Eu nunca vou esquecer a música do umpa lumpa agora.
Porque foi assim que tudo começou.
Naquela noite em que você resolveu fazer piada com o meu tamanho, colocou aquela música no meio da rua e deixou o volume no último, sem imaginar que, anos ou meses depois, sei lá, eu estaria aqui tentando colocar em palavras tudo o que aquela noite significou para mim.
E pensar que, no meio de uma situação tão boba, aconteceu o primeiro toque das nossas mãos e a primeira troca de olhares que eu fiz questão de contar.
Na minha cabeça, foram seis segundos.
Seis segundos que, nessa noite, eram só seis segundos.
Hoje, são uma das lembranças que eu mais gosto de revisitar.
Depois daquela noite, vieram as conversas de todos os dias, as risadas, as descobertas, as experiências novas e tantas outras coisas que eu nunca teria vivido se nossos caminhos não tivessem se encontrado.
E foi tão bom.
Tão bom que, sinceramente, acho que nunca vou conseguir ouvir aquela música sem voltar um pouquinho no tempo.
Voltar para aquela noite, para as nossas primeiras conversas, para a curiosidade de descobrir quem era você, para a sensação de perceber que alguém estava se tornando especial sem que eu precisasse fazer esforço algum para isso.
E talvez seja essa uma das coisas mais bonitas que alguém pode viver: conhecer uma pessoa sem saber o tamanho do espaço que ela vai ocupar na sua vida e, quando perceber, já ter uma coleção inteira de lembranças com ela.
A gente não precisou de grandes acontecimentos para construir as nossas.
Elas estavam nas pequenas coisas, nos dias comuns, nas conversas que se repetiam todos os dias e na naturalidade com que você foi se tornando parte da minha rotina.
E eu guardo tudo isso com muito carinho.
Mesmo agora, que as coisas mudaram.
Mesmo agora, que seguimos como amigos.
Mesmo agora, que a nossa história já não caminha na direção que, em algum momento, eu imaginei.
Confesso que dói.
Talvez mais do que eu mesma esperasse.
Mas não porque tenha sido ruim.
Muito pelo contrário.
Acho que algumas despedidas doem justamente porque tivemos a sorte de viver algo que valeu a pena.
E você valeu a pena.
O que vivemos valeu a pena.
Cada experiência nova, cada descoberta, cada conversa e cada momento que, sem perceber, se transformou em uma lembrança que hoje eu não trocaria por nada.
Eu não gostaria de apagar a nossa história só porque ela chegou a um ponto final.
Se pudesse voltar àquela noite, sabendo de tudo o que sei hoje, acho que ainda sorriria ao ouvir aquela música tocando no último volume.
Talvez olhasse para você com um pouquinho mais de atenção.
Talvez contasse os segundos de novo.
Talvez tentasse guardar cada detalhe, sabendo que um dia sentiria saudade.
Ou talvez fizesse exatamente a mesma coisa, porque a graça de tudo foi justamente não saber.
Não saber que aquela noite se tornaria uma lembrança tão querida.
Não saber quantas coisas boas ainda estavam por vir.
Não saber que alguém que começou fazendo graça com o meu tamanho acabaria se tornando alguém tão importante para mim.
E, se hoje me perguntassem o que ficou de tudo isso, eu não saberia responder sem sorrir um pouquinho e sentir saudade logo depois.
Porque ficou muita coisa.
Ficaram as experiências que vivi pela primeira vez.
As memórias que construí com você.
O carinho que não desaparece só porque as coisas mudaram.
E uma música que, para qualquer outra pessoa, talvez não passe de uma piada.
Mas que, para mim, sempre vai ter endereço certo na memória.
A nossa história talvez não tenha sido feita para durar da maneira que eu gostaria.
Mas ela aconteceu.
Foi sincera.
Foi bonita.
Foi nossa.
E eu acho que existe uma espécie de eternidade nas coisas que nos transformam, mesmo quando não ficam.
Então, eu nunca vou esquecer a música do umpa lumpa.
Não porque ela me lembre de algo que perdi.
Mas porque me lembra de algo que tive a sorte de viver.
E, no meio de tantas músicas que existem no mundo, quem diria que justamente essa guardaria um dos começos mais bonitos da minha vida?
Você provavelmente nunca vai entender por que eu me lembro daqueles seis segundos.
Mas tudo bem.
Algumas lembranças não precisam significar a mesma coisa para duas pessoas para continuarem sendo especiais.
E aquela noite, para mim, sempre vai ser.
Porque, antes de ser uma saudade, você foi uma experiência linda.
E, antes de ser uma história que acabou, foi uma história que me fez feliz.