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Manuscrito das três faces

miguelv341
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Vagantes condenados: Iblis

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Vagantes condenados: Iblis

— Por séculos, eu e meus irmãos nos escondemos sob o brilho das estrelas! — Vociferando abaixo de um céu rachado, uma chama abrasadora queimava em profundo ódio, proferindo maldições ao seu progenitor.

— Acorrentados a um castigo patético! Fomos confinados a essa maldita prisão, obrigados a vagar entre essas formas medíocres de vida, incapazes de sermos verdadeiramente livres! Embora alguns de vocês possam querer continuar presos a esse fardo, eu não os julgarei. Mas eu… vou me opor à vontade do senhor, meu progenitor.

A ira e a determinação em sua voz se propagaram como o rugido de um tigre, levado aos quatro cantos pelos ventos do tempo, fazendo sua mensagem ecoar pelos ouvidos do pai. Ódio e repulsa transbordavam de seu ser, uma ferida profundamente cravada em seu ego. Ele, nascido das chamas, um ser puro e superior a todas as outras formas de vida mortal ou ascendente, reduzido a um mero cão castigado como resultado de uma ação que simplesmente desagradou o pai.

Mesmo com todo o seu resplendor e avidez, ele não era livre.

— Nós, os filhos, nascemos do amor de nossa mãe e da tolerância de nosso pai… Mas não possuímos valor aos vossos olhos, meu pai. Ó castigo que nos foi imposto , ó, meu pai! Até quando o senhor cobrará de mim e dos meus irmãos esta sua ira ? — Mesmo descarregando toda a angústia e revolta que se escondiam em seu coração, manifestadas em suas chamas, suas palavras ressoavam como um grito de dor.

Lá do alto de seu trono, ele o observava além da fronteira, com seu olhar penetrante abrangendo todo o vasto cosmo. Sentindo-se notado por seu pai, o filho ergueu sua espada em um ato total de afronta.

— Dormindo sobre seu trono, olhando acima de tudo e todos! Por que, pai, por que o senhor condena suas crianças a tais provações? — ele questionava, a voz carregada de angústia e inconformismo. — O que o senhor deseja de mim? Não vê a minha devoção, às minhas tentativas de agradá-lo e cumprir seus desígnios?

Mas o pai, distante e impassível, entregou-lhe apenas o silêncio como resposta. Aquele silêncio ecoou fundo no coração do filho, enchendo-o de ódio e amargura. Sua mente, antes resiliente, tornou-se suscetível a influências externas, abalada pela sensação de abandono e injustiça.

Ele observava o pai, a figura imponente e austera sobre o trono.

— Questiono a mim mesmo por quanto tempo devo aguentar essa dura provação sem sentido…

Aquele sentimento de incompreensão e solidão enraizou-se como o veneno de uma serpente, dando espaço para que a raiva e o ressentimento crescessem em seu ser, abrindo caminho para as doces palavras venenosas da serpente.

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