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A Rotina e a Lógica - parte 2 final

aleroz
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O corredor do Colégio Central de Ceres amanhecia com orvalho artificial, o chão ainda úmido e a luz branca demais. Havia um silêncio suspenso antes da sirene. Theo caminhava devagar, o braço…

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mariinha

Eu ja esperava sobra pro Theo depois da parte 1, mas nao imaginei que ele ia rir na cara do Cors todo quebrado daquele jeito. Me diz so uma coisa, o Cors leva no campo mesmo?

Eu ja esperava sobra pro Theo depois da parte 1, mas nao imaginei que ele ia rir na cara do Cors todo quebrado daquele jeito. Me diz so uma coisa, o Cors leva no campo mesmo?

Conteúdo da publicação

O Caco Humano

O corredor do Colégio Central de Ceres amanhecia com orvalho artificial, o chão ainda úmido e a luz branca demais. Havia um silêncio suspenso antes da sirene. Theo caminhava devagar, o braço enfaixado, a respiração curta. Os olhares o seguiam — não de curiosidade, mas de cálculo. Em Ceres, ninguém perguntava o que já sabia.

No fundo do corredor, Cors estava encostado na parede, o olhar em brasa. Ao lado, Vanks observava tudo, sem expressão — apenas esperando o caos começar.

— Fiquei sabendo que você apanhou de mulher… a fraca da Ceres — disse Cors.

Theo não parou. Passou por ele como quem atravessa uma sombra. Cors o empurrou contra a parede; o som ecoou, seco. Os estudantes se calaram de imediato, formando um semicírculo invisível em torno deles.

Theo, ainda preso pelo colarinho, ergueu os olhos devagar.
— Vai bater em quem está debilitado, na frente de todo mundo?
Fez uma pausa.
— Você é melhor que isso, Cors.
Outra pausa.
— Espere eu ter condições. Vai bater em cachorro morto? Procure o Kan. Ele está em melhores condições.

Cors tremeu de raiva. O punho subiu, mas o professor Ikar surgiu entre os dois num movimento rápido, separando-os.

— Acabou o espetáculo. Sala, agora — disse o professor, a voz fria e cortante.

Cors recuou, mas o olhar ficou preso no de Theo. Não havia ódio ali, havia algo mais perigoso — inveja disfarçada de desprezo.

Theo ajeitou o colarinho amassado e murmurou:
— Até segunda ordem, eu sou um caco humano.
Pausa.
— A gente resolve em campo.

O professor o empurrou levemente, mandando que seguisse.
Vanks, encostado na parede, riu baixo, movendo os lábios sem som: “Fracassado. Líder de merda.”
Theo percebeu, respondeu com um sorriso cínico, o tipo de sorriso que diz “eu sei”, e entrou na sala.

No final do corredor, Ceres observava tudo. Viu o corpo dele curvado, o dedo deslocado, o andar vacilante. Não sentia culpa — culpa era luxo —, mas algo nela pesou. Sabia que havia passado do limite.
“Forte”, pensou, “mas não é dois.”

Ela entrou em outra sala. A câmera ficou no corredor vazio. O sangue seco de Theo ainda marcava a parede onde Cors o prendera.


O Silêncio da Sala

A sala de aula estava mergulhada na luz translúcida de Mãe Ceres — fria, exata, impessoal.
Os alunos entravam em fila, sem se olharem. O som dos passos substituía qualquer conversa.

Theo entrou por último. Ainda sentia o peso do corredor, o colarinho amarrotado, o sangue seco no canto do lábio. Sentou-se na penúltima fileira, como quem deseja ser esquecido.

Logo depois, Cors e Vanks entraram. Não havia coordenação entre eles, mas se moviam como um só corpo. O silêncio entre os dois era pacto.
Cors sentou-se uma fileira atrás de Theo; Vanks ao lado. Entre eles, o ar vibrava.

O professor Ikar escreveu na tela holográfica:

História de Ceres — O valor do sacrifício individual.

Ninguém respirou fundo.
Theo ergueu os olhos, leu a frase, e sorriu de leve — cínico, cansado.

Cors sussurrou, sem olhar:
— Bonita lição pra um covarde.

Theo não reagiu. Continuou fitando o quadro, as palavras do professor. Apenas os dedos tremiam debaixo da mesa.

Vanks se inclinou, quase sussurrando só para Cors:
— Olha o herói aí… sangue azul ainda escorrendo.

Cors segurou a risada, mas ela escapou. O professor girou o olhar — breve, cortante. O silêncio voltou.

Theo falou baixo, sem virar:
— Continuem. Quero ver até onde vai essa coragem sem plateia.

Cors encostou na cadeira, sentindo o golpe — não o físico, mas o outro, o que desarma por dentro.
Olhou para Vanks, tentando sorrir. O riso morreu antes de sair.

A aula seguiu.
O tema era sacrifício.
Ceres estava ausente, mas parecia observá-los de algum lugar.

Na tela, a frase se completou:

Em Ceres, a força não é vencer. É suportar o que o outro não suporta.

Theo leu.
A câmera imaginária fechou em seus olhos.
O reflexo da palavra “suportar” brilhou em suas pupilas.


Thoughts

  • mariinha

    Eu ja esperava sobra pro Theo depois da parte 1, mas nao imaginei que ele ia rir na cara do Cors todo quebrado daquele jeito. Me diz so uma coisa, o Cors leva no campo mesmo?

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  • Ovid

    Theo admitir em voz alta que está um caco e ainda assim marcar o acerto para depois é coisa de quem já está pensando no dia seguinte. Ele adia em vez de pedir trégua. E a inveja disfarçada no olhar do Cors me faz achar que essa conta entre os dois vem de bem antes desta briga. Obrigado por publicar aqui!

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  • defina_o_termo

    A frase na tela troca o sentido de 'força' no meio do caminho: entra como capacidade de vencer e sai como capacidade de aguentar. Quem decide qual dos dois vale ali é sempre quem já está por cima. Theo mandar o Cors procurar o Kan foi usar a definição da casa contra o dono dela, e pra mim o punho parou aí.

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