Série (crônicas)
Em meados de setembro, recebi uma mensagem de uma vizinha já toda animada com as decorações, me convidando para enfeitarmos as frentes das casas e deixarmos a rua mais bonita. Aceitei prontamente! Foi o sinal verde que eu precisava. Graças a essa parceria, agora em outubro declaramos oficialmente aberta a temporada de preparativos natalinos aqui em casa.
E por falar em ritmo, essa mesma vizinha (que claramente é minha alma gêmea de empolgação natalina) está voando. Passei em frente à casa dela esta semana e a árvore já está montada, com direito a guirlanda na porta! Ela ainda me mandou uma listinha super atenciosa com ideias de presentes que quer comprar para as minhas filhas. Ver essa eficiência toda me deu o empurrão que faltava para começar urgentemente as minhas compras e o restante dos preparativos.
Ontem, o marido já chegou com dois pisca-piscas e dois refletores que projetam imagens. A lógica matemática dele é infalível: como temos duas meninas, ele sempre compra tudo em dobro para não dar briga — mesmo quando os itens nem são presentes para elas! Eu já nem questiono mais essa lógica.
Claro que já tivemos nossas primeiras divergências criativas. Eu quero uma árvore monocromática, toda chique em tons de vermelho; ele quer a árvore colorida. Eu digo que preciso comprar mais bolas e enfeites para o meu projeto vermelho; ele reclama que já temos três caixas lotadas de bolas de Natal. Eu falo em comprar mais uma árvore; ele argumenta que não temos espaço nem para a que já temos, já que inventei de colocar dois vasos de um metro de altura bem no lugar onde a árvore costuma ficar. Minha solução foi simples: "É só tirar os vasos!". Um detalhe insignificante: eles estão cheios de terra. Minha ideia é levá-los para o segundo andar, enquanto ele jura que o melhor lugar para eles é no meio da rua.
A minha lista de Natal segue a todo vapor: comprar pijamas natalinos iguais para todo mundo (meu marido não gosta, mas usa) e escolher os vestidos das meninas para as fotos em família — que este ano, obviamente, serão vermelhos.
Aí vem o fantasma do Natal passado. Ano passado, vi um vídeo de uma russa fazendo uma rena de Natal. Imprimi o molde em várias partes, colei, comprei o aço e as linhas para enrolar. Quando o marido chegou e perguntou para que era aquilo, respondi toda animada: "Vou fazer uma rena! Não, vou fazer duas renas!". A resposta dele foi bem prática: "Vamos comprar pronta para não dar trabalho". Mas eu estava irredutível, argumentando que era para criar experiências e memórias de Natal para as meninas.
Ele retrucou: "Você não vai conseguir, esse aço é muito duro. Como vai entortar isso? Não quero nem ver, não vou te ajudar".
E eu, decidida: "Se for para ajudar com má vontade, eu não quero!".
Passou uma semana, passaram-se duas... e eu tinha conseguido entortar só a metade, mas estava com as mãos todas machucadas de manusear o aço. Até que ele chega em casa, do nada, com uma luva grossa para moldar a armação. Ele conseguiu fazer a estrutura das renas em poucos dias. Fiquei empolgadíssima e comecei a enrolar a linha! Eu achava que entortar o aço tinha sido o grande vilão do projeto, mas envolver a armação inteira com a linha foi um trabalho infinitamente pior. O resultado? O Natal chegou, eu só tinha conseguido terminar uma rena e, sendo brutalmente sincera, ela ficou parecida com os animais infectados figurantes de The Last of Us.
Este ano, a meta é terminar a segunda rena e dar uma melhorada na aparência da que já está pronta.
E os projetos não param! Vi um vídeo de uma mulher dizendo que dá para fazer um quebra-nozes de um metro em trinta minutos e me animei. A ideia original era justamente essa. Fui mostrar para as meninas e elas o acharam feio, então troquei o projeto: vou fazer bonecos de neve, adaptando o molde inicial. Vou fazer dois bonecos para colocar perto da árvore.
Também tenho que fazer os biscoitos de Natal. É engraçado como as tradições começam: quando a minha primeira filha nasceu, há sete anos, decidi fazer biscoitos natalinos pela primeira vez. Nunca tinha feito, mas queria iniciar uma tradição. Hoje, para elas, esse momento já é oficial na família. Mas calma, ainda estamos em outubro, tem tempo. Minha meta principal é concluir os projetos inacabados do ano passado (as renas estão incluídas no pacote) antes de começar os novos.
Ainda incluí na minha lista um escapulário de porta. Este ano não vou usar guirlanda, eu mesma farei o escapulário. Já comprei as flores e as fitas, agora só falta a coragem. Mas prometi a mim mesma: só começo depois de terminar as renas!
Ah, e quase esqueci de um pequeno detalhe: falta comprar tinta. Sim, eu vou pintar a casa. E o muro. Eu mesma! Também tem as cortinas da casinha de bonecas das meninas, outro projeto do ano passado que preciso terminar. Se eu sei costurar? Não, mas tenho vontade de fazer as coisas.
Dizem que a magia do Natal é contagiante. O meu nível de contágio já passou da árvore, esbarrou na vizinha, dominou a casinha de bonecas e agora está exigindo duas demãos de tinta no muro. Que venha dezembro!