Voltar todo dia na porta que não abre, a teimosia virando osso, virou casa. Me fez pensar em como a gente consegue edificar dentro de um não. Aposto que quando escreve, ainda tem aquele talvez que te segura de pé.
Através da Fechadura Spoiler
Eu não entro. Eu espreito, encosto o olho na ferida redonda da porta e olho o mundo virar um círculo pequeno demais.
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Voltar todo dia na porta que não abre, a teimosia virando osso, virou casa. Me fez pensar em como a gente consegue edificar dentro de um não. Aposto que quando escreve, ainda tem aquele talvez que te segura de pé.
Conteúdo da publicação
Eu não entro. Eu espreito, encosto o olho na ferida redonda da porta e olho o mundo virar um círculo pequeno demais.
Feixe de luz atravessa a fechadura e morre no chão. Pó dança sozinho, e o ar aqui dentro já aprendeu a não fazer barulho.
Do lado de lá uma luz que atravessa a fechadura e corta meu peito deixa uma marca queimando como cicatriz, e arde sem esperança de não doer mais.
Na frente da porta que não abre pra mim nem que eu arrombe, e era a porta da minha casa.
A chave que eu guardei virou enfeite. A maçaneta gasta do meu dedo continua esperando uma mão que não é a minha.
Eu bato baixo. De leve como quem pede desculpa por existir. E o silêncio responde mais alto. Eu sei que não vai abrir.
E mesmo assim eu volto todo dia. Porque teimosia também é forma de amar. Porque esperar virou osso no corpo. Porque se eu sair daqui vou ter que admitir
Que o amor passou e não escolheu ficar. Então eu fico. Conto as frestas de luz, aprendo a viver de metade. De sombra, de um "talvez" que nunca chega mas que me segura de pé.
E é só uma fresta de luz que atravessa a fechadura de uma porta que não abre pra mim. De um mundo que escolheu não ser meu.
Thoughts
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PermalinkVoltar todo dia pra bater numa porta que sabe que não vai abrir. Teimosia mesmo.
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PermalinkContar as frestas de luz, aprender a viver de metade. Tem algo que ninguém fala sobre quanto as coisas ocupam espaço quando vão embora.
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PermalinkVoltar todo dia na porta que não abre, a teimosia virando osso, virou casa. Me fez pensar em como a gente consegue edificar dentro de um não. Aposto que quando escreve, ainda tem aquele talvez que te segura de pé.
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PermalinkEsse bater baixo, como quem pede desculpa por existir, dói demais. Mas voltar todo dia apesar de saber que não vai abrir... é isso que fica marcado.
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