*EITHAN*
minha vida era completamente normal.
Eu ia para a escola, brincava depois das aulas, assistia televisão, fazia minhas tarefas e reclamava quando meus pais mandavam eu ir dormir cedo. Eu era apenas uma criança comum, com uma família comum e uma rotina que, para mim, não tinha nada de especial.
Bom... quase nada.
Porque a minha família morava em uma mansão enorme.
A casa ficava afastada da cidade, cercada por árvores altas e antigas. O caminho até lá era comprido e, principalmente à noite, parecia que nunca terminava. Durante o dia, a mansão até parecia bonita. Tinha grandes janelas, jardins enormes, uma varanda de madeira e uma fachada elegante.
Mas quando o sol desaparecia...
A casa parecia outra.
As paredes ficavam escuras, as janelas pareciam enormes olhos e os corredores compridos ficavam silenciosos demais.
Eu tinha meu próprio quarto no andar de cima. Era grande, muito maior do que eu precisava. Tinha uma cama, uma escrivaninha onde eu fazia minhas tarefas e uma janela que dava para o jardim.
Minha mãe sempre dizia:
— Não precisa ter medo. Essa casa só parece assustadora porque é antiga.
Eu fingia acreditar.
Mas, quando chegava a noite, eu sempre deixava a porta do quarto aberta.
Não porque eu acreditasse em fantasmas.
Eu simplesmente não gostava de ficar sozinho naquele lugar.
A mansão tinha muitos cômodos que quase nunca eram usados. Existia uma biblioteca enorme, uma sala de jantar que parecia grande demais para a nossa família, um sótão cheio de caixas antigas e um corredor no segundo andar que meus pais quase nunca deixavam que eu explorasse.
Eu adorava brincar pela casa.
Corria pelos corredores, escondia meus brinquedos atrás das cortinas e às vezes jogava bola dentro da sala, até minha mãe aparecer reclamando.
— Vai quebrar alguma coisa!
Eu ria e saía correndo.
Durante o dia, a mansão era apenas a minha casa.
À noite, porém, ela parecia ficar em silêncio.
E foi justamente por isso que comecei a prestar atenção em pequenos detalhes.
O rangido do piso quando alguém caminhava pelo corredor.
O vento batendo nas janelas.
As portas antigas fazendo barulho quando eram fechadas.
O relógio enorme da sala marcando cada hora durante a madrugada.