Era escuro, seu corpo sentiu frio, muito frio, e ele se deixou guiar pelas trevas. Uma luz aos poucos começou a brilhar e uma imagem apareceu; o corpo de Luiz já não doía e ele não sentia mais náuseas.

 O vento suave do entardecer acariciava sua pele, trazendo o frescor das alturas e o aroma ancestral da terra. O céu, inicialmente de um azul limpo e sereno salpicado por leves nuvens brancas, começava a se render ao espetáculo do crepúsculo: um vermelho profundo rasgava o firmamento em pinceladas vibrantes de alaranjado e dourado, como se os deuses tivessem derramado fogo líquido sobre as nuvens. Um dragão de trinta metros de majestade repousava ao seu lado, as escamas titânicas refletindo o rubor do poente. A fera girou lentamente a cabeça maciça, revelando olhos dourados e profundos que fixaram-se diretamente em Luiz com uma curiosidade magnética.

Onde eu estou? Esta planície não é nas terras demoníacas? pensou Luiz, confuso.

— Você veio — dizia ela com voz calma, virando-se para encarar Luiz.

A mulher vestia túnicas negras tradicionais das bruxas montadoras de dragão — um tecido denso e escuro, tecido com fios encantados para resistir ao vento cortante das alturas e ao calor das chamas, adornado com runas ancestrais costuradas com linha prateada que piscavam fracamente à luz do crepúsculo. Sobre ela, levava uma capa escura que balançava com a brisa. Os cabelos alvos, trançados em imponentes tranças, desciam firmes até a cintura. Nas pernas, usava calças de couro reforçado e botas de montaria altas, maleáveis e cravadas com pequenas fivelas de ferro escurecido, desenhadas especificamente para garantir firmeza e aderência nas escamas titânicas da sela. Era a mesma figura das outras visões de Luiz.

Ao encará-la de perto, Luiz sentiu o fôlego escapar de seus pulmões em um sobressalto: era Hadria adulta. Ele a reconheceu de imediato pela inconfundível e impressionante semelhança. No rosto dela, um sorriso triste desenhava-se suavemente.

 Vamos — ela disse com autoridade, e tudo começou a ficar escuro novamente.

 

 

Thoughts

  • versoAlheio

    Cara, eu li a Hadria adulta como o futuro dela, o sangue mostrando pro Luiz onde ela vai chegar. Mas ele mesmo pensa em visões do passado, então posso estar viajando.

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  • Rui_Salgueiro

    Vampiro enjoado no chão da cabana, nunca tinha pensado nisso. Com sangue de bruxa lá dentro, até se percebe.

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  • tresPaginas

    Esta noite passei das três páginas, só para saber quem era a mulher das tranças brancas. Valeu a pena perder o sono.

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  • linhaTorta

    Uma cabana velha, e nenhum sinal de quem levou ele até lá. Ele morde a Hadria, bebe o sangue, apaga, e acorda sozinho com a pedra andando mais devagar. Carregar um vampiro meio virado pedra não é pouca coisa, então tenho pra mim que alguém ajudou e que ela saiu atrás desse alguém. A Hadria volta a aparecer acordada no próximo capítulo?

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  • Ovid

    Bruxas e dragões feitos da mesma escuridão primordial explica muita coisa sobre por que o sangue da Hadria queima o Luiz por dentro. Fiquei pensando que a pedra desacelerou justo quando esse calor entrou, como se uma maldição estivesse brigando com a outra. Tenho um palpite de que o que cresce dentro dele tem escamas! Obrigado por continuar postando :)

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  • lcavalcanti93

    Até aqui quem vigiava era a Hadria e quem se distraía era o Luiz. Neste capítulo a mesa virou: ele no chão da cabana, enjoado, sem saber onde ela está, e quem aparece no comando é uma Hadria mais velha montada num dragão. Minha aposta é que o sangue de bruxa troca uma transformação por outra. A pedra desacelerou porque tem outra coisa ocupando o corpo dele, e essa coisa tem cara de dragão.

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