Aquele beijo na testa 🥺
Capítulo 11 : Memórias
Pensamento
Aquele beijo na testa 🥺
Conteúdo da publicação
livro (Querida, Sorria!)
Veio à mente de Maraíra a época em que era criança, trazendo de volta o afeto de seu pai ao pegá-la no colo após buscá-la na escola. Por mais que tentasse, ela não conseguia formar a imagem do rosto dele, mas o seu sorriso ressurgia vívido na memória, assim como a lembrança nítida dele sentado à beira de sua cama, lendo uma historinha antes de dormir.
— Pai, não vai. Dorme aqui comigo... — pedia a pequena Maraíra.
— Querida, sorria, não fique triste — ele respondia, com um tom acolhedor. — Eu te amo e nunca vou te deixar. Mas você já vai fazer nove anos, tem que aprender a dormir sozinha.
— Pai, não me deixa...
— Durma, querida, sem medo. Eu nunca vou te deixar.
Ele sorria mais uma vez, dava-lhe um beijo na testa, saía e encostava a porta.
De volta ao presente, enquanto observava a carinhosa interação na casa de dona Francisca, Maraíra se perguntava por que a sua própria mente havia apagado o rosto de seu pai com o passar dos anos, deixando para trás apenas o calor solitário daquele sorriso...
Thoughts
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PermalinkReparei que a lembrança volta justamente olhando a casa de dona Francisca, gente sendo carinhosa uma com a outra. A Maraíra que vinha fazendo plano a frio fica sem defesa diante de uma cena comum de família. Pra mim ela começa a errar a partir daqui, porque saudade atrapalha a conta.
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PermalinkAquele beijo na testa 🥺
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PermalinkPai que sai e encosta a porta, conheço bem. Meu guri também pedia pra eu ficar na noite antes de cada viagem.
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PermalinkA dona Francisca nem sabe que tá mexendo num vespeiro só por ser carinhosa com os dela.
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PermalinkLembrar do sorriso e não do rosto. Isso dá um arrepio de tão real.
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PermalinkEntão o nome do livro saiu da boca do pai, numa noite em que ela só queria que ele ficasse. Pra mim isso muda o peso do título, que soava quase como uma ordem e agora parece consolo. Me fez pensar em como frase de consolo de infância fica com a gente mesmo quando o rosto de quem disse some, e aposto que essa volta num momento bem pior da história.
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PermalinkO pai repetindo que nunca vai deixar a filha, três vezes na mesma noite, me deixou com a pulga atrás da orelha. Meu palpite é que ele foi embora pouco depois dos nove anos dela.
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