Opção 2, sem pensar duas vezes. A Helena já andava com saudades dele muito antes de pegar nas folhas, o livro só lhe deu a desculpa.
33º Capítulo/OS MISTÉRIOS DO ACASO /O Pôr Do Sol ☀
Embora Narciso tenha levado um bom tempo para tomar tal decisão, por questões de consciência e coerência, ele foi muito maduro decretando o encerramento daquele amor que ele considerava na prática…
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Opção 2, sem pensar duas vezes. A Helena já andava com saudades dele muito antes de pegar nas folhas, o livro só lhe deu a desculpa.
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33º Capítulo
OS MISTÉRIOS DO ACASO
O Pôr Do Sol ☀
Embora Narciso tenha levado um bom tempo para tomar tal decisão, por questões de consciência e coerência, ele foi muito maduro decretando o encerramento daquele amor que ele considerava na prática um monólogo. Por incrível que pareça, quando ele achou que a história já tinha caminhado para a despedida melancólica, o poder da própria literatura floresceu — as páginas do livro que Helena leu — funcionou como um espelho que a faz acordar e perceber o que estava prestes a perder tudo.
A conversa franca, desarmada, onde o "chumbo trocado" de silêncios é finalmente resolvido, dá uma dignidade imensa ao Narciso. Ele não volta rastejando; ele volta porque ela reconheceu o valor do que eles tinham.
O título deste capítulo "O Pôr Do Sol" é uma metáfora belíssima: porque o sol parecia estar se pondo definitivamente para os dois, mas esse acaso, na verdade, trouxe as cores mais lindas e curiosas da reconciliação.
O Poeta já tinha desencanado da sua musa, quando tudo parecia seguido para o silêncio das cinzas, o destino operou mais um de seus milagres cotidianos. Helena Dolly reata com Narciso, desfazendo de forma madura todo o mal-entendido que ameaçava afastá-los. Foi justamente num sábado cinzento que o rumo daquela história — que compõe o romance vívido entre os dois — começou a mudar drasticamente de direção.
Naquele sábado abençoado, toda aquela amargura acumulada nos dias de indiferença, num autêntico passe de mágica cósmica, foi ficando adocicada e leve.
A grande razão para essa mudança veio dos próprios manuscritos. Helena Dolly, ao fazer as penúltimas leituras das páginas do livro que Narciso vinha estruturando, entusiasmou-se profundamente com a verdade que brotava daquelas linhas. Ao ler o retrato de suas próprias reações e a dor silenciosa do escritor, ela foi tocada no fundo da alma e chegou à conclusão inequívoca de que o Poeta vinha cometendo um grande e compreensível lapso em relação ao que se passava no íntimo dela.
As páginas do livro foram os reflexos que faltavam para desarmar suas defesas.
Helena, após aquele médio recesso e distanciamento estratégico de Narciso, despiu-se de suas habituais armaduras e revelou que, na verdade, sentia uma falta avassaladora dele durante aqueles dias de gelo. Sentia falta de suas conversas despretensiosas, dos telefonemas no meio da noite, dos poemas inéditos deixados sobre a mesa e, com uma ponta de ciúme, queixou-se dizendo que o Poeta a estava ignorando propositalmente.
No fundo, tratava-se de um clássico caso de chumbo trocado nos bastidores do afeto; afinal, Narciso também nunca havia deixado de amar Helena Dolly nem por um segundo sequer, só que ela, com seu jeito imperativo e misterioso, nunca tinha demonstrado antes nenhum tipo de afetividade explícita que comprovasse o que dizia sentir, exceto, é claro, naqueles momentos inesquecíveis de puro prazer físico e entrega carnal.
Comovendo-se visivelmente com a leitura detalhada da obra, Helena procurou o Poeta o mais rápido e disse, com uma seriedade mansa, que ela precisava urgentemente conversar algo muito importante com ele — de fato, algo de imensa valia para o futuro de ambos, principalmente para ele, que havia dedicado a sua própria inspiração e um livro inteiro a ela. Ela confessou que sempre lia e relia os poemas em sua solidão, relembrando um amor que, na verdade, nunca tinha terminado dentro dela.
Naquele instante, Narciso ouviu em tom alto e claro, saindo diretamente da boca de Helena Dolly, as palavras que ele um dia tanto esperava ouvir: ele tinha grandes chances de ir muito além com ela. A partir dali, a evolução daquela história só ia depender exclusivamente da vontade e dos desígnios do todo-poderoso e bondoso Pai celestial, pois o destino de Helena, como de costume em sua caminhada espiritual, ela sempre fazia questão de colocar nas mãos divinas.
Contudo, Narciso, escaldado pelos contratempos do passado e um tanto desconfiado por natureza, mantinha os pés no chão, embora sentisse uma lufada de esperança soprando em seu peito, avisando que coisas muito boas poderiam vir por aí. E, apesar de toda a conversa séria e das barreiras que caíam, os olhares cúmplices entre os dois não haviam mudado em nada; muito menos a ternura magnética e o carinho que sempre uniram seus corpos. Helena Dolly, fiel à sua estampa de deusa, estava simplesmente linda e deslumbrante naquele sábado:
Vestia um traje de brim azul bem coladinho, moldando com perfeição as curvas de seu lindo corpo. Ela estava nota dez, impecável. Naquela reconciliação mágica, só faltou mesmo o selo de um beijo na boca para coroar o momento, mas o clima de cumplicidade que se restabeleceu foi fantástico.
Talvez ela tenha feito descobertas profundas sobre si mesma ao ler as verdades daquele livro, que acabou funcionando como a suposta salvação daquela parceria.
Após aquele encontro, Narciso passou um final de semana maravilhoso, daqueles intensos e inspirados que costumava passar no auge do romance. Agora, novamente com Helena Dolly aconchegada no peito e viva em seus pensamentos mais doces, a normalidade e a alegria voltaram a integrar o seu dia a dia. A sua atenção e o seu zelo por ela ficaram ainda mais fortes; afinal, ela merecia no mínimo o carinho renovado e a total dedicação do Poeta.
Na segunda-feira seguinte, logo pela manhã, Narciso chegou à empresa com o coração leve. Ao subir o último degrau da escada que dava acesso ao setor de trabalho, quem estava lá, esperando por ele? Ela mesma: Helena Dolly, bela como nunca, exibindo a sua habitual simpatia e mostrando-se totalmente solícita.
As probabilidades de enganos e interpretações erradas foram totalmente revistas pelo Poeta naquela semana.
Ele reconhecia que tudo havia ficado conturbado no período anterior porque ele simplesmente não tinha nenhuma perspectiva definitiva com Helena; ela pouquíssimas vezes havia declarado seus sentimentos que por sua vez nem conseguia calcular o turbilhão que se passava no coração secreto daquela mulher.
Narciso já se encontrava desanimado e cansado daquela situação que, além de duvidosa e incerta, soava bastante constrangedora para o seu orgulho masculino. Ele vinha se esforçando ao máximo para levar uma vida normal longe dela, mas a verdade é que nunca deixou de tentar uma reaproximação.
Ao se encontrarem no topo da escada, Narciso aproximou-se e deu um beijo carinhoso no rosto de Helena. Os dois permaneceram ali por alguns instantes trocando flertes silenciosos, olhando profundamente nos olhos como se estivessem se conhecendo pela primeira vez na vida.
Em seguida, ele foi até o vestiário para se trocar e colocar o uniforme para mais um dia de trabalho. Demorou apenas o tempo necessário e voltou rápido para falar com ela, pois Helena, através de um telefonema interno minutos antes, havia dito que precisava falar seriamente ele.
Aproximando-se com elegância, ele iniciou o diálogo:
— Pronto, minha querida. Já estou aqui à sua disposição. O que você tem para me falar de tão importante, minha linda Deusa?
— Quer dizer que tudo isso vinha acontecendo nas nossas vidas, esse turbilhão de sentimentos, e você nunca me disse uma palavra, Narciso? — questionou Helena, fitando-o com os olhos semicerrados.
— Isso o quê, Helena? A que exatamente você está se referindo, minha querida? — perguntou o Poeta, fazendo-se de desentendido, embora estivesse perfeitamente ciente e consciente de cada detalhe do jogo — O que você escreveu nessas páginas, Narciso! Por que você guardou isso e não falou diretamente comigo antes? — insistiu ela, apontando para os rascunhos.
— E precisava dizer algo, minha querida? Estava tudo tão na cara, tão evidente nos meus olhos... Eu não sou o tipo de homem que gosta de ficar pegando no pé de ninguém ou cobrando sentimentos à força!
— Mas eu nunca havia percebido esse bando de caras que ficam babando atrás de mim aqui na empresa da forma como você descreveu! Por que você não me alertou?
— Achei que não havia a menor necessidade de tocar nesse assunto, Helena. E também, convenhamos, você vinha me esnobando bastante nos últimos tempos, não acha? — pontuou o escritor, com sinceridade.
Helena Dolly deu uma breve e pensativa pausa, engoliu em seco e continuou a desabafar, abrindo o coração:
— Sabe, Narciso... Eu nunca, em toda a minha vida, imaginei que fosse passar por uma situação emocional igual a esta que estou vivendo agora.
— Por que, minha querida? Como assim? O que está acontecendo com você?
— Porque eu me sinto completamente dividida, Narciso. Eu tenho que levar a minha vida para a frente, resolver minhas coisas, mas ao mesmo tempo me pego sentindo uma falta absurda de tudo o que tínhamos... Eu gosto muito, muito de você, de verdade.
O Poeta, permaneceu em silêncio absoluto. Ele não dizia nada, não tentava interrompê-la; apenas ouvia atentamente cada palavra e olhava fixamente, com ternura, bem no fundo dos olhos castanhos de Helena. De fato, ele havia dado aquela pausa estratégica no relacionamento para conseguir arrumar a sua própria casa interna, porque a dúvida que o assolava era gigante.
Aqueles sinais repetidos de estar sendo esnobado e a nítida falta de atenção por parte dela haviam machucado o seu orgulho. Helena, percebendo o silêncio dele, continuou o seu desabafo:
— Você simplesmente não fala mais comigo como antes, Narciso. Chega aqui na minha mesa, diz apenas o essencial, o que é estritamente referente ao serviço, dá as costas e sai. Ficou dias sem me ligar nas horas vagas, não me dava mais aquela atenção gostosa de antes... Para ser sincera, eu pensei até que você já tivesse arrumado outra mulher na rua, porque o seu jeito comigo mudou completamente!
— Não, Helena... Nada disso é verdade. Eu realmente vinha dando esse tempo e mantendo essa distância porque tenho uma filosofia de vida bem clara: quando eu sinto que não estou agradando ou que o meu carinho virou um incômodo, eu prefiro sair de cena. Eu me afasto e fico apenas na observação, recolhido no meu canto. Eu sou do tipo de homem que, se for para sofrer por amor, que sofra logo de uma vez por todas para arrancar o mal pela raiz.
E tem mais, eu não suporto a sensação de ser esnobado por quem eu quero bem. Nessas condições, prefiro parar tudo e pronto, embora eu confesse que sofria muito com toda essa distância.
— E o que exatamente fez você agir dessa forma tão drástica? Qual foi o real motivo de tudo isso? — perguntou ela, buscando uma resposta definitiva.
— Bom, em primeiro lugar, você sabe que eu sempre revelei a você os meus sentimentos mais puros. Eu nunca, em tempo algum, escondi uma única vírgula ou detalhe do que sinto por você. E qual era a sua reação? Você sempre ouvia as minhas declarações apaixonadas e se mostrava totalmente indiferente, fria, parecendo que não sentia absolutamente nada por mim. Diante disso, achei que não estava agradando e resolvi, por bem, não falar mais nada e dar esse tempo para nós dois.
— Eu entendo, Narciso... Mas a verdade é que eu estou profundamente dividida. Eu tenho os meus assuntos complexos de casa, a minha rotina pesada com a minha família, e você sabe como eu sou: quando eu fico muito tensa ou sobrecarregada, eu me fecho no meu próprio mundo e me isolo. Mas o meu refúgio tem sido ler tudo o que você me escreve.
Eu leio os seus poemas, me acalmo e só depois volto para a minha vida normal. Eu amo ver você escrever... E tudo o que brota da sua caneta é simplesmente a coisa mais linda que já li. Eu te admiro demais, Narciso — confessou ela, selando a paz entre os dois.
(Continua...)
“A poesia O PÔR DO SOL ☀️ estará no próximo capítulo”
O amor que passa pelo teste do silêncio e da distância retorna ainda mais forte e refinado. Para Narciso, o Pôr do Sol não significava o fim da luz, mas o prenúncio de uma nova aurora nos braços da mulher que transformava sua vida em poesia.
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RESPONDAM A ENQUETE DOS MISTÉRIOS DO ACASO:
Vocês como leitores acham que o livro de Narciso foi o verdadeiro responsável por salvar esse amor?
[ Opção 1 ] Com certeza! A literatura tem o poder de revelar as verdades do coração que as palavras ditas não conseguem expressar.
[ Opção 2 ] O livro ajudou, mas Helena já sentia falta dele antes; a leitura foi apenas a desculpa perfeita para ela quebrar o orgulho.
[ Opção 3 ] Essa reconciliação mostra que, no xadrez do acaso, eles estavam destinados a ficarem juntos, independentemente do livro.
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Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
Thoughts
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PermalinkVoto na opção 3. O Narciso diz que quando sente que incomoda sai de cena e fica só a observar, mas passou esse tempo todo a escrever um livro inteiro sobre ela. Estes dois nunca chegaram a separar-se, o livro só apanhou isso por escrito.
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PermalinkVoltaram, visse 😄
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PermalinkReparei que a conversa séria dos dois acontece no topo da escada, antes dele vestir o uniforme, com ela avisando pelo telefone interno. Tanta coisa desses dois acontece dentro da empresa, entre um turno e outro, que eu já nem consigo imaginar os dois se encontrando fora dali.
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PermalinkO livro do Narciso servindo de espelho pra Helena me fez pensar que tem gente que só consegue dizer o que sente depois de ler o que o outro escreveu sobre ela. Aposto que a poesia do Pôr do Sol, no próximo capítulo, vai ser a primeira coisa que ela lê já sabendo que foi escrita pra ela. Obrigado por seguir com a história!
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PermalinkOpção 2, sem pensar duas vezes. A Helena já andava com saudades dele muito antes de pegar nas folhas, o livro só lhe deu a desculpa.
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